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Pontinho de vista
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Pedro Bandeira
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Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
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Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
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Pedro Bandeira
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Eu sou pequeno, me dizem,
e eu fico muito zangado.
Tenho de olhar todo mundo
com o queixo levantado.
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Mas, se formiga falasse
e me visse lá do chão,
ia dizer, com certeza:
— Minha nossa, que grandão!
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Ambição do Pingo D’Água
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Jacy Pacheco
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A noite esqueceu
no côncavo de uma folha
vizinha de um riacho,
um pingo d’água.
Veio o sol
como uma rosa grande ardendo em febre
envolveu a pequenina gota
num punhado de cores.
Pingo d’água acordou,
olhou para baixo,
gostou do riacho…
Sonhou ser assim,
ser riacho também…
E correr,
e crescer,
ir além…
ser um rio bem grande,
maior do que ninguém…
veio o vento
de repente
e desgarrou da folha o pingo d’água.
Pingo d’água morreu.
Pingo d’água perdeu-se no riacho.
Pingo d’água sou eu.
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Jacy de Freitas Pacheco nasceu em Monerat, no estado do Rio de Janeiro, em 1910. Poeta e escritor. Autor de músicas e letras que nunca foram gravadas. Faleceu em Niterói em 1989.
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Vicente de Paula Reis
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De meu pai, como herança que bendigo,
Recebi, neste vale de amargura,
Um tesouro do qual não me desligo
E o guardo avaramente, com ternura.
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Escudando-me nele é que consigo,
Tornando a minha vida menos dura,
Impávido, vencer qualquer perigo,
Sobrepondo-me à própria desventura.
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Essa herança, meu pai, que me legaste,
Tem suavizado muito a minha vida,
Dos espinhos do mundo mal ferida!
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E essa prenda moral, que me deixaste,
É toda essa riqueza de ser pobre!
É toda essa grandeza de ser nobre!
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Vicente de Paula Reis ( Rio de Janeiro 1895-?) Professor de português do Colégio Pedro II e jornalista com colunas em diversos periódicos do Rio de Janeiro.
Obra:
Esparsos, poesia, s/d
Cartão postal, 1907, ilustração assinada pelas iniciais JLS.–
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Não te invejo, ave que voas
tão livre no firmamento!
Vou também aonde quero
nas asas do pensamento!
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(A. Coelho Neto)
Paisagem com touro, 1925
Tarsila do Amaral ( Brasil, 1886 – 1973)
óleo sobre tela, 52 x 65 cm
Coleção Particular
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Casimiro de Abreu
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Todos cantam sua terra
Também vou cantar a minha
Nas débeis cordas da lira
Hei de fazê-la rainha.
— Hei de dar-lhe a realeza
Nesse trono de beleza
Em que a mão da natureza
Esmerou-se em quanto tinha.
–
Correi pras bandas do sul:
Debaixo de um céu de anil
Encontrareis o gigante
Santa Cruz, hoje Brasil.
— É uma terra de amores,
Alcatifada de flores,
Onde a brisa fala amores
Nas belas tardes de abril.
–
Tem tantas belezas, tantas,
A minha terra natal,
Que nem as sonha o poeta
E nem as canta um mortal!
— É uma terra encantada
— Mimoso jardim de fada –
Do mundo todo invejada,
Que o mundo não tem igual.
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Em: Vamos Estudar? Theobaldo Miranda Santos, 3ª série primária, edição especial para o estado do Rio de Janeiro, RJ, Agyr:1957, 9ª edição.
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Casimiro José Marques de Abreu (Barra de São João, 4 de janeiro de 1839 — Nova Friburgo, 18 de outubro de 1860) poeta brasileiro da segunda geração romântica. Foi a Portugal com seu pai em 1853, onde permaneceu até 1857. Morreu aos 21 anos de idade de tuberculose. Deixou um único livro de poesias publicado em 1859, Primaveras, mas foi o suficiente para se tornar um dos mais populares poetas brasileiros de todos os tempos.
Obras:
Teatro:
Camões e o Jaú , 1856
Poesia:
Primaveras, 1859
Romances:
Carolina, 1856
Camila, romance inacabado, 1856
A virgem loura,
Páginas do coração, prosa poética,1857
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Admiro um pica-pau
Numa madeira de angico
Que passa o dia todim
Taco-taco, tico-tico
Não sente dor de cabeça
Nem quebra a ponta do bico
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Manoel Xudu Sobrinho, (São José do Pilar, PB, 1932- Salgado de São Félix, PB, 1987) poeta repentista.
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Maria de Lourdes Figueiredo
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Vou fazer uma omeleta
pra botar dentro do pão,
e, para isto, é preciso
que eu preste toda atenção.
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Primeiro bater os ovos;
depois, fritar no fogão.
Virá-la, então, com cuidado…
Escapuliu! Foi ao chão!…
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Em: O mundo das crianças: poemas e rimas, vol 1, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 110
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Roberto Pontes
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Onde é que ficaram as praças
E os meus doces passarinhos
Da infância inesquecida?
Na aragem dos caminhos?
— As flores murcharam cedo
E os passarinhos com medo
Ai! ai! uui! ui!
Foram viver sozinhos.
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Deixaram algum recado
Nos canteiros ressequidos?
Na trança tenra dos ninhos
O trinar pros meus ouvidos?
— O tziu levou seus filhos
A murta fechou seus cílios
Ai! ai! ui! ui!
Tão breve adormecidos.
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Meus canteiros carregados
Minhas jandaias de sonho
O passado onde eu regava
E ainda hoje amanho.
Jardins como um vasto véu
E asas pardas pelo céu
Ai! ai! ui! ui!
Vocês me põem tristonho.
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Em: Poesia simplesmente, coletânea de diversos poetas, Edição independente, 1999.
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Francisco Roberto Silveira de Pontes Medeiros, nasceu em Fortaleza, Ceará (04/02/1944). Cursou Direito (1964) e mestrado em Literatura Brasileira (1991) na UFC.
Dados biográficos: Antônio Miranda
Desenho de astrônomo turco, anônimo,
Do livro Tarcuma-I Cifr, de Maomé Kamalladin.
Univerisdades Rektolugu-Istambul
Turquia
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João de Deus Souto Filho
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O Cometa não é estrela
Nem planeta,
O Cometa é viajante
Estelar,
Grande rei andarilho,
De bela coroa
E cauda a brilhar…
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Em: Jornal de Poesia
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João de Deus Souto Filho, Geólogo e educador. Nasceu em 1957 na cidade de Carolina, MA. É formado em Geologia pela Universidade Federal da Bahia, pós-graduado em Geo-Engenharia de Reservatórios de Petróleo pela UNICAMP (1994), Formado em Letras (Licenciatura) pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (1999). Desenvolve trabalho sobre a importância da formação de uma consciência de preservação dos recursos hídricos.
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Obras infantis:
O quintal do Seu Nicolau, 1992
O aprendiz de jardineiro, teatro, 1992
O passeio da Cinderela, teatro, 1992
Brincadeira de palavras, inédito
Na ponta da pena, inédito.
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Se Deus atendesse, um dia,
minha prece ingênua e doce,
quem fosse mãe não morria,
por mais velhinha que fosse.
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(Archimino Lapagesse)