Quer na alegria ou na dor,
entre sorrisos e ais,
para mim não existe cor:
brancos… pretos… são iguais.
(Alice de Oliveira)
Quer na alegria ou na dor,
entre sorrisos e ais,
para mim não existe cor:
brancos… pretos… são iguais.
(Alice de Oliveira)
Estudo de Chico Bento é interrompido, ilustração de Maurício de Sousa.
Monica lê no jardim, ilustração Maurício de Sousa.
Pato Donald se instrui sobre educação das crianças, ilustração de Walt Disney.
Peninha aprende sobre sorte e azar, ilustração de Walt Disney.
Cebolinha ataca os livros, tem muito a estudar, ilustração de Maurício de Sousa.
Magali aprende sobre o sorvete, ilustração de Maurício de Sousa.
Os Irmãos Metralha estudam a biblioteca que encontraram, ilustração de Walt Disney.
Do Contra estuda o manual do pacote recebido, ilustração de Maurício de Sousa.
Carequinha aprende os segredos do vodu, ilustração Marge Buell.
Pai querido, o imagino
com sua mão calejada,
lá no Infinito, um menino,
reflorindo a minha estrada! …
(Adelir Machado)
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Ilustração de Walt Disney.–
Rico e pobre, companheiro,
sempre fui, conforme explico:
sempre pobre de dinheiro,
de esperança — sempre rico.
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(José Nogueira da Costa)
Cebolinha e Cascão esperam sua hora no consultório médico lendo gibis, ilustração Maurício de Sousa.
Se o livro a ler nos convida,
devemos reconhecer:
— no livro aberto da vida
é que se aprende a viver.
(Álvaro Faria)
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Hoje é dia de apreciar um dos precursores das histórias em quadrinhos: F. von B. As pranchas foram retiradas do site Konkykru e como tinham Imagem de leitura — uma das seções deste blogue — achei muito apropriado trazê-las para cá neste domingo. Pouco se sabe desse humorista do desenho, seu trabalho aparece depois de 1860, na Alemanha e na Áustria. O título dessa série de seis quadros é:
‘Der schlaue Pepi – oder – Die geraubte Gans’
Pepi o astuto ou O ganso roubado [mas aqui há um trocadilho já que a palavra Gans também significa bobo, tolo, o que faria a tradução ser O bobo roubado].
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“Reco-reco, Bolão e Azeitona”.
Revista O Tico-tico, nº 2003, ano XLVIII — Outubro de 1952. Quadrinhos de Luiz Sá.
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Outros tempos, outro humor.
Há um tempinho compro algumas revistinhas antigas brasileiras. Esta é a mais antiga de Os Tico-ticos que tenho. Elas ainda existem no mercado, cada vez mais raras, mas é uma questão de preço. As mais antigas ainda, em geral estão acima da bolsa da peregrina para luxos esdrúxulos!
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Cascão coleciona revistas em quadrinhos, ilustração Maurício de Sousa.–
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Reproduzo aqui, a sexta parte de uma coletânea de seis textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951 para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.
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(parte VI) – Gilberto Freyre
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Deste mesmo recanto modesto de página 10 de O Cruzeiro já tive ocasião de referir-me à chamada “história em quadrinhos” como forma moderna de literatura ou arte: uma literatura ou arte cujo mal – o de conteúdo ou substância – não deve ser confundido levianamente com a forma.
A forma tanto pode se prestar a fins educativos como deseducativos. Correspondendo a um gosto moderno de síntese, tanto da parte de um público infantil como do adulto, deve ser aproveitada pelos educadores e moralistas e não apenas abandonada aos exploradores da vulgaridade ou da sensação.
