Irmão Metralha lê jornal, ©Walt Disney.
Os honestos são tão poucos
e os desonestos são tantos,
que aqueles parecem loucos
e os ladrões se julgam santos.
(Othon Costa)
Irmão Metralha lê jornal, ©Walt Disney.
Os honestos são tão poucos
e os desonestos são tantos,
que aqueles parecem loucos
e os ladrões se julgam santos.
(Othon Costa)
Moça com chapéu de palha, Ilustração de Bradshaw Crandell
Conheço muito sorriso
de mulher, meigo, simplório,
que promete o paraíso
e nos manda ao purgatório.
(Alves Júnior)
Tempestade Tropical
Tiffany Blaise (Austrália, contemporânea)
óleo e cera sobre papel, 42 x 29 cm
Ladyce West
Ar denso, turvo,
Grávido de umidade
Pesa na fronte, nos ombros,
no âmago da alma.
Afoga os pulmões, martiriza o corpo,
Apoia-se no cenho, escorre da testa,
desliza nas costas,
brita nas têmporas,
vaza na nuca.
A camisa, segunda pele, adere.
Restringe, circunscreve
Movimentos, pensamentos.
O peso do mundo escorado nos ombros.
Silêncio.
Céu de chumbo.
Um lágrima grossa cai;
Duas, um choro sofrido
Raivoso, ruidoso, calamitoso.
A chuva é cortina fechada.
Estrondosa. Cortante.
Correntes d’água aprisionando
Homens, mulheres, animais,
Andantes.
Entorta árvores
Torce fios, destrói muros,
Placas, pavimentos.
Caudalosa torrente, batelada.
Os deuses despejam fúria liquida
nas ruas, casas, praças da cidade.
Montanhas se escondem
Nuvens se iluminam
Raios rompem o céu
Soam trovões enraivecidos.
Meia hora. Silêncio.
Tudo volta à norma.
Lavado. Límpido. Nítido.
Submerso em água.
Mas o suor continua
desliza sobre o corpo.
O calor abafa e sufoca.
É verão sob o trópico de Capricórnio.
©Ladyce West, Rio de Janeiro, 2019

Alzira Chagas Carpigiani
O gambá agora
anda elegante,
passa até perfume
e desodorante.
Ele pôs um fim
na tal história
do fedor danado.
Quer saber por quê?
Eu conto o segredo:
– O gambá cheiroso
está apaixonado!
Ilustração de Rosa C. Petherick
Feliz de quem – afinal
consegue na humana trilha,
ver que o brilho do Natal
surge da luz da partilha.
(Regina Célia de Andrade)
Astros, ilustração de Blanche Wright.
“Se as coisas são inatingíveis… ora!
Não é motivo para não querê-las…
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!”
Mário Quintana.

Vou vivendo a minha vida,
como Deus quer e consente.
– Sou como a folha caída,
levada pela corrente.
(Adelmar Tavares)

Sinto a presença divina
em tudo que me rodeia:
na vibração matutina,
num sabiá que gorjeia!
(Clarindo Batista)
Ilustração David Parkins.
João Cabral de Melo Neto.

Passeia a sombra
No abismo do chão
Sem deixar rastro.
[43]
Barulho do céu
Sobre o luar da montanha.
Cochicha o silêncio.
[61]
Invade o meu leito
A brisa da Primavera
Sem me conhecer.
[22]
As flores preferem
A pura água da chuva.
Guardo o regador.
[61]
Veio da montanha
O ruído do silêncio
Acordar o nada
[52]
Em: O olhar de Buda: haicais, Sonia Carneiro Leão, 2018, páginas em [colchetes].