Manhã de chuva, poesia infantil de Murilo Araújo

20 06 2012

Cartão postal francês, ilustração de Margret Boriss.

Manhã de chuva

Murilo Araújo

Chove; chove e choveu a noite inteira.

A vidraça está cheia de pinguinhos;

a água chora cantando na goteira…

Que dó dos passarinhos!

Quanto vento! Que frio! Chove tanto…

As roseiras estão que é só espinhos.

As florinhas deviam ter um manto:

Que pena dos raminhos!

E agora, quando a chuvarada arrasa,

passam meninos pobres nos caminhos.

E agasalha tão bem a nossa casa…

Façam entrar depressa os pobrezinhos!

Em: Poemas completos de Murilo Araújo, Rio de Janeiro, Irmãos Pongetti:1960





Um gato chinês, poesia infantil de José Paulo Paes

19 06 2012

Gato com olhos cor de mel, ilustração Ditz.

Um gato chinês

José Paulo Paes

Era uma vez

Um gato chinês

Que morava em Xangai

Sem mãe e sem pai

Que sorria amarelo

Para o rio Amarelo

Com seus olhos puxados

Um para cada lado

Era uma vez

Uma gato mais preto

Que tinta nanquim

De bigodes compridos

Feito mandarim

Que quando espirrava

Só fazia “chim”!





Barca Bela, poesia de Almeida Garrett

12 06 2012

Ilustração décadas 1920-30.
[Pelo estilo e formato, pode ser capa da Revista Americana St. Nicholas, da época]

Barca Bela

Almeida Garrett

Pescador da barca bela,

Onde vais pescar com ela,

—-Que é tão bela,

—-Ó pescador?

Não vês que a última estrela

No céu nublado se vela?

—-Colhe a vela,

—-Ó pescador!

Deita o lanço com cautela,

Que a sereia canta bela…

—-Mas cautela,

—-Ó pescador!

Não se enrede a rede nela,

Que perdido é remo e vela,

—-Só de vê-la,

—-Ó pescador.

Pescador da barca bela,

Inda é tempo, foge dela

—-Foge dela

—-Oh pescador!

Em:  Folhas Caídas, Almeida Garrett, Porto, Editorial Domingos Barreira: s/d





A pombinha da mata, poesia infantil de Cecília Meireles

10 06 2012

Descanso, ilustração de George Straub, 1951.

A Pombinha da mata

Cecília Meireles

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

“Eu acho que ela está com fome”,

disse o primeiro,

“e não tem nada para comer.”

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha carpir.

“Eu acho que ela ficou presa”,

disse o segundo,

“e não sabe como fugir.”

Três meninos na mata ouviram

uma pombinha gemer.

“Eu acho que ela está com saudade”,

disse o terceiro,

“e com certeza vai morrer”.

Cecília Benevides de Carvalho Meireles (RJ 1901 – RJ 1964) poeta brasileira, professora e jornalista.

Obras:

Espectros, 1919

Criança, meu amor, 1923

Nunca mais…, 1924

Poema dos Poemas, 1923

Baladas para El-Rei, 1925

O Espírito Vitorioso, 1935

Viagem, 1939

Vaga Música, 1942

Poetas Novos de Portugal, 1944

Mar Absoluto, 1945

Rute e Alberto, 1945

Rui — Pequena História de uma Grande Vida, 1948

Retrato Natural, 1949

Problemas de Literatura Infantil, 1950

Amor em Leonoreta, 1952

12 Noturnos de Holanda e o Aeronauta, 1952

Romanceiro da Inconfidência, 1953

Poemas Escritos na Índia, 1953

Batuque, 1953

Pequeno Oratório de Santa Clara, 1955

Pistóia, Cemitério Militar Brasileiro, 1955

Panorama Folclórico de Açores, 1955

Canções, 1956

Giroflê, Giroflá, 1956

Romance de Santa Cecília, 1957

A Bíblia na Literatura Brasileira, 1957

A Rosa, 1957

Obra Poética,1958

Metal Rosicler, 1960

Antologia Poética, 1963

História de bem-te-vis, 1963

Solombra, 1963

Ou Isto ou Aquilo, 1964

Escolha o Seu Sonho, 1964

Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro, 1965

O Menino Atrasado, 1966

Poésie (versão francesa), 1967

Obra em Prosa – 6 Volumes – Rio de Janeiro, 1998

Inscrição na areia

Doze noturnos de holanda e o aeronauta 1952

Motivo

Canção

1º motivo da rosa





Travessura, poesia infantil de Sílvio Ribeiro de Castro

9 06 2012

Desconheço a autoria dessa ilustração.

Travessura

Sílvio Ribeiro de Castro

O menino jogou

—————uma pedra

———————–para o alto

no mesmo instante

——-que uma estrela cadente

riscou o céu e caiu

Mãiê, juro que foi

———————sem querer!

Em: Poesia Simplesmente, [coletânea de poetas contemporâneos] org. Roberto Pontes, Rio de Janeiro, PS: 1999.





Simplicidade, Felicidade… poema de Guilherme de Almeida

20 05 2012

Paisagem com pastora, s/d

Gentil Garcez (Brasil, 1903-1992)

óleo sobre tela, 43 x 60 cm

Simplicidade, Felicidade…

Guilherme de Almeida

Simplicidade… Simplicidade…

Ser como as rosas, o céu sem fim,

a árvore, o rio… Por que não há de

ser toda gente também assim?

Ser como as rosas: bocas vermelhas

que não disseram nunca a ninguém

que têm perfumes… mas as abelhas

e os homens sabem o que elas têm!

Ser como o espaço, que é azul de longe,

de perto é nada… Mas quem o vê

— árvores, aves, olhos de monge —

busca-o sem mesmo saber porquê.

