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Cascão dá flores para Mônica, ilustração de Maurício de Sousa.
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Sei que não foge à verdade,
você também pode crer;
em amor, felicidade
é dar mais que receber.
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(Nice Nascimento)
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Sei que não foge à verdade,
você também pode crer;
em amor, felicidade
é dar mais que receber.
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(Nice Nascimento)
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Da Costa e Silva
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Como uma borboleta escura e desconforme,
Suspenso pelos pés com o instintivo emprego
Das garras que o sustém, o mórbido morcego,
Tonto de sono e luz, durante o dia dorme.
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Dorme durante o dia; e à noite, ei-lo, conforme
É costume, senhor do pávido sossego,
Abrindo o membranoso e elástico refego
Das asas que-lhe dão um todo demiforme.
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Rasgando, em largo voo, a treva ampla e uniforme,
O noturno avejão guincha em desassossego,
A pupila incendida a arder na noite enorme.
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E é de ver-se, depois, em lânguido aconchego,
As asas a abanar sobre o animal que dorme,
O sanguinário egoísmo em forma de morcego.
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Em: Poesias Completas, Da Costa e Silva, Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1985 [edição do centenário]
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Antônio Francisco da Costa e Silva ( Brasil, [PI] 1885 — [RJ] 1950) poeta, jornalista. Advogado, cursou a Faculdade do Direito do Recife. Trabalho no Ministério da Fazenda.
Obras:
Sangue (1908),
Elegia dos Olhos, s/d
Poema da Natureza, s/d
Clepsidra, s/d
Zodíaco (1917),
Verhaeren (1917),
Pandora (1919),
Verônica (1927),
Alhambra (1925-1933), obra póstuma inacabada,
Antologia (coleção de poemas publicada em vida – 1934),
Poesias Completas (1950) (1975) (1985), coletânea póstuma.
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Décio Valente
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Sempre andando,
sem parar um segundo,
vão eles,
em monótono tique-taque,
levando o Tempo
nos finos braços,
que se enlaçam
em contínuos abraços
e marcam,
minuto a minuto,
a pontualidade
das horas tristes e alegres,
que passam…
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Em: Cantiga Simples: poesias, Décio Valente, São Paulo:1971
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Stella Leonardos
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Namoradas do sol, andorinhas inquietas,
Poesia dos beirais de asas leves e errantes!
Vocês vêm vocês vão como versos trissantes
De sílabas azuis, de rimas incompletas.
Andorinhas azuis de revoadas constantes!
Você me lembram sempre a saudade dos poetas
Incansáveis da altura e dos céus mais distantes.
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Em: Pedra no Lago, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p. 27
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Stella Leonardos da Silva Lima Cabassa (Rio de Janeiro RJ, 1923). Poeta, tradutora, romancista, com mais de 70 obras publicadas, em poesia, prosa, ensaios, teatro, romances e literatura infantil. Considerada membro expoente da 3ª geração de poetas modernistas. Um dos maiores nomes da poesia contemporânea no Brasil.
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Ilustração Arthur Sarnoff.–
Criança, nunca te esqueças
Que as árvores são sagradas;
Nós devemos defendê-las
Das criaturas malvadas.
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(Walter Nieble de Freitas)
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Ilustração Elizabeth Webbe, 1963.–
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Henriqueta Lisboa
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O esperto esquilo
ganha um coco.
Tem olhos intranquilos
de louco.
Os dentes finos
mostra. E em pouco
os dentes finca
na polpa.
Assim, com perfeito estilo,
sob estridentes
dentes,
o coco, em segundos, fica
oco.
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Em: Nova Lírica: poemas selecionados, Henriqueta Lisboa, Belo Horizonte, Imprensa Oficial: 1971
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Ilustração de Sylvie Daigneault.–
Primavera colorida,
estação de belas flores!
A primavera da vida
lembra a estação dos amores.
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(Lêda Terezinha de Oliveira)
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Contemplando a natureza,
eu exclamo embevecido:
“Para ver tanta beleza,
como foi bom ter nascido!”
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(Djalda Winter Santos)
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Dia de chuva em São Paulo, 2009
Carmelo Gentil Filho (Brasil, 1955)
óleo sobre tela, 80 x 110 cm
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Luís Pimentel
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Uma cidade não é medida
por becos e logradouros,
nem lembra contas e cálculos
que a gente parte e reparte.
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A cidade é o que fica:
solidão, engenho e arte.
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Uma cidade é um rosário,
voltando sempre ao começo.
Não é o filho querido,
que quando cresce evapora.
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A cidade é o que se conta
no calcanhar da memória.
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Em: O calcanhar da memória, Luís Pimentel, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2004
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Eco e Narciso, 1903
John William Waterhouse (Inglaterra, 1849-1917)
óleo sobre tela, 109 x 189 cm
Walker Art Gallery, Liverpool
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Bastos Tigre
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Sobre um tema de Oscar Wilde
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Morreu Narciso. A triste nova
Correu, veloz, vale e colina,
Em luto, as flores todas da campina,
De pesar como prova,
Choraram longamente a morte de Narciso.
De repente, cessou o alegre riso
Que enchia o campo todas as manhãs.
Narciso era a beleza
Que iluminava a Natureza
E espalhava no espaço harmonias pagãs.
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Por isso as flores todas da campina
Choraram tanto, tanto,
Que já não tinha gotas a neblina
Com que pudesse alimentar o pranto
Das desoladas flores.
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Resolveram pedir a linfa cristalina
Do regato, um bocado de sua água;
E falaram-lhe assim: — Narciso é morto!
À nossa dor à nossa funda mágoa
O pranto falta que nos dê conforto.
Dá-nos uma pouco de tua água pura.
Mas o regato retorquiu: — Não posso…
Meu sofrimento inda é maior que o vosso!
A água que tenho não me basta
Para afogar a minha própria dor…
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Sabeis? Narciso a sua face linda
Mirava, todo o dia, em minha face…
— E amavas tanto vê-lo? interroga uma flor
— Não é que o não amasse
(Volve o regato) mas o meu desgosto
Aqui vo-lo revelo,
Não é a falta de lhe ver o rosto
Mas porque, quando em mim se contemplava,
Nos olhos de Narciso eu me mirava
E me achava tão belo! E me achava tão belo!
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Em: Antologia Poética, Bastos Tigre, vol. I, Rio de Janeiro, Editora Francisco Alves: 1982