Rosa Montero sobre a resposta a seu livro: “A ridícula ideia de nunca mais te ver”

9 02 2026

Leitura na poltrona

Alfonso Cuñado  (Espanha, 1953)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm 

 

“Nossos mortos e nossos filhos são as coisas mais importantes que nos acontecem na vida. Sempre recebo muitas mensagens, porque sou bastante acessível. Mas com esse livro foram muitíssimas. E 90% das pessoas me escreviam para contar histórias de mortes próximas. O extraordinário é que essas histórias não eram tristes, eram preciosas, celebravam o amor. Acho que essas pessoas não tinham podido contar isso a ninguém, nem sequer podiam reconhecer que havia alguma beleza ali, porque, quando há uma morte, temos a cabeça mergulhada na dor. Então, o meu livro, sem que eu tivesse a intenção, proporcionou aos leitores o resgate da beleza das mortes próximas.”

 

Essa foi a resposta do público que Rosa Montero recebeu depois da publicação de seu livro: A ridícula ideia de nunca mais te ver, tradução de Mariana Sanchez, Editora Todavia: 2019

 

Citação encontrada no livro: Sobre a ficção, Ricardo Viel, Companhia das Letras: 2025





6ª leitura do ano: Sobre a ficção, de Ricardo Viel

7 02 2026

 

 

Não sei quem me recomendou esse livro de entrevistas de autores das línguas ibéricas.  Foi recomendado porque não estava no meu horizonte.  Agradeço a quem o fez.  Foi uma leitura gostosa.  Dos dez escritores entrevistados só não conheço a obra de um deles ainda que já soubesse de sua existência.  O livro abre e fecha com as entrevistas de que mais gostei, autoras cujas personalidades  conseguiram ultrapassar os diversos filtros de distanciamento existentes em qualquer entrevista; uma espanhola e uma portuguesa: Rosa Montero e Djaimilia Pereira de Almeida.  Um elogio precisa ser feito ao trabalho de Ricardo Viel, que em Sobre a ficção [Cia das Letras: 2025] regeu as conversas com cada um dos romancistas de maneira segura, mostrando conhecimento das obras de cada um, sem interferências irrelevantes, deixando cada escritor aparentemente à vontade — personalidades, aparecendo através dos diálogos. 

Ao final, cheguei a uma conclusão: escritores são gente igual a toda gente.  Há uns mais simpáticos, outros modestos, um ou outro mais cheio de si.  Quer se vejam como referências da ‘alta’ literatura, quer sua obra seja altamente pessoal, eles vêm de todos os cantos do mundo, de todas as classes sociais, de famílias que liam ou não, com ou sem livros em casa.  E a leitura pode ser descoberta em criança, na adolescência ou como jovens adultos.  E não há idade para se começar. Todos têm hábitos diversos. Não há padrão.  Não há comportamento igual.  Não há predestinação, nem caminho fácil para o sucesso. Notívagos ou não, organizados e desorganizados, com planos detalhados dos personagens já sabendo como será o ponto final do romance ou escrevendo de supetão, instintivamente, sem ideia prefixa de para onde vão, cada um deles se encontrou como escritor por diferentes meios.  Os dez romancistas entrevistados são contemporâneos, já foram aplaudidos por milhares de pessoas, têm sucesso além fronteiras da terra natal, veem o que fazem de maneiras diferentes. O único ponto em comum, mesmo, é a necessidade de escrever.  Essa supera grande parte de todas outras atividades de suas existências. E podem escrever diariamente ou passar anos sem colocar uma palavra no papel.

Na era em que tudo parece ter um livro ou um método para como escrever; como superar o bloqueio; com que tipo de primeiro parágrafo atrair o leitor; entender a ‘Jornada do Herói’, dividi-la ou não nas doze partes que Joseph Campbel a descreveu;  tudo isso parece, ao final dessas entrevistas, irrelevante. Cursos e mais cursos que se multiplicam na internet, sobre como ser ou tornar-se um escritor, provavelmente pouco poderão ensinar.  Ler.  Ler, ler. Ler muito e constantemente, parece ser a melhor pedida.  Fica a dica.  

