Canção do outono — poesia de Mário Quintana

7 04 2014

outono, Paul Bransom (1885-1979)Outono, ilustração de Paul Bransom (1885-1979).

Canção de Outono

Mário Quintana

O outono toca realejo

No pátio da minha vida.

Velha canção, sempre a mesma,

Sob a vidraça descida…

Tristeza? Encanto? Desejo?

Como é possível sabê-lo?

Um gozo incerto e dorido

De carícia a contrapelo…

Partir, ó alma, que dizes?

Colher as horas, em suma…

Mas os caminhos do Outono

Vão dar em parte nenhuma!

Em: Prosa e Verso, Mário Quintana – série paradidática Globo, Porto Alegre, Edições Globo: 1978, p. 12

 





Nossas cidades — Rio Pardo

31 03 2014

Nathaniel Guimaraes,velhacasa,1978,aquar,23x30,AdoMalagoli,POAVelha casa em Rio Pardo, 1978

Nathaniel Guimarães (Brasil, contemporâneo)

aquarela, 23 x 30cm

Museu Ado Malagoli, Porto Alegre





Nossas cidades — Porto Alegre

13 01 2014

BENITO MAZON CASTAÑEDA 1885-1955 Abrigo do Bondes de Porto Alegre, Pinacoteca Aldo locatelli,  1945ost  - 75,0 x 80,2 cm.Abrigo dos bondes em Porto Alegre, 1945

Benito Mazon Castañeda (Espanha,1885- Brasil, 1955)

óleo sobre tela, 75 x 80 cm

Pinacoteca Aldo Locatelli, Porto Alegre





Flores para um sábado perfeito!

23 11 2013

GOTUZZO, Leopoldo,Ervilhas de Cheiro,óleo s tela, 1956, 39 x 46,2 cmErvilhas de cheiro, 1956

Leopoldo Gotuzzo (Brasil, 1887-1983)

óleo sobre tela, 39 x 46 cm





Flores para um sábado perfeito!

16 11 2013

Yeddo Titze, OST 1981, 34x26cmFlores, 1981

Yeddo Titze (Brasil, 1935)

óleo sobre tela, 34 x 26 cm





Flores para um sábado perfeito!

7 09 2013

João Carlos Bento - acrílica sobre tela - 100cm x 100cmSem título

João Carlos Bento (Brasil, 1951)

acrílica sobre tela, 100 x 100 cm

www.joaocarlosbento.com.br





Flores para um sábado perfeito!

31 08 2013

Antonio Soriano - acrílica sobre tela - 34x40 cmVaso com flores

Antonio Soriano (Brasil, 1944)

acrílica sobre tela, 34 x 40 cm

Coleção Particular





O simples Natal no interior do Brasil, em 1925 — trechos selecionados

17 12 2012

Cartão Postal da virada do século XX [1890-1910], sem autoria.

O Natal  era uma festa mais simples do que se tornou, principalmente quando é celebrado num período de instabilidade política.  Retiro do Diário de Cecília de Assis Brasil: período de 1916 a 1928 [LP&M:1983] duas pequenas passagens que nos mostram o Natal em 1925, no interior do Rio Grande do Sul.

Sexta-feira, 24 de dezembro — Voltei ontem da Estância Nova. Fui substituir a Mamãe que se afastara para visitar Dona Mafalda. Passei  o dia na cozinha. Além do almoço, fiz bolos, biscoitos, arroz de leite e pudim de ovos. Fiquei contente de ter encontrado aqui, na volta, o seu Lauro, que nos trazia boas notícias da gente do velho Neto. […]

Sábado, 25 de dezembro, dia de Natal — Papai chegou cedo pelo noturno de Montevidéu. […] Papai trouxe-nos inúmeros presentes. Os meus foram régios: uma sela inglesa, de couro de porco, com barrigueira, e uma Corona 4, último modelo, novinha, lustrosa, em troca de minha velha máquina que o Sr. Firpo conseguiu vender em Buenos Aires, por 50 pesos. A nova custou 80. Antes do almoço entreguei meus modestos presentes de Natal, a cada membro da família: um tapete de trapos para a Mamãe, um crochê para a Maninha e lenços de linho para as outras. Ao Papai dei um carretel de linha de sapateiro para ele costurar os mata-moscas. O dia foi bonito e movimentado, mas passamos todo tempo pensando nos que estão ausentes, jogando a vida e a mocidade, para assegurar a liberdade da nossa terra e a nossa tranquilidade no futuro. […]”

Para elucidar:  Estes diários foram escritos durante um período de grande instabilidade no Rio Grande do Sul, que culmina na chamada Coluna Prestes. Aqui retirei só os trechos que descrevem o Natal nas estâncias, durantes este período.

