Bairro, poesia de Domingos Pellegrini

6 11 2013

Casas, s/d

Maria Ávila ( Brasil, contemporânea)

óleo sobre tela, 55 x 46 cm

www.mariaavila.com

Bairro

Domingos Pellegrini

Os cheiros que te assaltam suavemente

floradas de quintais e de jardins

de murta na calçada ou alecrim

ou santa-bárbara a chover sementes

A fragância envolvente  do jasmim

esse cheiro de chuva já no vento

e nos escuros entre vaga-lumes

o perfume moleque dos capins

Um fedor de lixeira de repente

aqui carroças com cheiro de estrume

ali cheiro de graxa e de trabalho

E duma casa pobre mas decente

aquele cheiro que o bairro resume

bife fritando com cebola e alho

Em: Gaiola aberta: 1964-2004, Domingos Pellegrini, Rio de Janeiro, Bertrand Brasil: 2005





O elefantinho, poesia infantil de Vinícius de Moraes

14 10 2013

elefante na janelaDesconheço a autoria dessa ilustração.  Se você conhece o autor, me diga. Obrigada.

O elefantinho

Vinicius de Moraes

Onde vais, elefantinho

Correndo pelo caminho

Assim tão desconsolado?

Andas perdido, bichinho

Espetaste o pé no espinho

Que sentes, pobre coitado?

– Estou com um medo danado

Encontrei um passarinho!

Em: A arca de Noé:poemas infantis, Vinícius de Moraes, Companhia das Letrinhas, São Paulo:1991





Na ribeira deste rio, poema de Fernando Pessoa

9 08 2013

Archimedes Dutra,Pescador na beira do rio,1932,ost, 27 x 35 cmPescador na beira do rio, 1932

Archimedes Dutra (Brasil, 1908-1983)

óleo sobre madeira, 27 x 35 cm

Poema

Fernando Pessoa

Na ribeira deste rio

ou na ribeira daquele

passam meus dias a fio.

Nada me impede, me impele,

me dá calor ou dá frio.

Vou vendo o que o rio faz

quando o rio não faz nada.

Vejo os rastros que ele traz,

numa sequência arrastada,

do que ficou para trás.

Vou vendo e vou meditando,

nem bem no rio que passa

mas só no que estou pensando,

porque o bem dele é que faça

eu não ver que vai passando.

Vou na ribeira do rio

que está aqui ou ali,

e do seu curso me fio,

porque, se o vi ou não vi,

ele passa e eu confio.

Em: Antologia poética para a infância e a juventude, Henriqueta Lisboa, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1961, p. 150-151.





Siri, poesia infantil de Ana Maria Machado

1 02 2013

caranguejo 1

 

Siri

Ana Maria Machado

Siri
não ri
em serviço.

Se troca a casca
vira ouriço
procura concha,
busca uma toca e,
sumiço.

Não dá mole por aí.
Pra não virar sopa
faz boca
de siri.

Em: Sinais do Mar, Ana Maria Machado, São Paulo, Cosac Naify: 2009 , 1ª edição.





Irmão menor — poesia infantil de Pedro Bandeira

24 06 2012

Meninos brigando, 1911, ilustração de Leyendecker para a revista americana Saturday Evening Post.

Irmão menor


Pedro Bandeira


Irmão menor
É pior
que catapora
irmãozinho
é pior do que carniça,
É pior do que injeção.


Mexe no que é meu,
rabisca meu caderno,
perde meu carrinho,
e eu fico de castigo
se lhe dou um safanão.

É praga, é prega,
é sarampo, é varicela!

E não venha
achar estranho,
só porque dei uma surra
no danado do moleque
que xingou o meu irmão.


Eu posso xingar,
Os outros não.





Um gato chinês, poesia infantil de José Paulo Paes

19 06 2012

Gato com olhos cor de mel, ilustração Ditz.

Um gato chinês

José Paulo Paes

Era uma vez

Um gato chinês

Que morava em Xangai

Sem mãe e sem pai

Que sorria amarelo

Para o rio Amarelo

Com seus olhos puxados

Um para cada lado

Era uma vez

Uma gato mais preto

Que tinta nanquim

De bigodes compridos

Feito mandarim

Que quando espirrava

Só fazia “chim”!





A pombinha da mata, poesia infantil de Cecília Meireles

10 06 2012

Descanso, ilustração de George Straub, 1951.

