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Cartão postal francês, ilustração de Margret Boriss.
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Manhã de chuva
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Murilo Araújo
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Chove; chove e choveu a noite inteira.
A vidraça está cheia de pinguinhos;
a água chora cantando na goteira…
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Que dó dos passarinhos!
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Quanto vento! Que frio! Chove tanto…
As roseiras estão que é só espinhos.
As florinhas deviam ter um manto:
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Que pena dos raminhos!
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E agora, quando a chuvarada arrasa,
passam meninos pobres nos caminhos.
E agasalha tão bem a nossa casa…
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Façam entrar depressa os pobrezinhos!
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Em: Poemas completos de Murilo Araújo, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960














