Ilustração, Maurício de Sousa.
—
Por que será que, na vida,
por que será, meu senhor,
não foi criada a medida
capaz de medir o amor?
—
—
(Luiz Evandro Innocêncio)
Ilustração, Maurício de Sousa.
—
Por que será que, na vida,
por que será, meu senhor,
não foi criada a medida
capaz de medir o amor?
—
—
(Luiz Evandro Innocêncio)
Ilustração, Maurício de Sousa.
—
Cada um tem sua sorte
pelo destino traçado,
mas não há ninguém tão forte
que nunca tenha chorado.
—
(Rômulo Cavalcante Mota)
—
Olhos negros, cismadores…
Olhos de intenso brilhar.
Olhos que falam de amores
e vivem sempre a sonhar.
—
(Therezinha Radetic)
Cartão Postal, Europa oriental, década de 1950.
José Albano
Bom Jesus, amador das almas puras,
Bom Jesus, amador das almas mansas,
De ti vêm as serenas esperanças,
De ti vêm as angélicas doçuras.
—
Em toda parte vejo que procuras
O pecador ingrato e não descansas,
Para lhe dar as bem-aventuranças
Que os espíritos gozam nas alturas.
—-
A mim, pois, que de mágoa desatino
E, noite e dia, em lágrimas me banho,
Vem abrandar o meu cruel destino.
—-
E, terminado este degredo estranho,
Tem compaixão de mim, Pastor Divino,
Que não falte uma ovelha ao teu rebanho!
—
—-
—
José de Abreu Albano (Brasil, CE, 1882 — França, 1923). Católico fervoroso, eruditíssimo, de temperamento explosivo e comportamento extraordinário. Pouco publicou em vida, e sua obra, pequenina no tamanho, mas grandíssima no valor, permaneceria desconhecida do grande público, não fosse a edição de sua obra pelo poeta Manuel Bandeira em 1948.
Obras:
Rimas de José Albano: Redondilhas (1912),
Rimas de José Albano – Alegoria (1912)
Rimas de José Albano – Cançam a Camoens (1912)
Ode à Língua Portuguesa (1912)
Comédia Angelica de José Albano (1918),
Four sonets by José Albano, with Portuguese prose-translation (1918)
Antologia Poética de José Albano (1918)
Feliz Natal, cartão de Natal, França, 1910-1915.
—-
(J. G. de Araújo Jorge)
Auta de Sousa
É meia noite … O sino alvissareiro,
Lá da igrejinha branca pendurado,
Como num sonho místico e fagueiro,
Vem relembrar o tempo do passado.
—-
Ó velho sino, ó bronze abençoado,
Na alegria e na mágoa companheiro!
Tu me recordas o sorrir primeiro
De menino Jesus imaculado.
—–
E enquanto escuto a tua voz dolente,
Meu ser que geme dolorosamente
Da desventura, aos gélidos açoites …
—-
Bebe em teus sons tanta alegria, tanta!
Sino que lembras uma noite santa,
Noite bendita mais que as outras noites!
—-
—
Auta de Souza (Macaíba, 12 de setembro de 1876 — Natal, 7 de fevereiro de 1901) foi uma poetisa brasileira. Considerada a a maior poetisa mística do Brasil.
Obras:
Horto, 1900
Adoração dos Reis Magos.
Cartão Postal da Polônia, sem data.
—
(Antônio Vogel Spanemberg)
Anjinhos semeam estrelas, cartão de Natal, Inglaterra, sem data.Natal… e a gente acredita
num mundo menos atroz
porque a esperança bendita
renasce dentro de nós.
(Newton Vieira)
Presépio, autor desconhecido.
—
—
——
Vinicius de Moraes
—–
De repente o sol raiou
E o galo cocoricou:
—–
— Cristo nasceu!
—-
O boi, no campo perdido
Soltou um longo mugido:
— Aonde? Aonde?
—-
Com seu balido tremido
Ligeiro diz o cordeiro:
—-
— Em Belém! Em Belém!
—-
Eis senão quando, num zurro
Se ouve a risada do burro:
—-
— Foi sim que eu estava lá!
—–
E o papagaio que é gira
Pôs-se a falar: — É mentira!
—–
Os bichos de pena, em bando
Reclamaram protestando.
—–
O pombal todo arrulhava:
— Cruz credo! Cruz credo!
—-
Brava
A arara a gritar começa:
—–
— Mentira! Arara. Ora essa!
—-
— Cristo nasceu! canta o galo.
— Aonde? pergunta o boi.
—-
— Num estábulo! — o cavalo
Contente rincha onde foi.
—
Bale o cordeiro também:
—-
— Em Belém! Mé! Em Belém!
—-
E os bichos todos pegaram
O papagaio caturra
E de raiva lhe aplicaram
Uma grandíssima surra.
—-
——
Marcus VINÍCIUS da Cruz DE Melo e MORAES (RJ 1913-RJ 1980), diplomata, jornalista, poeta e compositor brasileiro.
Livros:
O caminho para a distância (1933)
Forma e exegese (1935)
Ariana, a mulher (1936)
Novos Poemas (1938 )
Cinco elegias (1943)
Poemas, sonetos e baladas (1946)
Pátria minha (1949)
Antologia Poética (1954)
Livro de Sonetos (1957)
Novos Poemas (II) (1959)
Para viver um grande amor (crônicas e poemas) (1962)
A arca de Noé; poemas infantis (1970)
Poesia Completa e Prosa (1998 )
—
Papai Noel com brinquedos e árvore.
Cartão Postal Alemão, década de 1890.
—
(Delcy Rodrigues Canales)