Minutos de sabedoria: Beatriz Bracher

12 03 2025

O enterro de Siegfried

William Brown Macdougall (Escócia, 1868-1936)

do livro The fall of the Nibelungs, de Margaret Armour, Londres, 1897.

 

 

“Morrer é intransitivo, incompartilhável, sujeito singular, nunca composto. Mesmo as mortes coletivas, holocausto, câmara de gás, chacinas, são mortes individuais. Quem morre, morre só.”

 

Beatriz Bracher

 

Beatriz Bracher (1961)





Conto popular versus conto de autor

10 03 2025

 Big Sky Country

Chad Gowey (EUA, 1987)

 

No conto popular não importa o nome nem o local ou o tempo, cada personagem é uma peça para a história funcionar. Por isso ela pode ser recontada eternamente que permanecerá sempre a mesma história. “A moura torta”, “Chapeuzinho Vermelho”, cultura popular. Num conto de autor ou num romance é diferente, são as palavras, exatamente aquelas palavras, que constroem aquela história para sempre única, os personagens crescem, têm nomes, a ação tem idade, finca-se em um tempo. É obra de um homem e não de um povo.

 

 

Em: Antônio, Beatriz Bracher, Editora 34: 2010





Nos bastidores, Machado de Assis

25 02 2025

Bailarinas nos bastidores, 1872

Edgar Degas (França, 1834-1917)

óleo sobre tela, 24 x 19 cm

National Gallery of Art, Washington D.C.

 

 

“Enquanto os meses passam, faze de conta que estás no teatro, entre um ato e outro, conversando. Lá dentro preparam a cena, e os artistas mudam de roupa. Não vás lá; deixa que a dama, no camarim, ria com os seus amigos o que chorou cá fora com os espectadores. Quanto ao jardim que se está fazendo, não te exponhas a vê-lo pelas costas; é pura lona velha sem pintura, porque só a parte do espectador é que tem verdes flores”

 

Em: Esaú e Jacó, Machado de Assis, em domínio público





As casas na Grécia Antiga, Luiz Felipe Pondé

24 02 2025
Ilustração de como eram as casas na Grécia Antiga.

 

 

Na Grécia Antiga, você não era dono da sua casa, o dono era a linhagem, os mortos enterrados nela.

Você não podia vender a sua propriedade, porque na propriedade estavam enterrados os ancestrais, então você estava ali por enquanto, vivo, mas também ia morrer e ser enterrado ali, portanto o filho tinha que cuidar do pai e, em vista disso, ele não podia, por exemplo, decidir vender a casa. A noção de propriedade era vinculada a uma crença religiosa.

 

Em: Diálogos sobre a natureza humana: Perfectibilidade e Imperfectibilidade, Luiz Felipe Pondé, nVersos Editora: 2023





Mudanças, Mário Quintana

19 02 2025

 

 

“Voa um par de andorinhas, fazendo verão. E vem uma vontade de rasgar velhas cartas, velhos poemas, velhas contas recebidas. Vontade de mudar de camisa, por fora e por dentro… Vontade… para que esse pudor de certas palavras?… vontade de amar, simplesmente.”

Em: Canções seguido de Sapato florido e A rua dos cataventos.  Mário Quintana, Alfaguara:n 2012





Visita ao museu: Margaret Atwood

23 01 2025

Dança no harem

Giulio Rosati (Itália, 1857-1917)

óleo sobre tela

 

 

“Lembro-me de andar por galerias de arte, em meio a obras do século XIX: a obsessão que eles tinham por haréns. Dúzias de pinturas de haréns, mulheres gordas deitadas à toa em divãs, com turbantes na cabeça ou barretes de veludo, sendo abanadas com rabos de penas de pavão, um eunuco ao fundo montando guarda. Estudos de carne sedentária pintados por homens que nunca tinham estado lá. Aquelas pinturas deveriam ser eróticas e eu achava que eram, na época; mas vejo agora o que realmente retratavam. Eram pinturas que retratavam animação suspensa, retratavam espera, retratavam objetos que não estavam em uso. Eram pinturas que retratavam o tédio. Mas talvez o tédio seja erótico, quando mulheres o fazem, por homens.”

Margaret Atwood, O conto da aia





Sobre o artista: Jorge Luís Borges

23 01 2025

Fonte na Villa Torlonia, em Frascati, Itália,1907

John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)

óleo sobre tela,  7a x 56 cm

Institute of Art Chicago IL

 

 

“Quando um indivíduo cria algo, digamos, uma composição musical, um romance, uma pintura, um filme, um vídeo, esse indivíduo se torna um autor, quer dizer, alguém que é capaz de deixar marcas, traços de seu modo próprio de criar mensagens em um processo de signos com o qual lida. O autor é aquele que interfere de modo particular e pessoal em um processo de signos.”

 

Jorge Luís Borges





Sublinhando…

22 01 2025

Mulheres clássicas lendo próximo a templo, 1889

Henry Thomas Schafer (Inglaterra,1854-1915)

óleo sobre tela, 98 x 64 cm

 

 

“As nossas memórias nunca são verdadeiras ou absolutamente verdadeiras, são apenas uma interpretação. Existem outras, e ao longo dos anos vamos vendo o passado a uma luz diferente. As nossas memórias vão sendo vistas de diferentes perspectivas, conforme aquilo que aprendemos e conforme aquilo que sentimos no instante em que as relembramos.”

Em: Os livros que devoraram meu pai, Afonso Cruz, ed. Leya: 2019





Sublinhando… o excêntrico colecionador…

5 12 2024

Pintores

Luís Fernando Borgerth (Brasil, 1945)

acrílica sobre tela, 24 x 19 cm

 

“Tomoo Hasegawa, brincando de mecenas, lançava em sua casa um punhado de jovens artistas atípicos. Como de costume, eles levavam suas obras para o veleiro de Shinnyo-dö, toda Kyöto comparecia, bebia, conversava e depois ia embora divulgando seus nomes. A maioria desses artistas eram elétrons livres. Não pertenciam a uma escola ou a uma família. Queriam ser, coisa culturalmente complicada, singulares. Não copiavam a arte contemporânea ocidental. Trabalhavam a matéria de sua terra natal dando-lhe uma figura inédita que sempre parecia japonesa mas não à maneira das grandes linhagens.”

 

Em: Uma hora de fervor, Muriel Barbery, Rio de Janeiro, Companhia das Letras: 2024

 





Como preencher o tempo, texto Clive Barker

28 10 2024

Jovem pensativo com crânio, 1898

Paul Cézanne (França, 1839-1906)

óleo sobre tela, 130 x 97 cm

Barnes Foundation

 

 

“O tempo seria precioso, daí em diante. continuaria a passar despercebido, é claro, como sempre, mas Harvey estava determinado a não desperdiçá-lo com suspiros e queixumes. Preencheria cada momento com as estações que encontrara no coração: esperança, como pássaros, nos ramos da Primavera; felicidade como um Sol quente de Verão; magia, como as inesperadas neblinas de Outono. E o melhor de tudo: o amor – amor suficiente para durar mil Natais.” 

 

Clive Barnes (Inglaterra, 1927-2008), The thief of always