Em vez de assim procederem, que fazem alguns educadores e moralistas? Investem contra a história de quadrinhos como os caturras de outrora investiram contra os principais cinemas, os primeiros rádios. Até que ficou evidente que jornal, cinema, rádio, tanto se podiam prestar a fins educativos como deseducativos. Que os próprios padres ou sacerdotes podiam utilizar-se do jornal, do cinema, do rádio para a propaganda da fé e da moral cristã. Que jornal ou imprensa não queria necessariamente dizer perigo para a ordem estabelecida ou a ortodoxia dominante, mas, ao contrário, podia ser posta a seu serviço. Que cinema não queria necessariamente dizer a moça quase nua fazendo pecar os adolescentes, homem beijando escandalosamente mulher, ladrão arrombando cofre, mas, ao contrário, podia ser posto ao serviço da ciência, da história clássica e da própria religião. Que o rádio não queria necessariamente dizer maior divulgação de samba, de anedota picante, de canção obscena, mas também de música clássica e da própria música de igreja.
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Ilustração Walt Disney.–
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A “história em quadrinhos” está na mesma situação. Também ela pode tornar-se instrumento de divulgação de vidas de heróis, de santos, de sábios, de façanhas de vaqueiros do Nordeste e de gaúchos do Rio Grande do Sul e não apenas as aventuras de gangsters e de cowboys.
Também ela pode tornar-se, para os brasileiros, fonte de conservação de tradições nacionais, em vez de superação dessas tradições por mitos de povos imperiais sem que, entretanto, o justo zelo degenere em “nossismo” intolerante. “Nossismo” doentio que não admita história com Papai Noel, mas só com Vovô Índio; nem biografia que exalte Marconi, mas que só glorifique Santos Dumont; nem canto onde apareça lobo ou olmo, mas só onde brilhe a ramagem do cajueiro ou arreganhe a dentuça da suçuarana.
Compreende-se a campanha de nacionalização da história de quadrinhos inciada vigorosamente pelo jornalista Homero Homem. Mas seria uma lástima que a mística da nacionalização nos levasse aqueles exageros. E nos fechasse, nas nossas revistas e jornais, às histórias de quadrinhos que não falassem em índio, cajueiro, vaqueiro do Nordeste, suçuarana, pitanga, Caxias, Santos Dumont.
Atualmente, o extremo que domina nas histórias de quadrinhos publicadas nos nossos jornais é o de quase exclusiva americanidade de motivos, símbolos e personagens. Devemos reagir contra essa exclusividade lamentável. Mas não ao ponto de nos fecharmos dentro de motivos, símbolos e personagens exclusivamente brasileiros. Apenas escolhendo para publicação, histórias, tanto brasileiras quanto estrangeiras, mais capazes de deleitar o público, sem corromper-lhe o gosto. Pois não nos esqueçamos de que vivemos num mundo que é, cada dia mais, um mundo só, dentro do qual o Brasil deve ser o Brasil sem deixar de ser fraternalmente humano e cordialmente americano.
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Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca, São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.
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Reproduzo aqui, a quinta parte de uma coletânea de seis textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951 para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.
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(parte V) – Gilberto Freyre
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Ainda as histórias em quadrinhos. Também na Inglaterra houve quem se levantasse contra elas considerando-as ianquismo ou americanismo da pior espécie. Engano. É apenas um modernismo que corresponde à época que atravessamos. E que tanto pode ser utilizado no bom como no mau sentido.
O Reverendo Morris – segundo a revista brasileira que acaba de divulgar suas opiniões publicadas em “The Manchester Guardian” — é o que inteligentemente acentua: “Os pais deveriam deixar de insistir numa censura negativa; ao invés disso, deveriam demonstrar um interesse positivo pelo que lêem seus filhos. Deveriam escolher histórias em quadrinhos, nas quais os temas das narrativas são elevados, além disso, onde nem todos os vilões são estrangeiros…”
Exatamente o critério que defendi há três ou quatro anos na Comissão de Educação e Cultura da Câmara e neste meu recanto de “O Cruzeiro”. Recebi, então, cartas terríveis. Uma delas insinuava que eu estaria a serviço de alguma empresa ianque de histórias em quadrinhos. Serviço encapuçado, mas serviço.
