Telefonei-te, outro dia
e ninguém me respondeu.
Confundi-me, que ironia!
— Teu telefone era o meu.
(Alberto Lima)
Telefonei-te, outro dia
e ninguém me respondeu.
Confundi-me, que ironia!
— Teu telefone era o meu.
(Alberto Lima)
A. Isaias Ramires
Vão-se os dois, de braços dados,
felizes, os namorados,
pelos caminhos, sorrindo…
Permita Deus, entretanto,
que jamais um desencanto
desperte um sonho tão lindo!
A vida só tem encanto
para quem vive sorrindo!…
Em: Cascalhos: sonetos, poemas, trovas, A. Isaias Ramires, Rio de Janeiro: 1986, p. 38
Lembranças, quem não cultiva ?
Afinal, a nossa mente,
faz questão de manter viva,
além do fruto, a semente…
(Nélio Bessant dos Santos)
Um pelo outro, passamos,
com os olhos fitos no chão…
_ Mas, com que ardor nos olhamos
com os olhos do coração!
(Lilinha Fernandes)
Noite escura!… De repente,
dois faróis surgem na estrada…
E a escuridão sai da frente
como quem foge, assustada.
(Durval Mendonça)
Helena Lima
Era uma vez a Lua.
Ela tinha medo do escuro.
Era uma vez o Céu.
Ele também tinha medo do escuro.
A Lua pedia emprestada a luz do Sol.
Ele emprestava, às vezes.
O Céu pedia para a Lua acender.
Ela acendia quando podia.
Se o Sol estivesse de bom humor,
a Lua ganhava luminosidade em trezentos e sessenta graus.
Mas quando o mar não estava para peixes e o Sol não estava para estrelas,
não emprestava nada.
Nadinha.
E o Céu ficava escuro.
Escurinho.
A Lua sentia calafrios.
O Céu sentia solidão.
O medo da Lua era de cair e morrer no mar.
O medo do Céu era de fechar e não voltar a clarear.
Um dia, Céu e Lua decidiram:
“Pra acabar com o escuro e a solidão, a gente vai se casar”.
Desde então, os dois passam o dia inteirinho
contando os minutos para o Sol se retirar.
Em: Amores virados pra cá, Helena Lima e Isabelle Borges, Rio de Janeiro, Lago Baikal: 2019, p. 130
Que me traias, tu me negas,
mas, traindo-me, te trais:
– O perfume com que chegas,
nunca é o mesmo com que sais…
(Cesídio Ambrogi)

A saudade é simplesmente
Um claro espelho encantado;
mira-se nele o presente
e ele reflete o passado.
(Geralda Armond)
Reflexão, 1970
Reynaldo Fonseca (Brasil, 1925 – 2019)
óleo sobre tela, 46 x 38 cm
Da Costa e Silva
Saudade! Olhar de minha mãe rezando,
E o pranto lento deslizando em fio…
Saudade! Amor de minha terra… O rio
Cantigas de águas claras soluçando.
Noites de junho… O caburé com frio,
Ao luar, sobre o arvoredo,piando, piando…
E, ao vento, folhas lívidas cantando
A saudade imortal de um sol de estio.
Saudade! Asa de dor do Pensamento!
Gemidos vãos de canaviais ao vento…
As mortalhas de névoa sobre a serra…
Saudade! O Parnaíba − velho monge
As barbas brancas alongando… E, ao longe,
O mugido dos bois da minha terra…
Em: Da Costa e Silva, Poesias Completas, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário] p.69

Este livro está à venda nos seguinte locais:
Amazon do Brasil
Livraria da Travessa no Rio de Janeiro
e direto na própria editora no seguinte link:
https://www.autografia.com.br/produto/a-meia-voz-2/
Haverá edição em e-book em breve. Agradeço todos os contatos.
Livro lançado durante a pandemia do CORONA VIRUS no Rio de Janeiro. Não há como ter um volume autografado no momento. Não houve noite de autógrafos por causa das circunstâncias de saúde da cidade.
Caso precisem me contatar: ladyce@terra.com.br
GRATA!