Bolinhas de gude, poema infantil de Maria Eugênia Celso

29 03 2010
 Ilustração Maurício de Sousa.

Bolinhas de gude

                                               Maria Eugênia Celso

Brancas, verdes, rajadinhas,

                               Amarelas,

                As bolinhas

                Vão rolando,

                Vão dançando

                Seja liso ou seja rude

                O chão onde vão rolando

                Lá vão elas, lá vão elas…

                               As bolinhas de gude.

Brincam os meninos com elas,

                               Estão jogando

                No jardim ou nas calçadas,

                As bolinhas vão correndo

                Azuis pardas, amarelas,

                               Rajadinhas,

E tão vivas, tão ligeira, tão alegres e estouvadas

                Que até fica parecendo

                               Que são elas

                                               As bolinhas

Que com eles estão brincando.

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968.

Maria Eugênia Celso

Maria Eugênia Celso Carneiro de Mendonça (São João Del Rey, Minas Gerais, 1886 – 1963), usou também o pseudônimo Baby-flirt.  Jornalista, escritora, poeta, teatróloga e sufragista.  Funcionária de carreira do Ministério da Educação e Cultura.  Veio de Minas Gerais para Petrópolis, ainda criança,  onde cursou o Colégio Sion.  Em 1920 começou sua carreira jornalística no Jornal do Brasil.  Participou ativamente do “Movimento Feminista”, em favor da emancipação política e social da mulher, dedicou-se ao assistencialismo junto às “Damas da Cruz Verde”, aparecendo como uma das lideranças que criaram a maternidade “Pro-Matre” do Rio de Janeiro.  Batalhou pelo direito das mulheres ao voto. Faleceu em 1963.

Obra:

Em Pleno Sonho, poesia, 1920

Vicentinho, 1925

Fantasias e Matutadas, poesia, 1925

Desdobramento, poesia, 1926

Alma Vária, poesia

Jeunesse, poesia

O Solar Perdido, poesia, 1945

Poemas Completos, 1955

Diário de Ana Lúcia, prosa,

De Relance, crônicas

Ruflos de Asas, teatro

Síntese Biográfica da Princesa Isabel, biografia





A primeira lição, poesia infantil de Zalina Rolim

10 03 2010
Ilustração, Mark Arian

A PRIMEIRA LIÇÃO

 —

                                                                                Zalina Rolim

RAUL não sabe ler;

É um traquinas, que vive toda a hora

Pela campina em fora

A correr, a correr…

Desde pela manhã,

Salta do leito em fraldas de camisa,

E por tudo desliza

Numa alegria sã.

Nada de livros, não;

Para ele a campina, os passarinhos,

Os assaltos aos ninhos,

A pesca ao ribeirão

E as corridas em pós

Dos bezerros e cabras e novilhas,…

Rasgando ásperas trilhas,

Veloz, veloz, veloz!

Mas, um dia, ele viu

A irmãzita no livro debruçada,

E o som de uma risada

O ouvido lhe feriu.

Que teria, meu Deus!

Aquele grande livro tão pesado,

Ali dentro guardado,

Longe dos olhos seus?

E aproximou-se mais.

Ceci, toda entretida na leitura,

Mostrava, rindo, a alvura

Dos dentinhos iguais.

E o pequenito a olhar,

Mas debalde; no livro, aberto em frente,

Letras, letras, somente…

Raul pôs-se a chorar.

Pois não estava ali

Um livro injusto e mau, que até escondia

A causa da alegria

Da risonha Ceci?

Mas a irmã, tal e qual

Uma bondosa mãe ao filho amado,

Fê-lo assentar-se ao lado

E explicou-lhe o seu mal.

E com tanta razão

Que, abrindo atento o livro misterioso,

Raul pediu, ansioso,

A primeira lição.

Maria Zalina Rolim Xavier de Toledo — nasceu em Botucatu (SP), em 20 de julho de 1869.

Professora alfabetizadora transferiu-se com a família para São Paulo em 1893.

Educadora, entre 1896 e 1897, exerceu o cargo de vice-inspetora, do Jardim da Infância anexo à Escola Normal Caetano de Campos, em São Paulo.

Escreveu para diversas revistas femininas e jornais como A Mensageira, O Itapetininga, Correio Paulistano e A Província de São Paulo.

Faleceu em São Paulo, em 24 de junho de 1961.

Obras:

1893 – O coração

1897 – Livro das Crianças

1903 – Livro da saudade (organizado nesta data para publicação póstuma)





Poesia infantil: Os animais amigos do homem de Bastos Tigre

19 02 2010

Os animais amigos do homem

–                                                                   Bastos Tigre

—-

===

De todos os animais

merecem nossa afeição

estes três, mais que os demais:

–  o boi, o cavalo, o cão.

O boi, os seus músculos de aço

ao nosso serviço entrega

e, com a canga no cachaço,

pesadas cargas carrega.

E depois dá-nos a vida

que à nossa vida é sustento:

a carne assada ou cozida,

o ensopado suculento.

Vale o seu corpo um tesouro,

dele nada se rejeita:

chifres, cauda, ossos e couro,

tudo, tudo se aproveita.

O cavalo é o companheiro

que nos carrega no lombo

(a quem não for bom cavaleiro,

cuidado, que leva tombo!)