No final o que resta é a obra. Ela é o que realmente conta. As atividades e circunstâncias da vida de cada autor, não são de grande relevância a não ser para quem gostaria de biografá-los. É a obra. 

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem qualquer incentivo para a promoção de livros.





Sobre a solidão, Rosa Montero, (trecho)

19 07 2025

Moça lendo, 1947

Francesc Domingo Segura (Espanha-Brasil, 1893-1974) 

óleo sobre tela, 73 x 60 cm 

 

 

“A característica essencial do que chamamos de loucura é a solidão, mas uma solidão monumental. Uma solidão tão grande que não cabe na palavra solidão e que não podemos nem imaginar se não estivemos lá. É sentir que você se desconectou do mundo, que não vão conseguir te entender, que você não tem #palavras para se expressar. É como falar uma língua que ninguém mais conhece. É ser um astronauta flutuando à deriva na vastidão negra e vazia do espaço sideral. É desse tamanho de solidão que estou falando. E parece que na dor verdadeira, na dor-avalanche, acontece algo parecido. Embora a sensação de desconexão não seja tão extrema, você tampouco consegue dividir nem explicar seu sofrimento.”

 

Em: A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero, tradução de Mariana Sanchez, Todavia: 2019





“A fresta da verdade” texto de Rosa Montero

3 10 2024

Maternidade

Yolanda Mohalyi (Hungria-Brasil,1909-1978)

técnica mista sobre papel, 62 x 48 cm

“Apenas em nascimentos e mortes é que saímos do tempo. A Terra detém sua rotação e as trivialidades com que desperdiçamos as horas caem no chão feito purpurina. Quando uma criança nasce ou uma pessoa morre, o presente se parte ao meio e nos permite espiar durante um instante pela fresta da verdade — monumental, ardente e impassível. Nunca nos sentimos tão autênticos quanto ao beirarmos essas fronteiras biológicas: temos a clara consciência de viver algo grandioso.”

 

Rosa Montero, A ridícula ideia de nunca mais te ver.





Sublinhando…

1 04 2024

Leitura no sofá, 2019

Alfonso Cuñado (Espanha, 1953)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

 

 

 

“Os livros nascem de um gérmen ínfimo, de um ovinho minúsculo, uma frase, uma imagem, uma intuição; e crescem como zigotos, organicamente, célula a célula, diferenciando-se em tecidos e em estruturas cada vez mais complexas até se transformarem numa criatura completa e geralmente inesperada.”

 

Rosa Montero

 

 

 

Em: A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero, tradução de Mariana Sanchez, São Paulo,Todavia: 2019.





Leituras de 2022: “A boa sorte”, Rosa Montero, resenha

14 10 2022

Menina lendo

Carmen Gomez Junyent (Espanha, 1954)

Pastel, 45 x 38 cm

Há tempos acompanho Rosa Montero. Das obras publicadas no Brasil li: A louca da casa, A história do rei transparente, Te tratarei como uma rainha, Muitas coisas que perguntei e algumas que disse, Histórias de mulheres, O coração do tártaro, Instruções para salvar o mundo, e agora, A boa sorte, este com tradução de Fábio Weintraub. Poderíamos dizer que aprecio sua habilidade narrativa e imaginação. Tenho leituras favoritas entre estes livros mas até hoje nunca me arrependi de dedicar muitas horas às suas criações. Mas A boa sorte não irá para a lista dos meus favoritos da escritora.

Assuntos na pauta de Rosa Montero, e aqui não é exceção, têm a ver com a jornada do autoconhecimento. Também encontramos histórias com diversa variantes narradas pelo mesmo personagem de acordo com as necessidades que não são necessariamente mentiras, mas que poderiam ser plausíveis. Rosa Montero sempre nos regala com testemunho das diferentes versões que damos à nossa trajetória, de acordo com a audiência ou o momento em que vivemos. E ainda uma vez mais, Rosa Montero mostra ser a maga das imagens, aquela que seduz leitores como se hipnotizados. É certamente capaz de descrever situações, atmosferas, ambientes, absolutamente degradantes de maneira que não choque ou faça o leitor se aborrecer. Há muita arte nisso. A condição humana a preocupa, também merece atenção soluções variadas que seus personagens encontram para sobreviver.

