Ilustração, Maurício de Sousa.
No dia Quinze de Outubro,
Eu quero de coração,
Abraçar a minha Mestra
Em sinal de gratidão.
Ilustração, Maurício de Sousa.
No dia Quinze de Outubro,
Eu quero de coração,
Abraçar a minha Mestra
Em sinal de gratidão.
“Muito riso, pouco sizo”,
diz-nos o velho ditado.
Mas eu digo que um sorriso
sempre dá bom resultado…
(Luciana Long)
Macaquinhos, MW Editora e Ilustrações.
A vida — coisa engraçada —
é um contraste permanente:
nós rimos da macacada,
que ri imitando a gente.
(Remy Prates Pinheiro)
Ilustração, Maurício de Sousa.
Professorinha
Dimas Costa
Chinoca, meiga, trigueira,
Descendente das missões,
Exigente nas lições,
Reclama e briga por tudo.
Mas eu fico sempre mudo
Ao ver aquela carita,
Quando repreende e grita,
Numa expressão sedutora.
Essa é a professora
Do colégio onde estudo.
Que me importa com estudo
De história ou geografia,
Se eu gosto é da anatomia
Dessa prenda encantadora.
Eu que sou índio de fora
Meio matuto, por certo,
Vou decorando o alfabeto
Com muita dificuldade,
Porque só aprendo, é verdade,
Nas lições que ela me dá,
Que coisa mais linda não há
Do que os olhos da professora.
Esses dias me surpreendeu,
Quando mui séria ensinava,
Que apaixonado eu a olhava
Sem escutar a sua fala.
E, por assim eu mirá-la
Acho que bem entendeu,
Pois de pronto enrubesceu
E tomando-me a lição,
Diz que por falta de atenção,
Me pôs pra fora da aula.
Professora, professora,
Deixa de manha, mimosa!
Chinoca quando é dengosa
Ressalta mais o primor.
Desculpa, mas minha flor
Entende a minha paixão:
Deixa pra lá essa lição
E vem comigo, querida,
Viver as coisas da vida
Num recreio só de amor…
Se tu quiseres mesmo
Unir-te em laços eternos,
Bota fora os cadernos
E vem seguir os meus passos.
Se larguemo pelos espaços
A procura de um cantinho,
Onde ergueremos um ninho
Debaixo do céu aberto,
E eu morro analfabeto
Só pra viver nos teus braços!
Dimas Noguez Costa, (Bagé, RS, 1926 ), pseudônimo: Chiru Divertido. Poeta, cronista, radialista.
Obras:
Carta a mãe natureza, 1979
Céu e campo, 1954
Céu, pampa e pago, 1968
Entardecer na querência, 1989
Pampa bravo, 1958
Pelos caminhos do pago, 1963
Poesia gauchesca para moças e crianças, 1983
Poesia gauchesca para prendas e peões, 2003
Três poemas de destaque, 1963
Ilustração, Hergé.
A serenata de um galo
vai, de quebrada em quebrada,
e de intervalo a intervalo,
acordando a madrugada!
(Sebastião Paiva)
Para conservar os dentes,
Sempre em boas condições,
Não se esqueça de escová-los
Logo após as refeições.
(Walter Nieble de Freitas)
Bailando pelo vergel,
a declarar seus amores,
tendo as ramas por dossel,
o colibri beija as flores.
(Heráclito de Oliveira Menezes)
O SAPO
–
Ferreira Gullar
–
Aqui estou eu: o Sapo,
Bom de pulo e bom de papo.
Falo mais que João do Pulo,
Pulo mais que João do Papo.
Por cautela, falo pouco,
Pra evitar de ficar rouco.
Mas, na verdade, coaxo.
Sou quem toca o contra-baixo
em nossa orquestra de sapos,
pois com os sons de nossos papos
fazemos nosso concerto:
um som fechado, outro aberto,
um que parece trombone,
outro flauta ou xilofone.
Tocamos em qualquer festa.
O nosso e-mail é <orquestra
@sapos. com. floresta>.
—
Ferreira Gullar (José Ribamar Ferreira) Pseudônimo: Ferreira Gullar, nasceu no dia 10 de setembro de 1930, na cidade de São Luiz, capital do Maranhão,
Obras:
A Estranha vida banal,1989
A Luta corporal, 1954
A Luta corporal e novos poemas, 1966
A Saída? Onde fica a saída? ,1967
Antologia poética, 1977
Antonio Henrique Amaral – paintings 1978
Argumentação contra a morte da arte 1993
Arte brasileira hoje, 1973
As Melhores crônicas de Ferreira Gullar, 2005
As Mil e uma noites 2000
Augusto dos Anjos ou Morte e vida nordestina 1976
Barulhos, 1980-1987 1987
Cidades inventadas 1997
Crime na flora, ou, ordem e progresso 1986
Cultura posta em questão 1965
Dentro da noite veloz 1975
Dr. Getúlio, sua vida e sua obra 1968
Etapas da arte contemporânea 1985
Ferreira Gullar 1980
Gramacão 1996
Indagações de hoje 1989
João Boa-Morte, cabra marcado para morrer 1962
Lygia Clark 1980
Muitas vozes 1999
Na vertigem do dia 1980
Nise da Silveira 1996
O Formigueiro 1991
O Menino e o arco-íris 2001
O Meu e o Seu – Antonio Henrique Amaral XX d
O Touro encantado 2003
Os Melhores Poemas de Ferreira Gullar 1983
Poema sujo 1976
Poemas 1958
Poemas escolhidos 1983
Poesias 1982
Por você por mim 1968
Quem matou Aparecida? 1962
Rabo de foguete
Relâmpagos : (dizer o ver) 2003
Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come 1966
Sobre arte 1982
Teoria do não objeto 1959
Toda Poesia 1981
Um Gato chamado gatinho 2000
Um pouco acima do chão 1949
Um Rubi no umbigo 1978
Uma Luz do chão 1978
Uma Tentativa de compreensão 1977
Vanguarda e subdesenvolvimento 1969
Ilustração, David Zolan.
A Primavera explodiu
em folhas e cores novas!
Quem fez tudo ninguém viu
mas as flores são as provas…
Ilustração, Carolyn Haywood, 1933.
A Primavera vigora
com seus poderes de cores,
abrindo as sessões da aurora
numa assembléia de flores.
(Augusto Astério de Campos)