A Pombinha da mata

Cecília Meireles

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

“Eu acho que ela está com fome”,

disse o primeiro,

“e não tem nada para comer.”

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha carpir.

“Eu acho que ela ficou presa”,

disse o segundo,

“e não sabe como fugir.”

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

“Eu acho que ela está com saudade”,

disse o terceiro,

“e com certeza vai morrer”.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa





Travessura, poesia infantil de Sílvio Ribeiro de Castro

9 06 2012

Desconheço a autoria dessa ilustração.

Travessura

Sílvio Ribeiro de Castro

O menino jogou

—————uma pedra

———————–para o alto

no mesmo instante

——-que uma estrela cadente

riscou o céu e caiu

Mãiê, juro que foi

———————sem querer!

Em: Poesia Simplesmente, [coletânea de poetas contemporâneos] org. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, PS: 1999.





Pipoca, poesia infantil de Maria da Graça Almeida

15 03 2012

Magali tem um sonho de pipoca.  Ilustração, Maurício de Sousa.

Pipoca

Maria da Graça Almeida

Pipipipipipoquinha…
que chuvinha mais gostosa!
Corro logo pra cozinha,
nem disfarço… sou gulosa!

Pipipipipipoquinha…
grita o milho da pipoca!
Quente é o fundo da panela,
óleo ardente o sufoca.

Esfriando na janela,
já branquinho e com sabor,
o grãozinho da panela
transformou-se numa flor!

www.recantodasletras.com.br

Maria da Graça Almeida (Pindorama, SP)– escritora, poetisa, professora, pedagoga, formada em Educação Artística.  Do portal de Maria Petronilho.





Poesia infantil: Lengalenga do Vento — Maria Alberta Menéres

14 03 2012

Lengalenga do Vento
 

Maria Alberta Menéres

 –

Andava o senhor vento

um dia pelo mar

encontrou um barquinho:

– Senhor vento, que força!

Olhe que me vai afundar!

 –

Andava o senhor vento

correndo pelo pinhal

quando ouviu um cuco:

– Senhor vento, que força!

Não me faça mal…

 –

Andava o senhor vento

soprando sobre o rio

encontrou uma gaivota:

– Senhor vento, que força!

Faz-me tanto frio!

 –

Andava o senhor vento

a deslizar sobre a neve

quando ouviu um floco:

– Senhor vento, que força!

Sinto-me tão leve!

 –

Andava o senhor vento

passeando no mês de Maio

quando ouviu um menino:

– Senhor vento, que bom!

Lá vai o meu papagaio!

 –

Maria Alberta Rovisco Garcia Menéres de Melo e Castro (Portugal, 1930)  nasceu na cidade de Vila Nova de Gaia.  É professora, jornalista e escritora.  Sua obra inclui poesia, contos,  hisstórias em quadrinhos,  teatro, novelas, e adaptação de clássicos da literatura.

Obras

Ficção

O Poeta Faz-se aos 10 Anos, 1973

A canção do vento, 1975

Hoje há Palhaços , 1977

Primeira Aventura no País do João, 1977

À Beira do Lago dos Encantos, 1995

Intervalo, 1952

Cântico de Barro, 1954

A Palavra Imperceptível, 1955

Oração de Páscoa, 1958

Água – Memória, 1960

Os poemas Escolhidos, s/d

A Pegada do Yeti, 1962

Poemas Escolhidos, 1962

Os Mosquitos de Suburna, 1967

Conversas em Versos , 1968

O poema O disse ao poema, 1974

O Robot Sensível, 1978

Antologia da Novíssima Poesia Portuguesa, 1982

Semana sim,semana não,semana pumbas,1998

Clarinete

Figuras Figuronas, 1969

A Pedra Azul da Imaginação, 1975

A Chave Verde ou os Meus Irmãos, 1977

Semana Sim, Semana Sim, 1979

O Que É Que aconteceu na Terra dos Procópios, 1980

Um Peixe no Ar, 1980

O Trintão Centenário, 1984

Dez Dedos Dez Segredos, 1985

À Beira do Lago dos Encantos, 1988

Quem faz hoje anos, 1988)

Colecção “1001 Detectives– 15 volumes (em colaboração com Natércia Rocha e Carlos Correia), entre 1987/92

Sigam a Borboleta, 1996

100 Histórias de Todos os Tempos, 2003

Passinhos de Mariana, Edições Asa, 2004

“Camões, o Super Herói da Língua Portuguesa” 2010

Outra vez não!