Em geral, seus personagens têm muitas falhas: heróis ou heroínas, bandidos e afins, não importa. Os mundos que cria na ficção são sempre o bas-fond, os bairros pobres, as vidas de esperanças quebradas, de poucos horizontes.  Rosa Montero despe seus personagens, desnuda seus motivos, por mais torpes que possam ser; ela nos ajuda a entender que tanto o mais bem aquinhoado quanto os menos dotados trilham caminhos semelhantes.  O resultado, positivo ou não, depende exclusivamente de seus esforços.  Ela não protege nem a eles, nem a nós, leitores.  Passa ao leitor uma realidade frequentemente sombria, povoada por pessoas com propósitos obscuros, ambientes sujos, razões de vida torpes e muitos inocentes enrascados no aguardo  de vida melhor. Mas ela é consistente, pois há sempre o lastro de fé, de possibilidades vindouras em sua narrativa.  Há aquele  que sobrevive que se amolda, que consegue passar a perna na crueldade humana.

A boa sorte tem todas esses traços comuns à obra de Rosa Montero. Temos um homem bem sucedido amargando culpa, uma mulher bonita e maltratada à beira de imaginar-se sem possibilidades de amor e de formar uma família.  Bandidos de todos os jeitos, sempre pensando em querer algo mais, inconformados com a vida. E no entanto, este livro não me satisfez. 

Rosa Montero

 

Deixe-me ser clara.  Continuo a apreciar a imensa criatividade de Rosa Montero.  Ela consegue surpreender sempre;  criar personagens fortes, inesquecíveis, cujas lutas e dores acompanhamos com o coração nas mãos.  Nos oito livros dela que li, não pareceu haver limite na  engenhosidade de suas tramas, nem nos mundos que criou.  Na verdade, sempre tenho a impressão de que estou a ver, sentir e observar um mundo paralelo com clara semelhança àquele em que vivo.  Isto é uma arte.  Mas o que não me agradou em A boa sorte, foi a sensação no final de que havia necessidade de um fechamento específico, quando personagens precisam ser contabilizados;  a vida, inóspita detalhada na narrativa necessita realmente de um ponto final para cada personagem?  Com um fechamento um tanto hollywoodiano onde tudo se resolve, ficou um gosto de agrado ao mundo editorial.  Além disso, a narrativa, no último terço do livro, veio recheada com frases de edificação ou conselhos aquém da imaginação da autora: “para encontrar um sentido para a morte, é preciso antes encontrar um sentido para a vida“; “o inferno está aqui, somos nós“; “muitas vezes a vida consiste em escolher o mal menor”; “a alegria é um hábito“. Deixou em mim a sensação de manual de vida, que me desagrada bastante.  Continuo, no entanto, a achar que Rosa Montero é uma escritora que deve ser lida. Até hoje ela dá muito mais a nós leitores, do que muitos outros contadores de histórias. Três estrelas, de cinco no máximo.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.

 





Resenha: “O coração do Tártaro” de Rosa Montero

30 07 2019

 

 

 

mongols-nomads-mobility-minMongóis em conflito, século XIV

Rashid-ad-Din’s Gami’ at-tawarih. Tabriz (?)

Diez A fol. 70, p. 58.

Aquarela sobre papel, 21x 26 cm

Staatsbibliothek Berlin, Orientabteilung

 

 

Há alguns anos Rosa Montero se tornou uma de minhas escritoras favoritas.  O coração do tártaro, publicado pela Nova Fronteira em 2013, é o quinto romance da autora que leio.  A louca da casa, A história do rei transparenteTe tratarei como uma rainha, Instruções para salvar o mundo, além de dois livros de não ficção: Muitas coisas que perguntei e algumas que disse e Histórias de mulheres precederam esta leitura. E ela consegue surpreender. Sempre.  Li o livro há dois meses.  Mas minha opinião precisava se  cristalizar.  Inicialmente pensei ser a  mais simples história de R. Montero, mas mudei de opinião.

