Seduzida, 1993
Evert Thielen (Holanda, 1954)
óleo sobre tela
“Sem a música, a vida seria um erro.”
Friedrich Nietzsche
Seduzida, 1993
Evert Thielen (Holanda, 1954)
óleo sobre tela
Friedrich Nietzsche
Friedrich Nietzsche (1844-1900)
Ilustração de Alice Havers.
“Volta!”, eu peço, em voz bem alta!
Antes que a minha ansiedade
faça com que o “sentir falta”
passe a chamar- se… “saudade”…
(Izo Goldman)
Mulher lendo (esposa do pintor), 1962
Aaron Shikler (EUA, 1922–2015)
pastel sobre papelão, 50 x 44 cm
Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
– não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
– mais nada.
Em: Antologia Poética, Cecília Meireles, Rio de Janeiro, Editora Nova Fronteira: 2001
Paisagem colonial, 1998
Armínio Pascual (Brasil, 1920 – 2006)
óleo sobre eucatex, 30 x 40 cm
Adélia Prado
Ao entardecer no mato, a casa entre
bananeiras, pés de manjericão e cravo-santo,
aparece dourada. Dentro dela, agachados,
na porta da rua, sentados no fogão, ou aí mesmo,
rápidos como se fossem ao Êxodo, comem
feijão com arroz, taioba, ora-pro-nobis,
muitas vezes abóbora.
Depois, café na canequinha e pito.
O que um homem precisa pra falar,
entre enxada e sono: Louvado seja Deus!
Ilustração de Sally Franklin.
Dirce de Assis Cavalcanti
Para cultivar pássaros
e falar com as flores
subir à montanha,
capturá-la em seus abismos
com viril delicadeza
mergulhar na amplidão
de suas formas.
Um mergulho perigoso
de onde se sai aos pedaços.
Reunir os cacos
em melancólico mosaico
recompor a paisagem
do que se foi um dia
mesmo sabendo que inteiro
não se é nunca mais.
Gabriela Mistral, 1956
Oswaldo Guayasamin (Equador/EUA, 1919 – 1999)
óleo sobre tela
Poetisa chilena ganhadora do Nobel de Literatura de 1945

Tropicana I, 1985
Anysio Dantas (Brasil, 1933 – 1990)
serigrafia tiragem 76-100, 89 x 66 cm
Walter Nieble de Freitas
Alta, esguia, majestosa,
De uma beleza sem par,
Contemplo a esbelta palmeiraaaaa
Banhada pelo luar.
A seus pés um lago azul,
Onde em calma ela se mira,
Põe na paisagem noturna
Cintilações de safira.
De longe, chega em surdina
A voz rouca das cascatas:
É a sinfonia dos rios
Soluçando serenatas.
Nessa hora em que a noite é um templo,
E o firmamento, um altar,
Sob os círios das estrelas
Em silêncio a vi rezar.
Na linguagem da saudade,
O coração da palmeira,
Pedia as bênçãos do céu
Para a terra brasileira.
Em: Barquinhos de Papel: poesias infantis, Walter Nieble de Freitas, São Paulo, Difusora Cultural:1961, pp. 61-62

Em momentos exaltados
sem poder falar e agir,
o silencio dá recados
que poucos sabem ouvir.
(Alba Christina Campos Netto)
Autoria desconhecida.
Por mais conforto e carinho
numa gaiola dourada,
a ave não esquece o ninho
e a liberdade ceifada.
(Severino Campelo)
Ilustração de Anne Mortimer.
O meu gato é meu amigo…
Em casa, na falta dela,
assiste a T V comigo,
do futebol à novela.
(Dari Pereira)