Trova da margarida

9 01 2026

 

Margarida vai passando
no seu traje original.
Pensa que está abafando,
parece um pavão real…

 

(Anônima, folclore nacional, cantiga de roda)





Trova dos olhos negros

2 01 2026
Ilustração de Jon Whitcomb (EUA, 1906-1988)

 

 

Os teus olhos, pretos, pretos,

são como a noite cerrada…

Mesmo pretos, como são,

sem eles, não vejo nada.

 

(Trova anônima)





A minha terra natal, poesia de Helena Lellis de Andrade

10 12 2025

Paisagem mineira

Armínio Pascual (Brasil, 1920 – 2006)

óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm

A minha terra natal

 

Helena Lellis de Andrade

 

Há montanhas azuladas
E campinas verdejantes
Um rio murmurante
De águas sempre a rolar

Há coqueiros, altaneiros
Sapatinhos e ipês
Há prédios altos, vistosos
Há choupanas de sapé

Há uma cruz no alto do morro
Com capelas pra rezar
Lembram passos dolorosos
De Jesus a se imolar

Há no lindo azul do céu
Brancas nuvens a passar
Estrelas brilham, cintilam
Nas noites claras de luar

Há estradas, automóveis
Trens, bondes e oficinas
Há sirenes e buzinas
Há coisas intermináveis

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias
Chorando para os finados

Não é brilhante nem ouro
Mas vale mais que tesouro
É a imagem milagrosa
Da nossa padroeira
A Senhora Aparecida
Do Brasil tão querida
Das Graças a medianeira

Há carrilhões, afinados
Tocando ao meio dia
Rezando as Ave Marias

 

(29 de julho 1952)





O homem e sua morte, poesia de Sávio Soares de Sousa

1 12 2025
Ilustração de Yan Nascimbene.

 

 

O homem e sua morte

 

Sávio Soares de Sousa

 

Foi minha morte que nasceu comigo.

Trago-a em mim, circulando nas artérias,

latente em cada célula, no fundo

tranquilo de minha alma resignada.

 

Em verdade, nasceu com a minha sombra,

ou é, talvez, a própria sombra incôngrua,

com que diuturnamente me confundo,

ao meio-dia, sobre o chão da estrada.

 

Sou igual aos demais, de igual destino.

Pouco me importa o prazo destas férias,

nem me inquieta a imutável companhia,

 

que de mim nunca mais se apartará:

no instante em que, sem luz, se suma a sombra,

comigo a minha morte morrerá.





Trova dos amigos

26 11 2025
Pato Donald faz amigos, ilustração Walt Disney.

 

Para mantê-los me empenho,     

porque penso sempre assim:

tendo os amigos que tenho,

eu nem preciso de mim!

 

(Izo Goldman)





Trova do ciúme

4 11 2025
Ilustraçao: Anúncio da marca Cashmere Bouquet, 1950.

 

 

Tenho ciúme até das rosas

abertas no teu jardim,

pois sei que ao vê-las, formosas,

te esqueces logo de mim.

 

(Heitor Stockler) 





Trova do mar

2 11 2025
Xilogravura poli-cromada japonesa. Ignoro a autoria. 

 

 

Morro de inveja do mar,

felizardo, vagabundo,

que não se cansa em beijar

as praias de todo o mundo!

 

(Cesídio Ambroggi)





Trova do acidente

25 10 2025
“Minha nossa é o carro deles!… Pare, por favor… eu desço”, Tintin o detetive belga, por Hergé.

 

 

Todo “barbeiro” sustenta

que a batida foi assim:

– Veio um poste a mais de oitenta,

na contra-mão, contra mim!…

(Izo Goldman)





Trova do jardineiro

19 10 2025
O jardim, ilustração de Pierre Brissaud,1926, para a revista House & Garden, mês de outubro.

 

 

 

Sou jardineiro imperfeito,

pois, no jardim da amizade,

quando planto um amor-perfeito,

nasce sempre uma saudade…

 

 

(Adelmar Tavares) 





Trova dos professores

15 10 2025
Desconheço a autoria.

 

 

Professores são abelhas

distribuindo, em seu afã,

os polens que são centelhas

das flores de um amanhã!

 

(João Paulo Ouverney)