Ser como o rio  cheio de graça,

que move o moinho, dá vida ao lar,

fecunda as terras… E, rindo, passa,

despretencioso, sempre a cantar.

Ou ser como a árvore: aos lavradores

dá lenha e fruto; dá sombra e paz;

dá ninho às aves; ao inseto, flores…

Mas nada sabe do bem que faz.

Felicidade– sonho sombrio!

Feliz é o simples que sabe ser

como o ar, as rosas, a árvore, o rio:

simples, mas simples sem o saber!

Em: Poesia Brasileira para a Infância, de Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1968, Coleção Henriqueta.

Guilherme de Andrade e Almeida (SP 1890- SP 1969) foi um advogado, jornalista, poeta, ensaísta e tradutor brasileiro. Formou-se em direito em 1912, pela Faculdade de Direito de São Paulo.

Obras:

Nós (1917);

A dança das horas (1919);

Messidor (1919);

Livro de horas de Soror Dolorosa (1920);

Era uma vez… (1922);

A flauta que eu perdi (1924);

Meu (1925);

Raça (1925);

Encantamento (1925);

Simplicidade (1929);

Você (1931);

Poemas escolhidos (1931);

Acaso (1938);

Poesia vária (1947);

Toda a poesia (1953).





Visita, poesia infantil de Ribeiro Couto

16 05 2012

Ilustração de meados do século XX, sem indicação de autor.

Visita

 

Ribeiro Couto

 –

Um raio de sol atravessa a janela.

alegria entrou com esse raio de sol.

Como está claro agora o meu quarto de doente!

 –

Se eu fosse um  raio de sol não desceria a um

quarto de doente.

Iria para aquela nuvem que vai passando lá

longe,

aquela nuvenzinha branca no céu azul,

para viajar com ela, para ser feliz…

 –

Entretanto, fica, raio de sol.

Espera um momento, raio de sol…

Meu raio de sol…

Rui Esteves Ribeiro de Almeida Couto (Santos, 12 de março de 1898 — Paris, 30 de maio de 1963), mais conhecido simplesmente como Ribeiro Couto, foi um jornalista, magistrado, diplomata, poeta, contista e romancista brasileiro.  Foi membro da Academia Brasileira de Letras desde 28 de março de 1934 (ocupando a vaga de Constâncio Alves na cadeira 26), até sua morte.

Obra

Poesia

O jardim das confidências (1921)

Poemetos de ternura e de melancolia (1924)

Um homem na multidão (1926)

Canções de amor (1930)

Noroeste e alguns poemas do Brasil (1932)

Noroeste e outros poemas do Brasil (1933)

Correspondência de família (1933)

Província (1934)

Cancioneiro de Dom Afonso (1939)

Cancioneiro do ausente (1943)

Dia longo (1944)

Arc en ciel (1949)

Mal du pays (1949)

Rive etrangère (1951)

Entre mar e rio (1952)

Jeux de L’apprenti Animalier. Dessins de L’auteur. (1955)

Le jour est long, choix de poèmes traduits par l’auter (1958)

Poesias reunidas (1960)

Longe (1961)

Prosa

A casa do gato cinzento, contos (1922)

O crime do estudante Batista, contos (1922)

A cidade do vício e da graça, crônicas (1924)

Baianinha e outras mulheres, contos (1927)

Cabocla, romance (1931);

Espírito de São Paulo, crônicas (1932)

Clube das esposas enganadas, contos (1933)

Presença de Santa Teresinha, ensaio (1934)

Chão de França, viagem (1935)

Conversa inocente, crônicas (1935)

Prima Belinha, romance (1940)

Largo da matriz e outras histórias, contos (1940)

Isaura (1944)

Uma noite de chuva e outros contos (1944)

Barro do município, crônicas (1956)

Dois retratos de Manuel Bandeira (1960)

Sentimento lusitano, ensaio (1961)





Quadrinha para o Dia das Mães

7 05 2012

O conto de fadas, mãe e filho, ilustração autoria desconhecida.

Neste domingo de maio,

A ti, querida Mãezinha,

Ofereço com ternura,

Esta singela quadrinha.

(Walter Nieble de Freitas)

 





Poesia infantil: O vento, de Helena Pinto Vieira

3 04 2012

O vento

Helena Pinto Vieira

Eu hoje acordei feliz,

e ninguém sabe por quê;

como isto é um segredo,

vou dizer só a você,

menino que ora me escuta:

você não fica, também,

contente, muito contente,

quando o vento sopra, além?

É este, pois, meu segredo;

vou sair, vou lá pra fora,

vou soltar meu papagaio.

Que bom vento sopra agora!

No barbante, que é bem forte,

um recado vou mandar

às andorinhas que voam,

lá no alto, sem cansar.

O vento que está soprando,

menino, meu companheiro,

parece estar convidando

a brincar o dia inteiro.

Em:  O mundo da crianças, poemas e rimas, Rio de Janeiro, Editora Delta: 1975, volume 1, p. 143





Poesia infantil: Canção de junto do berço, de Mário Quintana

1 04 2012

Bebê dormindo, Ilustração de Bessie Pease Gutmann.

Canção de junto do berço

Mário Quintana

 –

 =

Não te movas, dorme, dorme

O teu soninho tranquilo.

Não te movas (diz-lhe a Noite)

Que ainda está cantando um grilo…

 –

Abre os teus olhinhos de ouro

(O Dia lhe diz baixinho).

É tempo de levantares

Que já canta um passarinho…

 –

Sozinho, que pode um grilo

Quando já tudo é revoada?

E o Dia rouba o menino

No manto da madrugada…