Troca-se um homem-aranha, poesia infantil de Roseana Murray

26 10 2010

Ilustração:  Homem aranha lendo, da campanha de leitura “Sem inspiração, sem futuro”, Marvel.

Troca-se um homem-aranha

Troca-se um homem-aranha de mentira

por uma aranha de verdade.

Uma aranha competente

que teça belas teias transparentes,

que pegue moscas, mosquitos

e não entenda nada de bandidos.

Uma aranha que seja

uma aranha simplesmente.

Em: Classificados Poéticos, Roseana Murray, Belo Horizonte, Migulim:1998 — 17ª edição.

 

Roseana Murray nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Língua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).

Obras:

Poesia para crianças e jovens

Fábrica de Poesia, ed. Scipionne, 2008

Poemas e Comidinhas, com o Chef André Murray, ed. Paulus, S.P, 2008

Residência no Ar, ed. Paulus, 2007

No Cais do primeiro Amor, ed. Larousse, 2007

Desertos, ed. Objetiva, 2006. ( Finalista do Prêmio Jabuti ) – Altamente Recomedável FNLIJ, 2006

O traço e a traça ed. Scpionne, 2006.

O xale azul da sereia, ed. Larrousse, 2006.

O que cabe no bolso? ed. DCL, 2006.

Paisagens, ed. Lê, 2006.

Pêra, uva ou maçã ed. Scipione, 2005. (Catálogo de Bolonha 2006 e Acervo Básico, F.N.L.I.J).

Rios da Alegria, ed. Moderna, 2005. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J).

Poemas de Céu ed. Miguilim, 2005. (Antigo “Lições de Astronomia”).

Maria Fumaça Cheia de Graça, ed. Larousse, 2005.

Duas Amigas, ed. Paulus, 2005 (reedição).

Lua Cheia Amarela, ed. Dimensão 2004.

Caixinha de Música, ed. Manati, 2004. (Catálogo de Bolonha 2005)

Um Gato Marinheiro, ed. DCL, 2004.

Todas as Cores Dentro do Branco, ed. Nova Fronteira, 2004.

Recados do Corpo e da Alma, ed. FTD, 2003. (Altamente Recomendável F.N.L.I.J)

Luna, Merlin e Outros Habitantes, ed. Miguilim/ Ibeppe, 2002. (Altamente Recomendável, F.N.L.I.J. )

Jardins, ed. Manati, 2001. (Prêmio Academia Brasileira de Letras de Literatura Infantil 2002. )

Caminhos da Magia, ed. DCL, 2001.

Manual da Delicadeza, ed. FTD, 2001.

O Silêncio dos Descobrimentos,  com Elvira Vigna, ed. Paulus, 2000.

Receitas de Olhar, ed. F.T.D, 1997, ( Prêmio O Melhor de Poesia, F.N.L.I.J. )

Carona no Jipe, ed. Memórias Futuras, 1994 e ed. Salamandra, 2006

No final do Arco-Íris, ed. José Olímpio, 1994.

O Mar e os Sonhos, ed. Miguilim,1996, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )

Paisagens, ed. Lê, 1996.

Felicidade, ed. F.T.D, 1995, (Altamente Recomendável  para a Criança, F.N.L.I.J. )

De que riem os palhaços ed. Memórias Futuras, 1995. Esgotado

Tantos Medos e Outras Coragens, ed. F.T.D, 1994 ( Prêmio O Melhor de Poesia F.N.L.I.J e Lista de Honra do I.B.B.Y. ) Reedição com novas ilustrações em 2007

Qual a Palavra? ed. Nova Fronteira, 1994.

Casas, ed. Formato, 1994. Editado no México, ed. Alfaguara

Dia e Noite, ed. Memórias Futuras, 1994. Esgotado

Artes e Ofícios, ed. F.T.D, 1990, (Prêmio A.P.C.A. e Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. ) Reedição com novas ilustrações em 2007

Falando de Pássaros e Gatos, editora Paulus, 1987.

Fruta no Ponto, ed. F.T.D, 1986. (Prêmio O Melhor de Poesia. F.N.L.I.J.

Fardo de Carinho, ed. Murinho, 1980 e ed. Lê, 1985.

O Circo, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1985.

Lições de Astronomia, ed. Memórias Futuras, 1985. Esgotado

Classificados Poéticos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1984, (Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J, e finalista do Prêmio Bienal. )

No Mundo da Lua, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1983.

Contos para crianças e jovens

Território de Sonhos, ed. Rocco, Altamente Recomendável FNLIJ, 2006.

Sete Sonhos e um Amigo, ed. FTD, 2004.

Pequenos Contos de Leves Assombros, ed. Quinteto, 2003.

Um Avô e seu Neto, ed. Moderna, 2000.

Terremoto Furacão ed. Paulus, 2000.

Um cachorro para Maya, ed Salamandra, 2000.