Rosa Montero não é uma estilista da língua.  Não encontramos em seus livros figuras de linguagem, nem escolha de imagens poéticas.  Há, em seu lugar, uma voz narrativa forte, baseada no idioma do dia a dia,  enunciada de maneira franca,  com economia.  A exposição  é direta e o ritmo importante.  O que deslumbra seus leitores é o que ela nos faz imaginar, o que ela nos revela para considerarmos.  Trama.  Histórias dentro de histórias, em geral  autorreflexivas.  Aí vemos a riqueza do que nos foi apresentado, o cabedal de recursos imaginários que nos confronta, a exuberante criatividade. É difícil dizer, nessas circunstâncias de qual livro mais gosto.  São todos tão diferentes!  Mas sem dúvida, A louca da casa e A história do Rei Transparente estavam ombro a ombro entre os melhores do grupo e agora,  O coração do tártaro coloco junto a eles, formando esse corpo literário de três cabeças, este Cérbero guardando a porta para o mundo imaginário, para o submundo de que suas obras são feitas, universo onírico de pesadelos que acabam com esperança, atravessando nossas almas, toda vez que nos enterramos na ficção da autora.

O coração do tártaro retrata o dia de uma mulher de 36 anos, Sofia Zarzamala, que trabalha com manuscritos medievais e que ao receber de manhã cedo um telefonema ameaçador de alguém que a procurava, ao ouvir a voz do outro lado entra em alerta total e em poucos minutos muda o rumo de sua vida.  Foge.  Ela sabia que este dia viria e  precisa agir. Toda trama se passa nas vinte e quatro horas seguintes. Zarza, foge do irmão  gêmeo, Nicolas um gangster, que tem bons motivos para persegui-la.  A fuga a leva a lugares do passado e assim vamos conhecendo os motivos dessa perseguição.  Vinda de família completamente disfuncional, Zarza e Nicolas têm ainda dois irmãos,  Martina, que de todos é a que parece ter a vida mais normal e Miguel, um menino autista, mas um gênio no cubo de Rubick, que Zarza e Nicolas colocaram num sanatório.  Zarza e Nicolas cometem todo tipo de ofensas em troca da heroína em haviam se viciado e com isso prejudicam até mesmo o irmão caçula. A mãe desses quatro irmãos morreu de causa desconhecida, talvez suicídio, talvez assassinada pelo marido; e o pai,  figura gigantesca na imaginação e na presença malévola que tem neste lar, é um homem descontrolado que abusa dos filhos, destruindo suas vidas de maneira tão arrasadora que é comparado por Zarza, a Gengis Khan, o imperador mongol que destruía tudo que encontrava.

É este passado de sofrimento, de abuso do pai, que desapareceu subitamente, que também a persegue.  Ao fugir do irmão,  ela se lembra dele e reavalia ações do passado distante com a família e do passado recente da Rainha Branca, a heroína que a manteve cativa.  Lembra-se Urbano o modesto carpinteiro que a retirou da prostituição e de como o tratou de maneira que precisava se redimir.  Enfim, Zarza passa a limpo o passado, talvez pela última vez.

 

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Neste meio tempo somos apresentados a um conto medieval atribuído a Chrétien de Troyes, conhecido poeta e trovador francês do século XII.  Há cinco grandes poemas de sua autoria: Érec e Énide, Cligès, Lancelote: o Cavaleiro da Carreta, Ivain: o Cavaleiro do LeãoPerceval ou le Conte du Graal [inacabado], todos cobrindo de 1170 a 1190. E há um grande número de obras atribuídas a ele.  E é aí nesta fissura do nosso conhecimento que Rosa Montero trabalha um conto, escrito por ela, mas com todas as características do que era escrito no século XII, que espelha a trama de O coração do tártaro.  Primeiro Montero nos diz que a obra é de Chrétien de Troyes, atribuída por dois dos maiores medievalistas contemporâneos.  Mas essa história é de Rosa Montero. Como ela vai misturar realidade e fantasia e ainda mencionar conhecidos intelectuais?  Ela provoca.  Faz com que acreditemos neste possível conto, avalizado por Le Goff e Harris (conhecidos historiadores do período medieval) só para no final, colocar dúvida de novo na autoria.  É uma maneira astuta de evitar qualquer problema jurídico e ao mesmo tempo dar valor à sua criação.

