Ilustração Elifas Andreato.
“Terra à vista!” – Um grito intenso
soou nos céus, como um cântico,
e o Brasil surgiu, imenso,
num parto às margens do Atlântico!
(José Ouverney)
Ilustração Elifas Andreato.
“Terra à vista!” – Um grito intenso
soou nos céus, como um cântico,
e o Brasil surgiu, imenso,
num parto às margens do Atlântico!
(José Ouverney)
Rosina Becker do Valle (Brasil, 1914-2000)
óleo sobre tela, 50 x 62 cm
Sônia Carneiro Leão
Ouvi uma batucada
vindo da encruzilhada
de uma rua do Recife.
Parei para dar uma olhada
e vi uma frota armada
de alfafas e abes
num batuque alucinado
o tal do baque virado
batuque de endoidecer.
Não um baque arrumadinho
feito o pagode e o chorinho
que cantam devagarinho
coisas boas de dizer.
Não.
Era um baque puro corte
saudando a vida e a morte
indo fundo até doer.
E algo foi-me exibido
em pleno Recife antigo
que mexeu tanto comigo
como nunca aconteceu.
Minh’alma já desarmada
pelo baque seco e cru
viu descer do céu Xangô
e toda nação Nagô
pra dançar Maracatu.
Em: Remendando Trapos: poesias, Sônia Carneiro Leão, Olinda, PE, Babeco: 2010, p. 42-3.
Quinzinho e Magali ao final do dia, ilustração Maurício de Sousa.
Tem muito mais graça a vida
Quando a gente tem com quem
Repartir bem repartida
A graça que a vida tem.
(A. A. de Assis)
Ilustração por Hergé.
J. G. Araújo Jorge
Hoje
quando na minha rua de arranha-céus
passou um realejo trauteando a “viúva alegre”
as crianças correram alvoroçadas
para ver…
No meu tempo
era o avião.
Em: A outra face, J. G. de Araújo Jorge, Rio de Janeiro, Vecchi:1958, 2ª edição, p. 175.
[Tiragem póstuma por Reynal]
Oswaldo Goeldi (Brasil, 1895-1961)
Xilogravura policromada
Menotti del Picchia
Amanhã eu vou pescar.
Há um peixe fatalizado
que a Ritinha vai guisar
na panela de alumínio
que brilha mais que o luar.
Hoje ele está no seu líquido
e opaco mundo lunar,
pequena seta de prata
furando a carne do mar.
Qual será? O bagre flácido
de cabeça triangular?
O lambari que faísca
como uma mola a vibrar?
O feio e molengo polvo,
monstruoso, tentacular?
O peixe-espada, de níquel,
a viva espada do mar?
Hoje estão vivos e lépidos
os lindos peixes do mar.
Amanhã…
Nem pensem nisso!
Amanhã eu vou pescar…
Em: Entardecer, Menotti del Picchia, São Paulo, MPM propaganda: 1978, p. 55.
Ilustração de Victor Tchetchet, década de 1930.
Morre a prece na garganta
como um travo de vinagre…
Vou procurar outra santa,
que a minha não faz milagre.
(Nair Starling)
Ilustração de Michael Silver.
Saudade, quase se explica
Nesta trova que te dou:
Saudade é tudo que fica
Daquilo que não ficou.
(Luís Otávio)
Eliseu Visconti (Itália/Brasil, 1866-1944)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Gonçalves Crespo
Cercada de mestiças, no terreiro,
Cisma a Senhora Moça; vem descendo
A noite, e pouca a pouco escurecendo
O vale umbroso e o monte sobranceiro.
Brilham insetos no capim rasteiro,
Vêm das matas os negros recolhendo;
Na longa estrada ecoa esmorecendo
O monótono canto do tropeiro.
Atrás das grandes, pardas borboletas,
Crianças nuas lá se vão inquietas
Na varanda correndo ladrilhada.
Desponta a lua; o sabiá gorjeia;
Enquanto às portas do curral ondeia
A mugidora fila da boiada.
1869
Em: Obras Completas, Gonçalves Crespo, Livros de Portugal, s/d, Rio de Janeiro, p. 114.
Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969)
óleo sobre tela, 65 x 55 cm
Coleção Particular
Mariel Fernandes Toda vida é crônica.
Nestor se distrai, ilustração Disney.
Não bata assim, coração!
Cuidado!… Jamais me assuste,
pois uma nova ilusão
pode ser um novo embuste.
(Zeni de Barro Lana)