Em: Diário de Cecília de Assis Brasil, período de 1916-1928, Porto Alegre, LP&M: 1983





Canto Natalino, poesia de Ubirajara Raffo Constant

15 12 2012

São Nicolau e o Auto do Natal

Luiz Roberto da Rocha Maia (Brasil, 1947)

http://www.rochamaianaif.com

Canto Natalino


Ubirajara Raffo Constant

Dos reis magos no céu brilha
A estrela clara e viajeira;
De uma igrejita campeira
Soa ao longe a voz do sino;
Flete ao tranco sem destino,
Na solidão de um corredor,
Abre o canto um pajador
Saludando ao Deus Menino.

E todas as vozes do pago
Cantam salmos na planura
Irmanados na ternura
Do cantar do pajador;
Pedindo à Nosso Senhor,
Na humildade de seus versos,
Que só exista no universo
Fraternidade e amor.

Ubirajara Raffo Constant nasceu no Rio Grande do Sul em 1938.  Poeta  de  Uruguaiana.

Obras:

Retorno Bravo, poesia, 2003

Pampa em 23, prosa, 2004

Sepé Tiaraju, uma Farsa Em Nossa História, história, 2006





O medo do novo e o conhecimento: “O pintor de retratos” de Luiz Antonio de Assis Brasil

28 04 2012

A paisagem do fotógrafo, 2008

Michael Orwick (EUA, 1975)

óleo

http://michaelorwick.blogspot.com

O novo, o encontro com o desconhecido, sempre causa ansiedade.  O mundo é mais confortável, a vida é mais segura se sabemos o que nos espera, como agir e que reação ter em diferentes circunstâncias.  Assim como hoje debatemos o futuro do livro em papel por causa das publicações digitais, no século XIX, com o aparecimento da fotografia, os pintores, antes de descobrirem como essa nova tecnologia iria auxiliá-los, temeram por seu futuro profissional.  É nessa virada de tecnologia, quando a fotografia parece interferir com a pintura,  que se enraíza o romance O Pintor de Retratos, de Luiz Antonio de Assis Brasil, [LPM:2001/2005, 5ª edição].

Luiz Antonio de Assis Brasil sempre me cativa com sua linguagem despojada, quase seca, em que consegue em uma frase, não muito longa, passar um mundo de informações e capturar sentimentos.   Com excelente domínio da narrativa, com poucos traços e não mais que duas centenas de páginas, ele conta a vida inteira de um homem, um pintor de retratos, italiano, que confrontado com a fotografia, perde a noção que tem de si próprio.  Diante da devastadora imagem, cara a cara com aquele retrato de si mesmo, fotografado pelo grande Félix Nadar, nosso herói se desintegra emocionalmente e num momento de desvario, emigra para o Brasil, onde se estabelece na mais meridional das províncias, na terra das revoluções.  O Rio Grande de Sul o acolhe desconfiado, mas é lá que finalmente acredita renascer, crescer e finalmente apresentar a imagem exterior que, fotografada, mostraria ao mundo como ele é, ou o que ele pensa de si mesmo.   Se consegue ou não, o leitor só descobre no final, mas como toda boa história é o meio, é o processo que fascina.

Arraigado à pintura por tradição familiar, treino e medo da nova tecnologia, Sandro Lanari chega à letárgica Porto Alegre determinado a ganhar a vida como pintor e obcecado pela imagem de Sarah Bernhardt que viu em Paris fotografada por Nadar.   Quando consegue fixar sua atenção numa jovem que se parece com a atriz francesa, entreabre-se o caminho do crescimento, mas terá ainda muito chão a percorrer até se conciliar com a vida no Novo Mundo.  Só quando aceita trabalhar, vagando de estância em estância, retratando senhores da terra, começa sua verdadeira introdução à vida brasileira, ao novo continente e a si próprio.  Mergulha em um mundo tão diferente daquele em que foi criado que acaba por se despir dos conhecimentos profissionais, reconhecendo-os válidos exclusivamente para o solo europeu. Na água do banho vão também seus preconceitos.  A caminhada brasileira, por ironia do destino e pela própria sobrevivência, transforma-o em fotógrafo.

E vai ser como fotógrafo que conseguirá a essência do que desejava expressar em seu trabalho.  Num campo de batalha gaúcho, fotografando o lado vitorioso,  Sandro Lanari vence  uma batalha pessoal, consegue a expressão máxima de sua arte,  uma obra que o faz, finalmente, poder erguer a cabeça com orgulho: capturou o lampejo de vida nos olhos de quem fotografava.  Daí por diante, pazes feitas com a fotografia, tem sucesso garantido.  Torna-se um  respeitado membro da comunidade,  pai de quatro filhas, imigrante abastado.   Para ter certeza de seu sucesso, só lhe falta a última e única constatação de sua legítima identidade, uma nova visita a Félix Nadar.

Luiz Antonio de Assis Brasil

Com um final inesperado, O pintor de retratos nos faz refletir sobre a autoestima, a visão  que temos de nós mesmos, contrastada com a imagem que os outros têm de nós; sobre o preconceito e o medo do novo, do desconhecido; sobre a nossa própria aceitação.  Tudo isso colorido pela paisagem gaúcha de antanho, pelos costumes peculiares de época, com um sabor histórico na medida certa.  Uma leitura que nos enriquece e deleita.