Conhece caminho e atalho

e, seja a passo ou a correr,

nosso amigo é no trabalho

quanto amigo é no prazer.

A morte, somente, encerra

seu labor nobre e eficaz;

com os homens morre na guerra,

morre, a servi-los, na paz.

É o terceiro amigo, o amigo

que nos tem mais afeição;

no momento do perigo

nos vem socorrer: — é o cão.

Quer de noite, quer de dia,

podemos nele confiaar;

da nossa casa é vigia,

é o guarda do nosso lar.

“Caniche”, dos pequeninos,

que graça o cãozinho tem!

Quando brinca com os meninos

ele é um menino também.

Seja humilde, ou cão de raça,

cão de cego, ou de pastor,

são -bernardo ou cão de caça,

ou de ratos caçador.

Os seus dias se consomem

num labor sincero e leal!

Salve, excelso amigo do homem,

que és quase um ser racional!

Que se ame, pois, e bendiga

do fundo do coração,

a nobre trindade amiga:

o boi, o cavalo e o cão.

Em: O mundo da criança: poemas e rimas, vol I, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1972.

Manuel Bastos Tigre (PE 1882 – RJ 1957) — foi um bibliotecário, jornalista, poeta, compositor, humorista e destacado publicitário brasileiro.

— 

Obras: 

Saguão da Posteridade, 1902.

Versos Perversos, 1905.

O Maxixe, 1906.

Moinhos de Vento, 1913.

O Rapadura, 1915.

Grão de Bico, 1915.

Bolhas de Sabão, 1919.

Arlequim, 1922.

Fonte da Carioca, 1922.

Ver e Amar, 1922.

Penso, logo… eis isto, 1923.

A Ceia dos Coronéis, 1924.

Meu bebê, 1924.

Poemas da Primeira Infância, 1925.

Brinquedos de Natal, 1925.

Chantez Clair, 1926.

Zig-Zag, 1926.

Carnaval: poemas em louvor ao Momo, 1932.

Poesias Humorísticas, 1933.

Entardecer, 1935.

As Parábolas de Cristo, 1937.

Getúlio Vargas, 1937.

Uma Coisa e Outra, 1937.

Li-Vi-Ouvi, 1938.

Senhorita Vitamina, 1942.

Recitália, 1943.

Martins Fontes, 1943.

Aconteceu ou Podia ter Acontecido, 1944.

Cancionário, 1946.

Conceitos e Preceitos, 1946.

Musa Gaiata, 1949.

Sol de Inverno, 1955





Quadrinha: teus olhos

13 02 2010

menina com flores amarelas

Teus olhos, duas continhas,

douradas, suavemente;

duas pérolas,  miudinhas,

neste rostinho luzente.

(Antônio Bispo dos Santos)





Verão, poesia infantil de Zilda Maria Vasconcellos

1 02 2010
Ilustração de Meredith Johnson

Verão

                              Zilda Maria Vasconcellos

 

Bem na pontinha dos pés,

sobre a erva do caminho,

com os sapatos na mão,

fui caminhando sozinho.

Belo dia de verão!

Tudo parado, quietinho…

perfumes para todo lado,

e um gostoso calorzinho.

O sol bateu em meu rosto

e a leve aragem do vento.

Fui caminhando com gosto

num passo lento, bem lento.

Demorei a encontrar

as minhas vespas amigas,

as cigarras a cantar,

as diligentes formigas.

Então, no grande silêncio,

uma formiga ouvi:

Precisamos trabalhar,

O outono está quase aí.

Já vão-se abrir as escolas,

Irás estudar também.

Adeus,  meu bom amiguinho,

até o verão que vem!

Em: O mundo da criança, vol. 1: poemas e rimas,  Rio de Janeiro, Editora Delta: 1971





Quadrinha sobre o trabalho

25 01 2010

trabalhar vc está louco

Ilustração, Walt Disney.

Se tens à frente uma estrada,

não passes por um atalho,

que a vida só é gozada

à custa de muito trabalho.

(Luiz Evandro Innocêncio)





Quadrinha sobre a aranha e sua teia

10 01 2010

aranha

A teia se expande e estica

porque a aranha o fio tece.

O milagre não se explica

e simplesmente acontece.

(José Augusto Fernandes)





Quadrinha da mucama

7 01 2010

 madonnadeleite, canoto ( Brasil 1985),ost, 80x100Madona do leite

Canato ( SP, Brasil, 1985)

Óleo sobre tela,  80 x 100 cm

www.canato.com.br

A cantiga da mucama,

que embalava o sinhozinho,

tinha mimo de quem ama,

de quem sofre tinha espinho.

 

(Margarida Ottoni)





Quadrinha para a infância: o sentido da vida

5 01 2010

menino com passarinhos

Não creio ser necessário

explicar meu ideal…

—  Por que é que canta o canário?

—  Por que é que voa o pardal?

( Moysés Augusto Torres)





Quadrinha sobre a medida do amor!

4 01 2010

peso

Ilustração, Maurício de Sousa.

Por que será que, na vida,

por que será, meu senhor,

não foi criada a medida

capaz de medir o amor?

(Luiz Evandro Innocêncio)