Madame Mim dança com um admirador. Ilustração Walt Disney.
Não pisco os olhos ao vê-la
para não correr o risco
de, por momentos, perdê-la,
a cada instante que pisco.
(Orlando Brito)
Madame Mim dança com um admirador. Ilustração Walt Disney.
Não pisco os olhos ao vê-la
para não correr o risco
de, por momentos, perdê-la,
a cada instante que pisco.
(Orlando Brito)
Magali e seu gatinho Mingau. Ilustração de Maurício de Sousa.
A saudade, quando ocorre,
sempre causa tanta dor!
Saudade – mal de que morre
quem já morria de amor!
(Walter Waeny)
Aranha, ilustração de Christina Rossetti.
Da Costa e Silva
Num ângulo do teto, ágil e astuta, a aranha,
Sobre invisível tear tecendo a tênue teia,
Arma o artístico ardil em que as moscas apanha
E, insidiosa e sutil, os insetos enleia.
Faz do fluido que flui das entranhas a estranha
E fina trama ideal de seda que a rodeia
E, alargando o aranhol, os elos emaranha
Do alvo, disco nupcial, que a luz do sol prateia.
Em flóculos de espuma urde, borda e desenha
O arabesco fatal, onde os palpos apoia
E tenaz, a caçar os insetos se empenha.
Vive, mata e produz, nessa fana enfadonha;
E, o fascinante olhar a arder como uma joia,
Morre na própria teia, onde trabalha e sonha.
Em: Da Costa e Silva, Poesias Completas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário] p.166
Ilustração da década de 1950.
O sorriso é flor de sebe,
perfume de resedá.
Anima a quem o recebe,
embeleza a quem o dá.
(Nair Starling)
–
–
Briga de Pluto com Buldogue , ilustração de Walt Disney.–
Não se rompe um laço antigo,
sempre há perdão, na amizade.
Quem deixa de ser amigo,
nunca o foi na realidade.
–
(Edgar Barcelos Cerqueira)
Quatro meninas em Åsgårdstrand, 1903
Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)
óleo sobre tela, 87 x 111 cm
Museu Munch, Oslo
Stella Leonardos
Elas eram quatro rosas
Sendo cada qual mais bela.
A vermelha, a cor de rosa.
A de corola amarela…
Mas a quarta era Rosinha,
Branca branca, bem singela.
Levou-a Deus manhãzinha.
Que era rosa de anjo, aquela.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.63
Senhora idosa e menino à luz de vela
Mathias Stom (Holanda(?) Bélgica (?), c. 1600 — depois de 1652)
óleo sobre madeira, 58 x 71 cm
Birmingham Museums Trust, Birmingham, Inglaterra
Jorge de Lima
Põe azeite na tua lamparina
Para que a treva eterna se retarde.
A tarde há de ensombrar a tua sina
E a Morte é indefectível como a tarde.
Observa: a sua luz não tem o alarde,
Que as combustões de súbito confina.
O fogaréu indômito ilumina,
Mas, quase sempre, em dois instantes arde.
A lamparina, entanto, muito calma,
— Luz pequenina, que parece uma alma,
Que à Grande Luz celestial se eleva –,
Espera nesse cândido transporte,
Que, extinto sendo o azeite, chegue a Morte,
Que a luz pequena para a Grande leva.
Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. I, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974.p. 52
Ilustração Alice May Cook, c. 1918.
O grande tenor se cala
ante o pássaro silvestre.
– É o discípulo de gala
querendo escutar o mestre
(A. de Assis)
Céu estrelado de outono, ilustração Jennifer
Manuel Bandeira
Vi uma estrela tão alta,
Vi uma estrela tão fria!
Vi uma estrela luzindo
Na minha vida vazia.
Era uma estrela tão alta!
Era uma estrela tão fria!
Era uma estrela sozinha
Luzindo no fim do dia.
Por que da sua distância
Para minha companhia
Não baixava aquela estrela?
Por que tão alta, luzia?
E ouvi-a na sombra funda
Responder que assim fazia
Para dar uma esperança
Mais triste ao fim do meu dia.
Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, José Olympio: 1978, 10ª edição,pp: 110-111.
Jurandir Ubirajara Campos (Brasil, 1903-1972)
óleo sobre tela, 71 x 58 cm
Gonçalves Crespo
Ela velava perto
Do filho, que dormia,
E cândida sorria
Ao lírio entreaberto.
Da lua um raio incerto
No quarto se perdia;
E a mãe olhava o Dia
E a Luz do seu deserto.
No berço flutuante
Moveu-se agora o infante
E acorda pranteando…
Não há quadro mais belo
Que a mãe, solto o cabelo,
O filho acalentando!
1869
Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro, p. 122.