Mil tsurus ou Nuvens de Pássaros Brancos de Yasunari Kawabata

10 03 2009

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Foi durante o Carnaval de 2009 que encontrei a paz necessária para me dedicar à leitura de Nuvens de pássaros brancos [Nova Fronteira: 1969], meu primeiro livro do escritor japonês Yasunari Kawabata, ganhador do prêmio Nobel de Literatura de 1968 e considerado um dos maiores escritores do século XX no Japão.  

 

Neste livro, que curiosamente também foi editado no Brasil, por outros editores, com um outro nome: Mil Tsurus, seguimos os problemas de Kikuji Mitani, que depois da morte de seu pai acaba se encontrando durante uma cerimônia de chá com duas antigas amantes do falecido: a viúva Ota  e Chikako Kurimoto.   A partir deste momento, Kikuji é um pequeno inseto preso nas teias que essas mulheres tecem à sua volta.  Chikako luta por arranjar um casamento para Kikuji.  E a senhora Ota, passa a ter um relacionamento amoroso com Kikuji, filho de seu antigo amante.   Há ainda a bela e sedutora Fumiko, filha da Sra. Ota, que aos poucos cava um lugar para si própria no coração de Kikuji.  As intrigas entre todas as mulheres são constantes e bastante malévolas.  E mesmo sem ser uma conhecedora da literatura japonesa em geral elas me lembraram as intrigas da corte, tão bem retratadas nas histórias de Genji.   

 

 

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Mesmo através de tradução, neste caso feita por Paulo Hecker Filho, podemos sentir uma linguagem extremamente poética e delicada, quase ritualística, um paralelo perfeito aos procedimentos da cerimônia do chá, que neste romance tem papel central no desenvolvimento da trama, servindo também de contraponto de beleza e serenidade a um mundo que apesar de dominado por gestos gentis, pela beleza das mulheres, é repleto de disse-me-disses, de alfinetadas, que criam distúrbios numa vida que poderia, outrossim, ser tão bucólica e meticulosa quanto a cerimônia em questão.  

 

Surpreendente, é ver este jovem, que capaz de desfrutar dos prazeres sensuais mais diversos, capaz de imaginar prazeres e de se render ao desejo sexual, se deixar dominar não só pelos rituais e costumes da boa forma, como e principalmente pelas mulheres que o cercam.  Kikuji é quase uma vítima de conjecturas femininas, de ações que por pouco não lhe destituem de todo, ou quase todo, o poder sobre sua vida.  

 

Reconheço que, provavelmente para apreciar devidamente, para saborear  as descrições sensíveis dos personagens, deveria ser útil uma maior familiaridade com a cerimônia do chá no Japão.  No entanto, mesmo sem este conhecimento, reconheço a felicidade de certas imagens que Kawabata seleciona no romance, como as marcas de batom da Sra. Ota  no mizusachi , uma imagem belíssima, poética e representativa da presença permanente desta senhora em sua vida e na vida de sua filha.

 

Estudiosos da obra de Kawabata dizem que há três assuntos que permeiam os romances do autor: o mundo feminino, a sexualidade humana e o tema da morte.  Todos os três estão presentes neste romance.  Todos delicadamente manuseados, talhados, desenhados para que se incluam no romance com naturalidade e poesia.   Com mestria. 

 

 

kawabata-1 O escritor Yasunari Kawabata

 

 

Recomendo a leitura deste livro.  É fascinante, mesmo que às vezes se tenha a noção de não se estar captando tudo, tudo que foi selecionado e representado pelo autor, por falta de familiaridade com a cultura japonesa.   Não importa.  Vale a pena.





Maria de Sanabria, de Diego Bracco

26 02 2009

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Um bom romance histórico sempre me fascinou, principalmente quando o autor, como o uruguaio Diego Bracco, é um professor de história e tem o cuidado de colocar as fontes, ou a documentação em capítulo à parte como é o caso no livro Maria de Sanabria [ Rio de Janeiro, Record: 2008]. A vantagem destes romances quando são escritos por um historiador é que temos a impressão de aprender mais do que se estivéssemos sentados numa sala de aula atentos às explicações dos cuidados necessários, por exemplo, com a organização de uma expedição à América do Sul no século XVI.

 

E é esta exatamente a história fascinante que nos leva a conhecer bem mais de perto Maria de Sanabria, a organizadora da chamada expedição das mulheres  que atravessou o Atlântico em 1550.  Seis anos são necessários para que o grupo expedicionário tendo  chegado a Santa Catarina, depois de uma estadia muito difícil na costa do Brasil, que durou dois anos, procure, mais ao norte, a proteção dos portugueses na província de  São Paulo e finalmente chegue a Assunção, no Paraguai, um vilarejo ainda diminuto em 1556.  Lá, Maria de Sanabria se estabelece para ficar.  Seu filho do primeiro casamento tornou-se um monge franciscano e mais tarde um “dos grandes protagonistas da vida religiosa e intelectual no Rio da Prata.”  Enquanto que seu filho do segundo casamento, Hernandarias foi três vezes governador e grande protagonista civil e militar no Rio da Prata, uma figura de grande importância na história do Paraguai, da Argentina e do Uruguai.