Uma História de Fadas e Elfos, ed. Miguilim / Ibeppe, 1998, (Acervo Básico da F.N.L.I.J – criança ).

Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim / Ibeppe, 1996

O Fio da Meada, ed. Memórias Futuras, 1994. Ed. Paulus, 2002

Retratos, ed. Miguilim/ Ibeppe, 1990, Altamente Recomendável para a Criança, F.N.L.I.J. )

O Buraco no Céu ed. Memórias Futuras, 1989.

Poesia

Variações sobre Silêncio e Cordas, com desenhos de Elvira Vigna. E-BOOK, edição artesanal Maurício Rosa, Visconde de Mauá, maio de 2008.

Poesia essencial, ed. Manati, 2002.

15 poemas no livro Um Deus para Dois Mil, de Juan Arias, ed. Vozes (em seis línguas) 1999.

Caravana, inédito, vencedor do Concurso Cidade de Belo Horizonte, 1994.

Pássaros do Absurdo, ed. Tchê ,1990, vencedor do Concurso da Associação Gaúcha de Escritores.

Paredes Vazadas, ed. Memórias Futuras, 1988. Esgotado

Viagens , ed. memórias Futuras, 1984.

Revista Poesia Sempre.

Revista Microfisuras, Espanha

Correspondência

Porta a porta, com Suzana Vargas, ed. Saraiva, 1998, ?Acervo Básico da F.N.L.I.J – jovem).





O ninho do beija-flor, poesia infantil de Walter Nieble de Freitas

20 10 2010

O ninho do beija-flor

                            Walter Nieble de Freitas

No verde mar das ramagens

Da trepadeira florida,

Certo dia eu descobri

Preciosa jóia escondida.

Era um ninho e três ovinhos

De mimoso beija-flor

Linda conchinha com pérolas

Feita com arte e primor.

Na modéstia desse lar,

Construído com afeto,

 Eu senti como era grande

O pequenino arquiteto!

Coisas assim,tão singelas,

Têm a magia, o condão

De mostrar toda a grandeza

Da Divina Criação.

Em: Barquinhos de papel: poesias infantis, de Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Editora Difusora Cultural: 1961.

Walter Nieble de Freitas ( Itapetininga, SP)  Poeta e educador, foi diretor do Grupo Escolar da cidade de São Paulo.

Obras:

Barquinhos de papel, poesia, 1963

Mil quadrinhas escolares, poesia, 1966

Desfile de modas na Bicholândia, 1988

Simplicidade, poesia, s/d

Chico Vagabundo e outras histórias, 1990





Poema-fábula de Antônio Feliciano de Castilho

13 10 2010

A grande árvore, 1942

Chaim Soutine ( Ucrânia, 1893 – França, 1943)

Óleo sobre tela, 99 x 75 cm

Museu de Arte de São Paulo

QUEM POUPA AS ÁRVORES ENCONTRA TESOUROS

                            Antônio Feliciano de Castilho

O vizinho Milão, que hoje é tão rico,

Não tinha mais que uma árvore, e de terra

Só quanto aquela sombra lhe cobria.

— “Corta-a, Milão, diziam-lhe os pastores.

Alegras teu campinho e terás lenha

Para aquecer a choça um meio inverno.”

— “Eu! Respondia o triste, eu pôr machado

Na boa da minha árvore?  primeiro

Me falte lume alheio o inverno todo,

Que eu mate a que a meu pai já dava sestas;

A que de meu avô me foi mandada,

Que a mão pôs para si; e a que nos braços

Me embalou tanta vez sendo menino.

Os deuses a existência lhe dilatem

Que assim lhe quero eu muito, e o meu campinho

Produza o que puder, que eu sou contente.”

Sorriam-se os pastores; o carvalho

Cada vez mais as sombras estendia,

E Milão de ano em ano ia a mais pobre.

Lembrou-se um dia em bem, que uma videira

Plantada a par com o tronco, o enfeitaria,

E os cachos pendurados pela copa

Lhe dariam também sua vindima:

E eis que ao abrir a cova, acha um tesouro!

Desde então ficou rico, e diz-me sempre,

Que os deuses imortais lh’o hão dado o prêmio,

Por amar suas árvores.  É ele

Quem m’as ensina  amar, são dele os versos,

Com que ao bosque de Pã cantei louvores.

Em: Apologia da árvore, de Leonam de Azeredo Penna, Rio de Janeiro, IBDF  [Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal]:1973 – antologia dedicada às escolas do Brasil.

António Feliciano de Castilho ( Portugal, 1800 – 1875) — primeiro visconde de Castilho,  foi um escritor romântico português, polemista e pedagogo, inventor do Método Castilho de leitura. Em consequência de sarampo perdeu a visão quase completamente aos 6 anos de idade. Licenciou-se em direito na Universidade de Coimbra. Viveu alguns anos em Ponta Delgada, Açores, onde exerceu uma grande influência entre a intelectualidade local. Contra ele se rebelou Antero de Quental (entre outros jovens estudantes coimbrões) na célebre polêmica do Bom-Senso e Bom-Gosto, vulgarmente chamada de Questão Coimbrã, que opôs os jovens representantes do realismo e do naturalismo aos vetustos defensores do ultra-romantismo.

