Conto acumulativo folclórico: O Macaco perdeu a banana

7 05 2012

Macaco no balanço com banana, ilustração H.A. Rey.

O Macaco perdeu a banana

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O macaco estava comendo uma banana num galho de pau quando a fruta lhe escorregou da mão e caiu num oco de árvore.  O macaco desceu e pediu que o pau lhe desse a banana:

— Pau me dá a banana!

O pé de pau nem-como-cousa.  O macaco foi ter com o ferreiro e pediu que viesse com o machado cortar o pau.

— Ferreiro, traga o machado para cortar o pau que ficou com a banana!

O ferreiro nem se importou.  O macaco procurou o soldado a quem pediu que prendesse o ferreiro.  O soldado não quis.  O macaco foi ao rei para mandar o soldado prender o ferreiro para este ir com o machado cortar o pau que tinha a banana.  O rei não prestou atenção. O macaco apelou para a rainha.  A rainha não o ouviu. O macaco foi ao rato para roer a roupa da rainha. O rato recusou. O macaco recorreu ao gato para comer o rato. O rato nem ligou. O macaco foi ao cachorro para morder o gato. O cachorro recusou. O macaco procurou a onça para comer o cachorro. A onça não esteve pelos autos. O macaco foi ao caçador para matar a onça. O caçador se negou. O macaco foi até a Morte.

A Morte ficou com pena do macaco e ameaçou o caçador, este procurou a onça, que perseguiu o cachorro, que seguiu o gato, que correu o rato, que quis roer a roupa da rainha, que mandou o rei, que ordenou ao soldado que quis prender o ferreiro, que cortou com o machado o pau onde o macaco tirou a banana e comeu.

 

Recolhido por Benvenuta de Araújo, em Natal no Rio Grande do Norte.

Em: Contos tradicionais do Brasil (folclore) de Luís da Câmara Cascudo, Rio de Janeiro, Edições de Ouro:1967.

 

Como o autor exemplifica nesse livro os contos acumulativos são muito comuns nas Américas.  E Câmara Cascudo  relaciona alguns contos semelhantes a este, em que a Morte é chamada no final e todos correm a fazer o que a morte pede, por medo do que possa acontecer.  O mais semelhante ao nosso é de origem espanhola.





Quadrinha de pedido a Papai Noel

14 12 2011
Papai Noel se diverte com o pianinho, ilustração Lello.

Papai Noel, por favor,

do Natal afasta os medos,

e coloca mais amor

no meio dos teus brinquedos!

(Delcy Canalles)





Quadrinha da ceia de Natal

9 12 2011
Natal em família, Pato Donald, Margarida, Huguinho, Luizinho, Zezinho e Tio Patinhas, ilustração Walt Disney.

Festejar é natural,

mas a cristandade anseia

por ver ceia de Natal

com mais Natal… menos ceia!

(Arlindo Tadeu Hagen)





Quadrinha pelo Natal das crianças

2 12 2011

Deus na terra… Eis o Natal!

Repicam sinos… Festanças…

Feriado nacional          

no coração das crianças!

( J. G. de Araújo Jorge)





Quadrinha pelo Natal

1 12 2011
Natal na cidade, ilustração Tasha Tudor (EUA, 1915-2008).

Na matriz dobram os sinos,

acompanhando o coral;

na alegria dos meninos

todos cantam o Natal.

(Antônio Seixas)





Quadrinha do pai agricultor

22 11 2011

Ilustração, desconheço o autor.  Iniciais: GM

O esforço na terra dura

de meu pai agricultor

fez brotar da agricultura

meu diploma de Doutor!


(Arlindo Tadeu Hagen)





Quadrinha infantil sobre a floresta

13 11 2011
Floresta, ilustração de Marcel Marlier, 1953.

A devastação das matas

Constitui um grande mal

Que pode levar ao caos

A nossa Terra Natal.

(Walter Nieble de Freitas)





Trova do amor da família

12 11 2011

Passarinhos no ninho, cartão postal, Alemanha, década 1920.

Eu sei porque o passarinho

canta gostoso e se inflama:

– É que ele tem no seu ninho

uma família que o ama!


( A. A. de Assis)





Quadrinha do primeiro livro

10 11 2011

 

 

Não sou mais analfabeto!

Felizmente já sei ler!

Este meu primeiro livro

Vai-me dar muito prazer!

(Walter Nieble de Freitas)





O jumento e o gelo, uma fábula de Leonardo da Vinci

8 11 2011

O jumento e o gelo, ilustração de Adriana Saviossi Mazza.

Mais uma fábula de Leonardo da Vinci.  Quem vem seguindo este blog  já sabe que além de grande pintor, arquiteto e cientista, o gênio da Renascença italiana também ficou conhecido por sua arte de conversar, de contar histórias.  Também escreveu e anotou fábulas e contos populares, lendas e anedotas, organizando-as em volumes diversos.   Algumas dessas lendas foram traduzidas por Bruno Nardini e publicadas no Brasil em 1972.  Transcrevo aqui a fábula O jumento e o gelo do volume de Leonardo chamado: Fábulas, Atl. 67 v.b.)  Em: Fábulas e lendas, Leonardo da Vinci, São Paulo, Círculo do Livro: 1972, p.34.

A fábula de hoje, tem uma moral conhecida nossa, sabedoria popular, vinda da tradição latina através de Portugal: Quem avisa amigo é.

O jumento e o gelo

Era uma vez um jumento que estava muito cansado e sentiu-se sem forças para ir até o estábulo.

Isso aconteceu no inverno, e fazia muito frio.  Todas as ruas estavam cobertas de gelo.

— Vou ficar aqui, disse o jumento, deitando-se no chão.

Um pequeno pardal voou para junto dele e murmurou-lhe ao ouvido:

— Jumento, você não está na rua, mas sim sobre um lago congelado.  Seja prudente!

O jumento estava cansado.  Não tomou conhecimento do aviso.  Bocejou e adormeceu.

O calor de seu corpo começou aos poucos a derreter o gelo, que, finalmente, estalou e partiu-se.

Ao ver-se dentro d’água, o jumento acordou aterrorizado.  E enquanto nadava na água gelada, arrependeu-se por não ter ouvido o conselho do pardal amigo.

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Nesse blog temos também:

A Raposa e a pega, de Leonardo da Vinci.