As quatro operações : SUBTRAÇÃO, poesia infantil de Bastos Tigre

9 10 2010

Subtração

            Bastos Tigre

Eu sou a Subtração.

É diminuir o meu fim.

 Saibam que essa operação

Não tem segredos para mim.

Dez menos sete são três;

Seis menos dois, quatro são.

E, de quatro tirar seis.

Pode ser?  Não pode, não!

Mas infeliz de quem ousa

Cometer o crime feio

De subtrair uma cousa

Que pertence ao bolso alheio.

Em: Antologia Poética, vol. I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982





As quatro operações : ADIÇÃO, poesia infantil de Bastos Tigre

9 10 2010

 

Adição

            Bastos Tigre

— 

Eu sou a Adição.  Reúno

As parcelas e, afinal,

Como sou um bom aluno,

Depressa encontro o total.

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Quatro mais cinco são nove;

Mais treze são vinte e dois

E se quiserem que eu prove,

A prova farei depois.

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A mestra nunca se esquece

Desta regra nos lembrar:

Só coisas da mesma espécie

É que podemos somar.

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Somando pêra e mamão,

Uva, banana e laranja,

Em lugar de uma adição

Uma salada se arranja.

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Em: Antologia Poética, vol. I, Rio de Janeiro, Ed. Francisco Alves: 1982





Poesia infantil: Dona Joaninha de Júlio Saraiva

3 10 2010

Ilustração de Maurício de Sousa.

Dona Joaninha

— 

                                                    Júlio Saraiva

A Dona Joaninha

é muito gracinha.

Toda falante,

sai manhãzinha

sempre elegante.

Vestido vermelho,

cheio de bolinhas.

Sapato de salto,

chapéu e sombrinha.

Se não vai à feira

nem ao mercado,

ela vai se encontrar

com o namorado.

Ele é um joaninho

inteligente

e estudado.

Dizem até

que tem diploma

de advogado.

Júlio Saraiva, (São Paulo, Brasil, 1956) Jornalista, poeta, dramaturgo, cronista e letrista de música popular.   Vive em São Paulo.

Obras:

Mímica do Vento, poesia, 1990

Liturgia dos Náufragos, poesia, 2002

BLOG: http://currupiao.blogspot.com/





Upa, upa, cavalinho, poesia infantil de Edvete da Cruz Machado

2 10 2010
Ilustração de Sharon Banigan.

Upa, upa, cavalinho

Edvete da Cruz Machado

Upa, upa, cavalinho!

De onde foi que você veio?

Foi de perto ou foi de longe?

Você gostou do passeio?

Upa, upa, cavalinho!

Galopando tão ligeiro,

assim você é capaz

de dar volta ao mundo inteiro!

Upa, upa, cavalinho!

Caminhe mais devagar,

pois a ponte é muito estreita

quase não dá para passar.

Quando a noite for chegando,

upa, upa, cavalinho!

Venha ligeiro pra casa,

pra não errar o caminho.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p. 95





É hora do chá, poesia infantil de Helena Pinto Vieira

28 09 2010
Ilustração, Corinne Malvern.

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É hora do chá

Helena Pinto Vieira

— Que fazes, Ritinha,

assim tão brejeira?

— Eu sirvo um bom chá,

que fiz na chaleira,

às minhas bonecas,

pois é brincadeira.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol. I, Rio de Janeiro, Delta: 1975, p.110





Quadrinha sobre A CRIANÇA

28 09 2010
Ilustração de revista da década de 1960.

A luz mais clara, mais pura,

chama viva da esperança,

só se encontra na ternura,

dos olhos de uma criança.

(Marília Fairbanks Maciel)





Aos chorões, poema de Augusto Meyer

26 09 2010

Vitórias Régias e chorões em lago, 1916

Claude Monet ( França, 1840-1926)

óleo sobre tela, 160 x 180 cm

Lycée Claude Monet, Paris

Aos Chorões

                        Augusto Meyer

Chorões da praia de Belas

Molhando as folhas no rio.,

sois pescadores de estrelas

ao crepúsculo tardio.

O mais velhinho, já torto

ao peso de tantas mágoas

lembra um pensamento absorto

debruçado sobre as águas.

Salgueiros trêmulos, belos,

meus camaradas tão bons,

diz o poeta, violoncelos

onde o vento acorda os sons.

Sois, à beira da enseada,

um bando de poetas boêmios,

e fitais na água espelhada

vossos companheiros gêmeos…

Mas se alguma brisa agita

a copa descabelada,

ondula, salta, palpita

vossa imagem assustada…

Augusto Meyer Júnior (Porto Alegre,1902 — Rio de Janeiro,1970) Pseudônimo: Guido Leal, Jornalista, ensaísta, poeta, memorialista e folclorista brasileiro. Em 1935 assumiu a direção da Biblioteca Pública de Porto Alegre. Em 1938, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde passou a colaborar em jornais e revistas com poemas e ensaios críticos. Fez parte do Modernismo gaúcho, quando dá à poesia um toque regionalista. Membro da Academia Brasileira de Letras e da Academia Brasileira de Filologia.