Outra coincidência de opinião do Rev. Morris com as idéias que esbocei em 1949: “A violência e a aventura existem na Bíblia. Em Shakespeare, em Sir Walter Scott e em Stevenson, em não menor grau do que nas histórias em quadrinhos americanas e nas historias Vitorianas de demônios e vampiros”. O que é fácil, facílimo verificar.
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Também a revista brasileira, que divulga as palavras sensatamente britânicas do Rev. Morris, reproduz sobre o assunto a opinião de uma Professora de Psiquiatria de Universidade norte-americana: a Dra. Bender. “Do ponto de vista psicológico” – diz ela – “as histórias em quadrinhos constituem uma grande experiência de atividade. Seus heróis vencem o espaço e o tempo, o que dá às crianças senso de libertação, ao contrário de angústia e de medo”. E ainda: “o uso de símbolos utilizados nas histórias em quadrinhos ajuda até mesmo os adultos a ajustar sua personalidade às duras provas do mundo contemporâneo”.
O que é preciso é que não se abandone um modernismo das possibilidades da história em quadrinhos aos maus exploradores desse e de outros modernismos. E no Brasil, felizmente, começa a haver uma boa, não sei se diga, literatura, desse gênero.
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Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca, São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.
Lothar e Mandrake.–
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Reproduzo aqui, a quarta parte [de seis] uma coletânea de seis textos de Gilberto Freyre, escritos entre 1948 e 1951 para a revista O Cruzeiro, em que o sociólogo esclarece alguns pontos sobre a censura.
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(parte IV) – Gilberto Freyre
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Quando membro da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados – e nas comissões do Parlamento Nacional há quem trabalhe, embora em torno desse trabalho não se faça o menor ruído, mas, ao contrário, se mantenha um frio silêncio britânico, que da parte dos jornais chega a ser sistemático – fui dos que se colocaram contra o projeto de lei, traçado aliás com a melhor das intenções e o melhor dos brasileirismos, com que ilustres representantes da Nação pretenderam dar solução imediata ao problema das más histórias em quadrinhos. Solução violenta: acabando com o mal pela raiz. Tornando-o assunto policial.
Meu ponto de vista foi então o de que, nesse particular, o mal, poderia ser superado extra-policialmente pelo bem. A história em quadrinhos em si não era nem boa nem má: dependia do uso que se fizesse dela. E ela bem que poderia ser empregada em sentido favorável e não contrário à formação moderna do adolescente, do menino, ou simplesmente do brasileiro ávido de leitura rápida em torno de heróis e aventuras ajustadas à sua idade mental.
Agora, uma revista do Rio, especializada em publicações para rapazes, moças e crianças que, em vez de desdenhar, dá a melhor das suas atenções às histórias em quadrinhos, divulga o seguinte: que jornais britânicos do porte de “The Times” e “The Manchester Guardian” acabam de publicar palavras de ingleses eminentes que, tendo resolvido estudar o assunto, chegaram à mesma conclusão a que chegamos alguns de nós, brasileiros, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara, quando enfrentamos o mesmo problema em 1949. Primeiro, que as histórias em quadrinhos “constituem elementos de ajuda na alfabetização”. Segundo, “contribuem para o ajuste da personalidade às lutas da agitada época por que passa o mundo”.
Um desses ingleses é o Reverendo Morris. Para ele – já era o nosso critério, no Brasil, em 1949 – as histórias em quadrinhos “preenchem a necessidade que tem a mente infantil de histórias de ação e de aventuras, concentradas em torno da figura de um herói”. Além do que constituem o que alguns chamam de “ponte para a leitura”.
Mas não ficam ai os argumentos do educador inglês, divulgados pela revista brasileira. Vão além. E como coincidem em vários pontos com as evidências por alguns de nós reunidas em 1949 a favor das então combatidíssimas histórias em quadrinhos, voltarei ao assunto para fixar tais coincidências.
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Em: Pessoas, coisas e animais, de Gilberto Freyre, — ensaios e artigos reunidos e apresentados por Edson Nery da Fonseca, São Paulo, edição especial MPM Casablanca-Propaganda: 1979.