 

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A vantagem deste romance é que podemos adentrar a vida diária, o desenrolar das tarefas comuns da época e entender as razões e as necessidades destas pessoas, melhor ainda do que se estivéssemos lendo uma tese de mestrado, descrevendo detalhes do dia a dia das limitações e dos compromissos que estavam implícitos numa família burguesa e também o que era ou não prescrito para uma mulher em Sevilha, neste período.  

 

É de grande virtude o fato deste historiador ser um ótimo contador de histórias.  Na verdade, Diego Bracco já foi honrado com o Prêmio de Narrativa da Universidade de Sevilha e com o Prêmio Revelação da Feira do Livro do Uruguai com o seu romance anterior:  El mejor de los mundos.  Digo isto, porque apesar de detalhes interessantíssimos, a narrativa corre suavemente, cheia de aventura e imprevistos, cheia de ação e simpatia para com Maria de Sanabria, de tal forma que as 270 páginas deste livro são lidas rapidamente, como num bom livro de aventuras.  

 

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Escritor e historiador Diego Bracco.

Há no entanto grande cuidado com a verdade histórica.  A descrição por exemplo dos preparativos da saída de Sevilha podem nos dar um gostinho desta preciosa maneira de contar a história:

 

Na última terça-feira de janeiro de 1550, a catedral de Sevilha recebeu com pompa e circunstância os que se preparavam para participar da expedição.  Depois da primeira missa da manhã, todos foram em procissão até o cais, levando uma imagem abençoada de Nossa Senhora das Mercês.  Os poucos que deviam conduzir a nau rio abaixo e os muitos que se juntariam a eles em Sanlúcar de Barrameda despediram-se como quem deixa uma festa e promete se encontrar na seguinte.  Pouco tempo, poucas e precisas manobras e uma única vela foram suficientes para que a embarcação desse início à viagem.  Uma multidão de curiosos fez seu rumor pairar sobre o navio que começava a se afastar em direção à desembocadura do rio.  Atrás da esteira d’ água, como se quisessem alcançar os que se distanciavam, ouviam-se risadas prognosticando infernos e também bênçãos lançadas como beijos no ar; prantos de mães pressentindo o pior e aclamações aos heróis que voltariam distribuindo ouro. [p. 150].

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Mas além de este ser um ótimo romance, além de ser rico em detalhes de época, um outro aspecto que o faz sensacional é justamente o resgate da história desta corajosa mulher, que se rodeou de outras mulheres para ganhar um espaço na história, para fazer, sua, a aventura do século.  Gosto de ver que as gerações de hoje e de amanhã, diferentemente da minha, têm e terão exemplos de mulheres corajosas e aventureiras que existiram de verdade.  Mulheres cujos retratos podem servir de exemplo de vida para todas as meninas e jovens que ainda hoje  vêem seus sonhos de aventura desconsiderados, minados, cerceados por costumes, pela família, por limitações que não lhes pertencem.   Leiam o livro, vale a pena!





Tuareg, romance/aventura de Alberto Vazquez-Figueroa

23 02 2009

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Tuareg, 2007

Mo Skett (Austrália)

Aquarela sobre papel

 

 

 

Minha fascinação com o deserto, com o norte da África, com os bérberes, data de muito tempo.  Foi parcialmente domada pelo ano que morei em Oran, na Argélia.  Foi naquela época que deixei de lado idéias românticas da vida no local, em grande parte feitas robustas pelos escritores e pintores europeus do século XIX, que conseguiram gravar na minha imaginação cenas de maravilhosos banhos públicos, circundados por paredes cobertas de azulejos com desenhos abstratos e colorido especial; ricos ambientes com dezenas de tapetes grossos de lã, cuja arte de fiação local, transformava em sedosos, brilhantes e macias cobertas protetoras para os pés;  adereços de ouro, pulseiras escravas; roupas de odalisca e tudo mais com que a imaginação romântica de uma adolescente poderia se deslumbrar.  Essas idéias foram rapidamente aparadas, reduzidas quando da minha estadia na moderna cidade de Oran nos anos 80.

 

Mas meu interesse por este pedaço do mundo nunca chegou a se apagar.  E, se quando saí da Argélia havia chegado a um ponto saturação com uma cultura radicalmente oposta à minha – a saturação veio na terceira semana do Ramadã, em que os dias são trocados pelas noites –, saí daquele país ciente de que ainda teria que voltar ao norte da África.  Não quis naquela época emendar a minha viagem com a Tunísia ou os Marrocos porque sabia que era preciso fazer jus aos povos que aí habitavam sem trazer comigo preconceitos desenvolvidos ao longo da minha estadia em Oran.  

