Ilustração Henriette Willebeek Le Mair
O tempo passa voando …
Mentira, posso jurar.
Se estou meu bem esperando,
como ele custa a passar!
(Lilinha Fernandes)
Ilustração Henriette Willebeek Le Mair
O tempo passa voando …
Mentira, posso jurar.
Se estou meu bem esperando,
como ele custa a passar!
(Lilinha Fernandes)
Autoria desconhecida.
Hermes Fontes
Depois de longa ausência e penosa distância,
vi a fonte da mata,
de cuja água bebi, na minha infância.
E que melancolia
nessa emoção tão grata!
Ver — constância das coisas, na inconstância…
ver que a Poesia é uma segunda infância,
e que toda Poesia…
Vem da fonte da mata…
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 157.
Contemplando a Paisagem
Maria Vasco (Brasil, 1879-1965)
aquarela, 35 X 25 cm
Stella Leonardos
Ela foi. Não volta mais.
Entre as relíquias saudosas
Seu xale. Dos orientais.
Mil e uma noites sedosas.
Xale cheio de gazais,
De rouxinóis e de rosas.
. . . . . . . . . . . . . . . . . . .
Ela que não sofre mais
O peso de horas penosas,
Ela que amava os gazais
E as noite maravilhosas
— Quem sabe descansa em paz
Entre os rouxinóis e as rosas.
Em: Pedra no Lago, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p. 65
Ilustração de Pierre Brissaud (França, 1885- 1964)
Guilherme de Almeida
Quando a chuva cessava e um vento fino
franzia a tarde tímida e lavada,
eu saía a brincar, pela calçada,
nos meus tempos felizes de menino.
Fazia, de papel, toda uma armada,
e estendendo meu braço pequenino,
eu soltava os barquinhos, sem destino.
ao longo das sarjetas, na enxurrada…
Fiquei moço. E hoje sei, pensando neles,
que não são barcos de ouro os meus ideais:
são de papel, são como aqueles,
perfeitamente, exatamente iguais…
_Que meus barquinhos, lá se foram eles!
Foram-se embora e não voltaram mais!

Luiz Vaz de Camões
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
Muda-se o ser, muda-se a confiança:
Todo o mundo é composto de mudança,
Tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
Diferentes em tudo da esperança:
Do mal ficam as mágoas na lembrança,
E do bem (se algum houve) as saudades.
O tempo cobre o chão de verde manto,
Que já coberto foi de neve fria,
E em mim converte em choro o doce canto.
E afora este mudar-se cada dia,
Outra mudança faz de mor espanto,
Que não se muda já como soía.

Natal da minha velhice…
não sinto qualquer revolta:
– Papai Noel… ah! quem disse
que, em nós, o sonho não volta?
(Pompílio O. Vieira)
Árvore de Natal
Spiridon Vikatos (Grécia, 1878 – 1960)
óleo sobre tela
Miguel Torga
Menino Jesus, que nasces
Quando eu morro,
E trazes a paz
Que não levo,
O poema que te devo
Desde que te aninhei
No entendimento,
E nunca te paguei
A contento
Da devoção,
Mal entoado,
Aqui te fica mais uma vez
Aos pés,
Como um tição
Apagado,
Sem calor que os aqueça.
Com ele me desobrigo e desengano:
És divino, e eu sou humano,
Não há poesia em mim que te mereça.
Figura feminina
Angelo Simeone, (Itália-Brasil, 1899-1963)
óleo sobre tela colado sobre eucatex, 60 X 48cm
Cora Coralina
Não sei se a vida é curta
ou longa para nós,
mas sei que nada
do que vivemos tem sentido,
se não tocarmos o coração das pessoas.
Muitas vezes basta ser:
o colo que acolhe,
o braço que envolve,
a palavra que conforta,
o silêncio que respeita,
a alegria que contagia,
a lágrima que corre,
o olhar que acaricia,
o desejo que sacia,
o amor que promove.
E isso não é coisa de outro mundo,
é o que dá sentido à vida.
É o que faz com que ela não
seja nem curta, nem longa demais,
mas que seja intensa, verdadeira,
pura enquanto durar.
Foi esta poesia que abriu, para reflexão, o Encontro de Fim de Ano dos grupos de leitura Papalivros e Ao Pé da Letra, no domingo, dia 8 de dezembro próximo passado. Agradeço ao Professor Sérgio Gonçalves Mendes [PUC-RJ] a sugestão desta abertura.

Que saudades dos folguedos
dos meus Natais mais risonhos…
em que singelos brinquedos
amanheciam meus sonhos!
(João Freire Filho)
Ilustração Margaret Tarrant.
No meu Natal é rotina
deixar tudo no “capricho”:
no peito faço faxina e
jogo as mágoas no lixo!
(Élbea Priscila de S e Silva)