Obras:

A Chave e a Máscara,  1964  

A Forma Secreta, 1965  

À Sombra da Estante, 1947  

Camões, o Bruxo e Outros Estudos, 1958  

Cancioneiro Gaúcho, 1952  

Coração Verde, 1926  

Duas Orações, 1928  

Gaúcho, História de uma Palavra, 1957  

Giraluz, 1928  

Guia do Folclore Gaúcho, 1951  

Ilusão Querida, 1923   

Le Bateau Ivre. Análise e Interpretação, 1955  

Literatura e Poesia, 1931  

Machado de Assis, 1935  

No Tempo da Flor, 1966  

Notas Camonianas, 1955  

Poemas de Bilu, 1929  

Poesias (1922-1955), 1957  

Preto e Branco, 1956  

Prosa dos Pagos, 1943  

Segredos da Infância, 1949  

Seleta em Prosa e Verso, 1973  

Sorriso Interior, 1930  

Últimos Poemas, 1955





Tombo, poesia infantil de Maria Dinorah

8 09 2010
Pato Donald leva um tombo, ilustração Walt Disney.

Tombo

                                             Maria Dinorah

 

A rua ri

de meu tombo.

Henrique

ri que se rola.

João se rola de rir.

Levanto

meio sem jeito

e rio

riso sem graça,

enquanto,

de tanto riso

se sacode toda a praça!

Em: Poesia fora da estante, Ed. Vera Aguiar e Simone Assumpção, Porto Alegre, Projeto: 2007

 

 

 

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Maria Dinorah Luz do Prado (Porto Alegre, 1925 — Porto Alegre, 2007) professora e escritora de livros infanto-juvenis.  Escreveu aproximadamente cem títulos.

Algumas obras:

Alvorecer

Boi Boá

Bom-dia, Maria

A caranguejola do Zeca e outras estórias

O Cata-vento

Chapéu de vento

O coelho Dim-dim

Coração de papel

A coragem de crescer

Coragem de sonhar

O desafio da liberdade

Dobrando o silêncio

Dom Gato

Ensinando com poesia

A Fábrica das gaiolas

Felpudo e olhogrande

Festa no Parcão

A flauta do silêncio

A flautinha do Pirulin

O galo superdotado

A gaitinha do sseu Zé

Os gêmeos

Geometria de sombra

Giroflê giroflá

Guardados de afeto: repensando a alfabetização

Histórias de fadas e prendas

Hora nua

Iara Aruana

A lagoa encantada

O livro infantil e a formação do leitor

O livro na sala de aula

O macaco preguiçoso e outras estórias

Mata-tira-tirarei

A medida do sorriso

Menino na avenida

Meu verde mar azul

O ontem do amanhã

Um pai para Vinícius

Panela no fogo, barriga vazia

Piá também conta causo

Pinto verde e outras estórias

Pitangas e vaga-lumes

O poema da flor

Poesia Sapeca

Pra falar de amor

Quando explodem as estrelas

Que falta que ela nos faz

A Semente Mágica

Seu Zé

Simplesmente Maria

Solidão e mel

Tem que dar certo

O Território da infância

Três voltas de ciranda

Uma e una

O ursinho azul

Ver de ver

Verso e reverso: poemas de Natal

Vinte pontos de uma vez

O vôo do pássaro e  outras histórias





Cantiga — poesia infantil de Maria de Sousa da Silveira

16 08 2010
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Cantiga

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                                                                Maria de Sousa da Silveira

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Ô peixe, peixinho,

Me ensina a nadar,

Quero ver belezas

Do fundo do mar.

Vem tu, passarinho,

As asas me dar

Para eu ir bem alto

A voar, voar.

Já estou enjoado

De na terra andar;

Novas aventuras

Eu quero tentar.

Não, não, ó peixinho,~

Não quero nadar;

Pesacdor malvado

Me pode matar.

Não, não passarinho,

Não quero voar;

Caçador malvado

Me pode matar.

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É melhor na terra

Eu querer ficar,

E com o que tenho

Eu me contentar.

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Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

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Maria de Sousa da Silveira (`Petrópolis, RJ 1914).  Curso o Colégio Sion no Rio de Janeiro.  Poeta principalmente de poesias infantis.

Obras:

A Coelhinha Branca

O País Encantadoda Robustez e do Bom Humor

O casaco do vovôzinho

As quatro meninas

Um sonho extraordinário

A famílias rezende, prosa

Para gente miúda recitar, poesia

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Quadrinha infantil da galinha

14 08 2010

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Logo que bota seu ovo,

A galinha, que é a tal,

Para fazer propaganda

Arma um barulho infernal.

(Walter Nieble de Freitas)