Obras:

A Chave do Enigma (eBook)

Eco da Voz Portugueza por Terras de Santa Cruz (eBook)

O presbyterio da montanha (eBook)





As quatro operações: DIVISÃO, poesia infantil de Bastos Tigre

9 10 2010

Divisão

—                                   Bastos Tigre

—-

Operação que tem arte

É por certo a Divisão

Ela é que parte e reparte

Com justiça e retidão.

Dividendo, divisor,

Quociente e resto também.

Mas se a conta exata for,

Direi que resto não tem.

Se o divisor for maior

Do que o dividendo, então,

(A regra sei eu de cor)

O quociente é fração.

Se Deus e os homens amais

Dividi,  fazendo o bem:

Dá o que tendes demais

Aqueles que nada têm.

Em: Antologia Poética, vol. I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982





As quatro operações : MULTIPLICAÇÃO, poesia infantil de Bastos Tigre

9 10 2010

Multiplicação

            Bastos Tigre

Sou a Multiplicação.

Faço do “mais”, muito mais.

Numa espécie de adição

Tendo parcelas iguais.

Os dois fatores escrevo

E multiplicando os dois

Tenho os produtos e devo

A soma achar-lhes depois.

Se o dinheiro eu multiplico,

Muito bem isso me faz;

Mas não adianta ser rico

Faltando a saúde e a paz.

Em: Antologia Poética, vol. I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982





As quatro operações : SUBTRAÇÃO, poesia infantil de Bastos Tigre

9 10 2010

Subtração

            Bastos Tigre

Eu sou a Subtração.

É diminuir o meu fim.

 Saibam que essa operação

Não tem segredos para mim.

Dez menos sete são três;

Seis menos dois, quatro são.

E, de quatro tirar seis.

Pode ser?  Não pode, não!

Mas infeliz de quem ousa

Cometer o crime feio

De subtrair uma cousa

Que pertence ao bolso alheio.

Em: Antologia Poética, vol. I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982





As quatro operações : ADIÇÃO, poesia infantil de Bastos Tigre

9 10 2010

 

Adição

            Bastos Tigre

— 

Eu sou a Adição.  Reúno

As parcelas e, afinal,

Como sou um bom aluno,

Depressa encontro o total.

 —-

Quatro mais cinco são nove;

Mais treze são vinte e dois

E se quiserem que eu prove,

A prova farei depois.

 —–

A mestra nunca se esquece

Desta regra nos lembrar:

Só coisas da mesma espécie

É que podemos somar.

 —–

Somando pêra e mamão,

Uva, banana e laranja,

Em lugar de uma adição

Uma salada se arranja.

 —–

—–

Em: Antologia Poética, vol. I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982





Poesia infantil: Dona Joaninha de Júlio Saraiva

3 10 2010

Ilustração de Maurício de Sousa.

Dona Joaninha

— 

                                                    Júlio Saraiva

A Dona Joaninha

é muito gracinha.

Toda falante,

sai manhãzinha

sempre elegante.

Vestido vermelho,

cheio de bolinhas.

Sapato de salto,

chapéu e sombrinha.

Se não vai à feira

nem ao mercado,

ela vai se encontrar

com o namorado.

Ele é um joaninho

inteligente

e estudado.

Dizem até

que tem diploma

de advogado.

Júlio Saraiva, (São Paulo, Brasil, 1956) Jornalista, poeta, dramaturgo, cronista e letrista de música popular.   Vive em São Paulo.

Obras:

Mímica do Vento, poesia, 1990

Liturgia dos Náufragos, poesia, 2002

BLOG: http://currupiao.blogspot.com/





Upa, upa, cavalinho, poesia infantil de Edvete da Cruz Machado

2 10 2010
Ilustração de Sharon Banigan.

Upa, upa, cavalinho

Edvete da Cruz Machado

Upa, upa, cavalinho!

De onde foi que você veio?

Foi de perto ou foi de longe?

Você gostou do passeio?

Upa, upa, cavalinho!

Galopando tão ligeiro,

assim você é capaz

de dar volta ao mundo inteiro!

Upa, upa, cavalinho!

Caminhe mais devagar,

pois a ponte é muito estreita

quase não dá para passar.

Quando a noite for chegando,

upa, upa, cavalinho!

Venha ligeiro pra casa,

pra não errar o caminho.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 95





É hora do chá, poesia infantil de Helena Pinto Vieira

28 09 2010
Ilustração, Corinne Malvern.

—-

É hora do chá

Helena Pinto Vieira

— Que fazes, Ritinha,

assim tão brejeira?

— Eu sirvo um bom chá,

que fiz na chaleira,

às minhas bonecas,

pois é brincadeira.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p.110