O estilo do grilo, poesia infantil de Luiz Infante

3 10 2023
Ilustração de Nina Tenser

O estilo do grilo

 

Luiz Infante

 

Era uma vez um grilo

que morava numa gaiola

em grande estilo.

De cri-cri em cri-cri

Foi vivendo tranquilo

A comer alface ao quilo,

Quase tão voraz

Como qualquer esquilo.

Respondendo ao protesto

Sobre o ruído que fazia,

Disse com ironia

“Se era silêncio que queria

Era só pedi-lo,

Que um grilo não é

Uma telefonia”

 

 

Em: Poemas Pequeninos para Meninas e Meninos, Luiz Infante, V. N. de Gaia: Gailivro: 2003, p 40





Trova dos pirilampos

29 09 2023

Vou brincar com pirilampos

e beijar as flores nuas

pra ver se encontro nos campos

a paz que fugiu das ruas!

 

 

(José Lucas de Barros)





Primavera: Christina Rossetti

22 09 2023

Rosas e jasmins em vaso de Delft, 1881

Auguste Renoir (França,1841-1919)

óleo sobre tela, 81 x 65 cm

Hermitage, São Petersburgo

 

 

 

“O que pesa? a areia da praia e a tristeza.

O que é breve? o hoje e o amanhã.

O que é frágil? flores da primavera e a juventude

O que é profundo? o oceano e a verdade”

 

 

Christina Rossetti (1830-1894)

 

{Tradução: Ladyce West]

 

 

—————————————————————-

“What are heavy? sea-sand and sorrow.
What are brief? today and tomorrow.
What are frail? spring blossoms and youth.
What are deep? the ocean and truth.”
― Christina Rossetti




Forsítia, poesia de Ladyce West

20 09 2023

Forsítia, 2020

Louise Baker  (Canadá, contemporânea)

acrílica sobre tela, 61 x 61 cm

 

 

Forsítia

 

Ladyce West

 

 

A cor da esperança é o amarelo

que chega cedo nas flores da forsítia.

Singelos sinos em rebeldes galhos  —

borboletas pousadas e vistosas —

brotam nas varas despidas do inverno.

Vence o frio, fura a neve e o solo congelado

traz consigo o aviso do destino

lembra sol, renovação e alegria

aponta radiante o porvir

encarna o sinal da primavera

que celebra só, altaneira e modesta.

 

 

 

Em: À meia voz, Ladyce West, Rio de Janeiro, Autografia: 2020, p. 35





“Duas luas”, poesia de Ricardo Kubrusly

20 07 2023
 
 
 
Duas luas

 

Ricardo Kubrusly

 

há uma lua em são paulo outra no rio

duas iguais, mesma substância

uma no mar, outra entre rios

refletida na lama das marginais

 

 

uma se espreita nos arcos, se alonga

devora o passeio, se atira

nas águas. duas iguais criaturas

escalam o horizonte, eu: voo entreluas

 

 

 

Em: Acordanoite, Ricardo Kubrusly, Rio de Janeiro, Editora Seis: 1993, p.48





Os influenciadores: Stella Leonardos

5 07 2023

Depois que publiquei meu primeiro livro de poesias, todo mundo quer saber que poetas eu li, de quem eu gosto.  A lista é grande. Mas aos poucos vou contando….   Obrigada pelo interesse.





21 06 2023

Campo de trigo com corvos, 1890

Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)

óleo sobre tela, 101 x 50 cm

Van Gogh Museum, Amsterdã

 

 

 

Van Gogh III

 

Marialzira Perestrello

 

« Van Gogh le plus peintre de tous les peintres »

A. Artaud

 

 

Vincent-Antonin

Artaud-Van Gogh

Gênios, loucos?

Loucos geniais?

 

Eles queriam sua  verdade

verdades vitais

mortais verdades

além de Tudo

aquém do  Nada.

 

Não queriam a Morte

lutaram pela Vida

(Insanamente?)

 

Oh! Deus

como eram negros

aqueles corvos!