 

Rosa-MonteroRosa Montero

 

Mas este livro  se coloca entre os mais interessantes de Rosa Montero  também pelo variado uso do espelhar de histórias, de personagens e situações, até mesmo transcendendo o tempo.  Este espelhar,  chamado em geral de Doppelgänger, do alemão, ou seja, o outro igual ao que se apresenta, está muito bem distribuído e elaborado na trama, enriquecendo o contexto, fixando no leitor as experiências vividas na leitura.  Nem sempre o duplo é tão óbvio quanto no maravilhoso Retrato de Dorian Gray, de Oscar Wilde, ou trabalhado de maneira mais disfarçada como em O duplo, de Dostoiévski, por exemplo.  Exemplos não faltam na literatura e no folclore europeu. Mas eu ainda não tinha me encontrado com “o duplo” em tantos níveis: Zarza e Nicolas, Nicolas e o pai, o presente e o conto medieval entre outros.

Além dessas observações é preciso notar que Rosa Montero parece estar sempre trafegando nas zonas sombrias das emoções.  Seus personagens existem no submundo.  Não só o submundo social, mas o submundo arquétipo como definiu Carl Jung, aquele vestíbulo da mente, dos segredos que carregamos, a porta de entrada para o inconsciente. Este submundo é sombrio.  É melancólico e repleto de desespero.  Aqui, em O coração do tártaro, como aconteceu em Te tratarei como uma rainha e Instruções para salvar o mundo também seus personagens enevoados não pertencem ao universo solar. Há penumbra e solidão. O familiar desespero que encontramos em obras anteriores de Rosa Montero também permeia esta trama. No entanto, como sempre, saímos da leitura com uma nesga de esperança,  com um tanto de fé, nutrindo a fantasia de melhores tempos.  Talvez seja por isso que suas obras sejam tão bem aceitas.  Assim como esta, elas “quase” acabam bem. É incerto, como a vida.  Recomendo a leitura.

 

NOTA: este blog não está associado a qualquer editora ou livraria, não recebe livros nem incentivos para a promoção de livros.





Minha arma … Rosa Montero em “A História do rei transparente”

15 08 2017

 

 

RAMON CASAS (Espanha, 1866-1932)Entre capítulos, 1890-, ost, 41x 32, Museu Nacional d_art de Catalunya.Entre capítulos, 1890

Ramon Casas (Espanha, 1866-1932)

óleo sobre tela, 41 x 32 cm

Museu Nacional de Catalunha

 

 

“… A pena treme entre meus dedos a cada vez que o aríete investe contra a porta. Um sólido portão de metal e madeira que não tardará a despedaçar-se. Pesados e suados homens de ferro se amontoam na entrada. Vêm à nossa procura. As Boas Mulheres rezam. Eu escrevo. É a minha maior vitória, minha conquista, o dom do qual me sinto mais orgulhosa; e as palavras, embora estejam sendo devoradas pelo grande silêncio, hoje constituem minha única arma.”

 

 

Em: História do rei transparente, Rosa Montero, Rio de Janeiro, Ediouro:2005, página 9





Grandes começos…

25 06 2017

 

 

 

Carlos ygoa ( espanha, 1963)-Lendo, ost, 60x73Lendo

Carlos Ygoa (Espanha, 1963)

Óleo sobre tela, 60 x 73 cm

 

 

“Sou mulher e escrevo. Sou plebeia e sei ler. Nasci serva e sou livre.”

 

 

Em: História do rei transparente, Rosa Montero, Rio de Janeiro, Ediouro:2005 — primeiras frases …





Sublinhando…

27 03 2017

 

 

Guillot, Mildrey, (EUA), A leitura, 40 x 50 cm, ostA leitura

Mildrey Gillot (Cuba/EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 40x 50 cm

www.mildreyguillot.com

 

 

“Para mim, o jornalismo escrito é mais um gênero literário, como o drama, a ficção, a poesia. E pode atingir níveis de excelência semelhantes. Basta pensar em A sangue frio, de Truman Capote, que é uma reportagem pura e dura e, ao mesmo tempo, uma obra literária formidável.”

 

Em: Rosa Montero: muitas coisas que perguntei e algumas que disse, Rosa Montero, tradução de Newton de Andrade, São Paulo, CubZac:2007, página 11.

 

 

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