 

 

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Tipaza, Argélia: teatro romano

 

 

Houve naquele ano na Argélia duas visitas que me marcaram para sempre e que estarão vívidas na minha imaginação até os meus derradeiros dias: a visita às ruínas romanas de Tipaza e a visita ao deserto de Saara, mais particularmente, ao oásis que abriga cinco cidades, inclusive a cidade de Ghardaia, também chamado de Pentápolis.   Esta passagem pelo deserto foi de uma beleza sem igual, um momento em que tudo se cala diante do espetáculo da natureza.  Sempre imaginei voltar.  

 

Com esta dívida à mim mesma foi com grande satisfação que comecei 2009 com a leitura de um livro surpreendente,  Tuareg, do escritor espanhol Alberto Vazquez-Figueroa (LP&M: 1988, reimpressão, 2008).  Este foi o primeiro livro de Vazquez-Figueroa que li.  Não o conhecia.  Fiquei certamente encantada com sua habilidade narrativa, extremamente evocativa.  Sua descrição do deserto, das paisagens inóspitas que fazem parte do dia a dia dos Tuaregs, é absorvente e sedutora.

 

 

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É importante também reconhecer que Vazquez-Figueroa consegue num enredo simples e linear trazer a tona os problemas da colonização de povos anciães, tais como os Tuaregs: Gacel Sayad – personagem principal do romance — é imensamente desonrado quando assassinam uma pessoa que estava protegida, sob seu teto, no deserto.  Não há maior desonra.   Faz-se necessário que ele puna aqueles que cometeram este ato. E assim começa uma aventura no deserto, uma sequência de perseguições, de dissimulações, truques, golpes, tudo parte de uma perseguição da qual ninguém sai vencedor.  

 

Tomando por base o conhecimento dos princípios que regem as ações de Gacel Sayad, é impossível não simpatizar com ele e reconhecer que para aqueles que vivem no deserto nas circunstâncias em que eles vivem o conceito de país, de fronteira, de nacionalidade não só não existe como não faz sentido.   E mesmo que não se aprove os diversos assassinatos que ele conduz, nossa simpatia e lealdade estão com ele até o final, porque sabemos que são ações baseadas num extraordinário senso de justiça, mesmo que esta justiça seja completamente diferente da aceita pelo leitor.  

 

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Tudo isso é particularmente assessorado por uma belíssima prosa, em que as cenas mais corriqueiras conseguem se transformar em imagens poéticas e sonhadoras:

 

A noite se fechara sobre a planície pedregosa, a primeira hiena riu longe e tímidas estrelas piscaram em um céu que, logo, estaria todo tomado por elas, no belíssimo espetáculo que nunca cansava de admirar.  Eram essas estrelas, das noites de paz, talvez, que o ajudavam a persistir, após um longo dia de calor, tédio e desesperança.  “Os tuareg espetam as estrelas com suas lanças para, com elas, iluminar os caminhos…Um belo ditado do deserto, nada mais que uma frase, mas quem a inventou conhecia bem aquelas noites e aquelas estrelas, e sabia também o que significava contemplá-las horas a fio, de tão perto.

 

Descrições detalhadas do deserto, da experiência do deserto, são,  não só essenciais para o comportamento de Gacel Sayad, mas provavelmente parecem verdadeiramente precisas porque o Vazquez-Figueroa, tendo nascido no Tenerife, passou sua infância no Saara, antes de estabelecer residência em Madri.  

 

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O escritor: Alberto Vazquez-Figueroa

Poucos de seus livros estão traduzidos para o português.  Além de Tuareg encontrei O iguana, não obstante, vou fazer um esforço para ler seus outros livros.  O sucesso de Tuareg, que vendeu mais de dois milhões de exemplares na Espanha e na América Espanhola não vem sem motivo.  É um ótimo livro, em que o entretenimento, a aventura, não tiram de foco considerações mais sérias sobre a colonização e o estupro cultural de povos cujas bases culturais são tão antigas quanto a humanidade.  

 





Romances celulares, você leria?

22 02 2009

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Há dois meses, no final de 2008 li uma reportagem de Dana Goodyear na revista The New Yorker que me deixou ao mesmo tempo feliz e preocupada.  O artigo chamado Carta do Japão: eu romances, considera que em 2007 quatro dos cinco romances mais vendidos no Japão haviam sido escritos em telefones celulares.  

