Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…
(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)
Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…
(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)
Os teus olhos, pretos, pretos,
são como a noite cerrada…
Mesmo pretos, como são,
sem eles, não vejo nada.
(Trova anônima)
Paisagem mineira
Armínio Pascual (Brasil, 1920 – 2006)
óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm
Helena Lellis de Andrade
Há montanhas azuladas
E campinas verdejantes
Um rio murmurante
De águas sempre a rolar
Há coqueiros, altaneiros
Sapatinhos e ipês
Há prédios altos, vistosos
Há choupanas de sapé
Há uma cruz no alto do morro
Com capelas pra rezar
Lembram passos dolorosos
De Jesus a se imolar
Há no lindo azul do céu
Brancas nuvens a passar
Estrelas brilham, cintilam
Nas noites claras de luar
Há estradas, automóveis
Trens, bondes e oficinas
Há sirenes e buzinas
Há coisas intermináveis
Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias
Chorando para os finados
Não é brilhante nem ouro
Mas vale mais que tesouro
É a imagem milagrosa
Da nossa padroeira
A Senhora Aparecida
Do Brasil tão querida
Das Graças a medianeira
Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias
(29 de julho 1952)
Sávio Soares de Sousa
Foi minha morte que nasceu comigo.
Trago-a em mim, circulando nas artérias,
latente em cada célula, no fundo
tranquilo de minha alma resignada.
Em verdade, nasceu com a minha sombra,
ou é, talvez, a própria sombra incôngrua,
com que diuturnamente me confundo,
ao meio-dia, sobre o chão da estrada.
Sou igual aos demais, de igual destino.
Pouco me importa o prazo destas férias,
nem me inquieta a imutável companhia,
que de mim nunca mais se apartará:
no instante em que, sem luz, se suma a sombra,
comigo a minha morte morrerá.
Para mantê-los me empenho,
porque penso sempre assim:
tendo os amigos que tenho,
eu nem preciso de mim!
(Izo Goldman)
Tenho ciúme até das rosas
abertas no teu jardim,
pois sei que ao vê-las, formosas,
te esqueces logo de mim.
(Heitor Stockler)
Morro de inveja do mar,
felizardo, vagabundo,
que não se cansa em beijar
as praias de todo o mundo!
(Cesídio Ambroggi)
Todo “barbeiro” sustenta
que a batida foi assim:
– Veio um poste a mais de oitenta,
na contra-mão, contra mim!…
(Izo Goldman)
Sou jardineiro imperfeito,
pois, no jardim da amizade,
quando planto um amor-perfeito,
nasce sempre uma saudade…
(Adelmar Tavares)
Professores são abelhas
distribuindo, em seu afã,
os polens que são centelhas
das flores de um amanhã!
(João Paulo Ouverney)