 

1990

 

Em: A música persiste, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Imago: 1995, p. 34

 





Outono: Lord Alfred Tennyson

9 06 2023

Festival de outono, 1915

Willard Leroy Metcalf (EUA, 1858-1925)

óleo sobre tela

 

“Lágrimas, inúteis lágrimas, não sei o que exprimem,

Lágrimas das profundezas de algum divino desalento

brotam no coração, e se acumulam nos olhos,

observando  os radiantes campos do outono,

pensando nos dias que já se foram.“

 

Lord Alfred Tennyson (1809-1892), do poema conhecido como Tears, idle tears

 

Tradução: Ladyce West

-,-,-,

Tears, idle tears, I know not what they mean,
Tears from the depth of some divine despair
Rise in the heart, and gather to the eyes,
In looking on the happy autumn-fields,
And thinking of the days that are no more.

 

Fresh as the first beam glittering on a sail,
That brings our friends up from the underworld,
Sad as the last which reddens over one
That sinks with all we love below the verge;
So sad, so fresh, the days that are no more.

 

Ah, sad and strange as in dark summer dawns
The earliest pipe of half-awakened birds
To dying ears, when unto dying eyes
The casement slowly grows a glimmering square;
So sad, so strange, the days that are no more.

 

Dear as remembered kisses after death,
And sweet as those by hopeless fancy feigned
On lips that are for others; deep as love,
Deep as first love, and wild with all regret;
O Death in Life, the days that are no more!

 

This poem is in the public domain.

 





Outono: Robert Frost

7 06 2023

Floresta outonal com casas

Walter Moras (Alemanha,1856 – 1925)

óleo sobre tela, 60 x 100 cm

 

“Minha tristeza, quando está aqui comigo, pensa que esses dias  escuros, chuvosos do outono são tão bonitos possível; ela ama a árvore ressequida, nua; e caminha pela trilha encharcada do pasto.” 

 

Robert Frost

Do poema:  My November Guest

 

tradução: Ladyce West

 
 
 
My November Guest
 
Robert Frost  (1874 –1963)
 
My sorrow, when she’s here with me,
     Thinks these dark days of autumn rain
Are beautiful as days can be;
She loves the bare, the withered tree;
     She walks the sodden pasture lane.
Her pleasure will not let me stay.
     She talks and I am fain to list:
She’s glad the birds are gone away,
She’s glad her simple worsted grey
     Is silver now with clinging mist.
The desolate, deserted trees,
     The faded earth, the heavy sky,
The beauties she so truly sees,
She thinks I have no eye for these,
     And vexes me for reason why.
Not yesterday I learned to know
     The love of bare November days
Before the coming of the snow,
But it were vain to tell her so,
     And they are better for her praise.
This poem is in the public domain.

Nota: Robert Frost está entre os muitos poetas americanos que admiro.  Tenho um cantinho de meu coração reservado para seu domínio.  E quanto mais admiro mais difícil se torna a tradução porque sei de conotações que ligam à obra inteira do escritor.





Outono: Helen Bevington

1 06 2023

Uma estrada do interior no outono, 1918

Edward Wilkins Waite (Grã-Bretanha, 1854-1924)

óleo sobre tela

 

 

 

“O estímulo sazonal é forte entre poetas. Milton escrevia sobretudo no inverno.  Keats esperava que a primavera o acordasse (como havia feito anteriormente nos meses de abril e maio de 1819). Burns escolheu o outono.  Longfellow gostava do mês de setembro. Shelley brilhava nos meses quentes.  Alguns poetas, como Wordsworth,  trabalhavam ao ar livre. Outros, como Auden, permaneciam em lugares com cortinas fechadas. Schiller precisava do perfume de maçãs apodrecidas  à sua volta para escrever um poema.  Tennyson e Walter de la Mare tinham que fumar.  Auden bebia muito chá, Spencer café; Hart Crane álcool. Pope, Byron e William Morris eram criativos às altas horas.  E assim por diante.”

 

Helen Bevington (When Found, Make a Verse of)

 

Tradução: Ladyce West

 

-.-.-.

“The seasonal urge is strong in poets. Milton wrote chiefly in winter. Keats looked for spring to wake him up (as it did in the miraculous months of April and May, 1819). Burns chose autumn. Longfellow liked the month of September. Shelley flourished in the hot months. Some poets, like Wordsworth, have gone outdoors to work. Others, like Auden, keep to the curtained room. Schiller needed the smell of rotten apples about him to make a poem. Tennyson and Walter de la Mare had to smoke. Auden drinks lots of tea, Spender coffee; Hart Crane drank alcohol. Pope, Byron, and William Morris were creative late at night. And so it goes.”

— Helen Bevington (When Found, Make a Verse of)