 

Dana Goodyear centralizou seu artigo na experiência de Mone uma jovem de 21 anos que em março de 2006, achando-se casada, sem muito o que fazer, começou a escrever um romance, em grande parte baseado nos seus próprios diários de adolescente.  Na casa de sua mãe, à espera do marido completar um curso em Tóquio,  Mone se acomodou em sua antiga cama e começou a escrever seu romance no telefone celular.  Neste mesmo dia ela começou a postar o que escrevia num portal japonês chamado Maho i-Land ( A Ilha Mágica), sem nunca dar uma segunda olhadela no que havia escrito nem pensando num roteiro.  No terceiro dia de postagem Mone começou a ter contato com leitores de sua prosa que já se encontravam intrigados com as aventuras de Saki, personagem que narra o romance em questão.  O Sonho Eterno, nome que dera aos seus escritos, havia conquistado leitores que lhe pediam mais capítulos.

 

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Em meados de abril Mone havia terminado seu primeiro romance, dezenove dias depois de ter iniciado o trabalho.  Nesta altura, seu marido também acabara o curso e ela voltou a Tóquio.   Eis que de repente ela se vê procurado por uma casa editorial que queria publicar seu romance como um livro comum.  Em dezembro de 2006, o livro,  O Sonho Eterno, com aproximadamente 300 páginas foi lançado e distribuído pela Tohan, transformando-se imediatamente num dos dez mais vendidos livros do Japão em 2007.  No final daquele ano, romances escritos em telefones celulares haviam tomado 4 dos 5 primeiros lugares de mais vendidos em ficção.  O romance Linha vermelha de Mei, vendeu 1.800.000 exemplares, e ficou em segundo lugar para o romance Céu de Amor, de autoria de Mike, conseguiu o primeiro lugar em vendas.  

 

Estes escritores hoje em dia chamados de escritores de celulares conseguiram depois deste sucesso serem completamente reconhecidos como parte de um movimento cultural.  Inicialmente houve um grande rebuliço nas letras japonesas.  Muitos temiam que esta literatura, em grande parte direcionada a adolescentes viesse a acabar com a tradicional arte da escrita japonesa.  Mas logo descobriram que este não é o caso. 

 

Para jovens japoneses, e especialmente para meninas, os celulares são sofisticados, baratos e há mais de dez anos facilmente conectáveis com a internet.  Na verdade, 82% dos japoneses entre 10 e 21 anos de idade usam telefone celular.  Há uma geração inteira crescendo acostumada ao uso do celular como um mundo deles portátil, por onde eles compram, usam a internet, jogam videogames, vêem televisão em portais na web explicitamente dedicados aos celulares. 

 

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Este fenômeno daqui a pouco deixará de ser só japonês.  Com os novos IPhone e com serviços de entrega de textos como Twitter, os hábitos americanos estão no momento se desenvolvendo paralelamente aos japoneses.  Há nos EUA dois portais Quillpill e Textnovel, ambos ainda em beta, que oferecem modelos para a escrita e a leitura de ficção em celulares.  

 

A indústria editorial japonesa que havia encolhido por mais de 20% nos últimos 11 anos, abraçou o fenômeno da ficção celular com gosto.  Editoras já começam a contratar escritores para este tipo de ficção, e a distribuir capítulos dessas histórias por uma pequena taxa.  É a volta dos seriados, tal qual muito livros do século XIX foram escritos, com a diferença de terem sido publicados nos jornais.  Em 2007, 98 romances originalmente produzidos em celulares foram publicados em forma de livro.   Mais uma vez a internet mostra também como o a rede de conhecimentos de uma pessoa pode servir de base para o apoio inicial e para o sucesso mais tarde de um membro da sociedade.  Como Yoshida – um executivo em tecnologia – descreve, é um esforço coletivo.  Seus fãs lhe dão apoio e o encorajam a continuar no seu processo criador,  — eles ajudam na criação.   Depois eles compram o livro para re-afirmar aquela conexão, aquela “amizade” que têm com o autor.  

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Sozinhas estas jovens adolescentes escritoras e leitoras de ficção no celular estão mudando os costumes tradicionais.  Agora, para esta geração o sinal da tribo, é gostar de ler.  

 

Com tanto sucesso em ficção,  por que eu fiquei ao mesmo tempo feliz e preocupada?  Feliz, porque acho que qualquer incentivo à leitura é positivo. A leitura expande os conhecimentos, a imaginação.  Ela fertiliza o cérebro, ela nos mantem flexíveis nos modos de pensar, de ver e de calcular.   Preocupada, bem, fiquei mais com a escala da diferença tecnológica brasileira.  Por mais que tenhamos grandes cérebros trabalhando no Brasil em tecnologia, tenho a sensação de que o abismo entre as sociedades mais desenvolvidas tecnologicamente e nós se aprofunda.  Contrariando muitas projeções de desenvolvimento e de capacitação.  Isso é preocupante.   E muito.