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Ilustração Sérgio Bastos.
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De onde vens hoje, ó vizinha,
que assim às tontas, ao léu,
– na curva azul da sombrinha
pareces trazer o céu?
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(Gentil Fernando de Castro)
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Ilustração Sérgio Bastos.–
De onde vens hoje, ó vizinha,
que assim às tontas, ao léu,
– na curva azul da sombrinha
pareces trazer o céu?
–
(Gentil Fernando de Castro)
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Jan Catharinus Adriaan Goedhart(Holanda, 1893 – 1975)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Coleção Particular
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Flora Figueiredo
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Tem um lugar no meu quarto
em que a luz não entra.
Tudo que se tenta
não dá certo.
Em vão tirar telha,
abrir janela,
furar o teto.
Postou-se ali um escuro
soturno e quieto,
recentemente diagnosticado.
É uma fração de passado
que o tempo não leva
para não rever fatos,
e que a vida ceva
porque é da vida conservar mandatos.
Para que o escuro seja então cassado,
é preciso um clarão qualificado,
capaz de sorvê-lo em sucção;
que durante o processo de deglutição
use artimanha,
até transformá-lo em cavidade.
É nesse vão que vai florar felicidade,
parida da entranha do bicho-papão.
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Em: Amor a céu aberto, Flora Figueiredo, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1992, p. 101.
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Ilustração de Margret Boriss.–
Somente um bem acontece
quando a gente cai doente:
aí é que se conhece
quem é amigo da gente.
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(Aloísio Alves da Costa)
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Mulher e pássaro, capa da revista Vogue, junho de 1921.–
Morena, linda morena
de lábios cor de carmim,
quero saber se teus olhos
sorriem só para mim.
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(Ângela Maria)
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Menina no lago, ilustração de Martta Wendelin.–
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Adelmar Tavares
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A gente nunca está só.
Ou se está com uma saudade
De um sonho desfeito em pó;
Ou se está com uma esperança
De nova felicidade
No coração que não cansa…
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Sempre uma sombra com a gente,
Constantemente,
Uma sombra… Boa… ou má…
Só é que nunca se está.
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Em: Poemas para a Infância: antologia escolar, editado por Henriqueta Lisboa, s/d, São Paulo: Edições de Ouro, p. 59
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Capa da revista Fruit, Garden & Home, novembro de 1923.–
Saibam que a felicidade
raramente é percebida,
porque ela só é encontrada,
nas coisas simples da vida.
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(Anônimo)
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Ilustração Clarence Coles Phillips.–
Não tens mais do que mereces,
homem fraco e pequenino,
porque tu mesmo é que teces
a teia do teu destino.
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(Ariston Teles)
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Bernard Rolland (França, contemporâneo)
acrílica sobre tela
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Maria Pagano de Botana
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Se o vento desfolhar do teu jardim as rosas
E as deixar pelo chão espalhadas à toa,
Cruza os braços, fitando as roseiras graciosas,
— E a maldade do vento, em silêncio, perdoa!
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Se a poeira vier ferir teus olhos, na estrada,
Deixa que o teu olhar tranquilamente doa,
Eleva para o azul as pálpebras, mais nada…
— E a maldade do pó, com ternura, perdoa!
–
Se alguém encher de fel teu coração dorido,
Sem que do teu pesar um dia se condoa,
Não maldigas: esquece o insulto recebido,
E a maldade do mundo, em lágrimas, perdoa!
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Em: 232 Poetas Paulistas:antologia, ed. e col. Pedro de Alcântara Worms, São Paulo, Conquista: 1968, p. 342.
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Maria Pagano de Botana ( Pederneiras, SP, 1909) [ Baronesa de Santa Inês] Poeta, cronista, professora, jornalista . Pseudônimos: Marlon, Maria do Rosário.
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Obras:
Do sonho à realidade, crônicas, 1945
Canteiro humilde, pensamentos, 1948
Amor fonte de vida, poesia, 1950
Luzes e imagens, 1972, biografia romanceada
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Agostinho Batista de Freitas (Brasil, 1927-1997)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
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es
Martins Fontes
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Tenho o orgulho dos nossos altiplanos.
Tenho a paixão da gleba circunscrita.
Quero morrer, ouvindo a voz bendita
Dos pausados cantares paulistanos.
De minha terra, para minha terra,
Tenho vivido. Meu amor encerra
A adoração de tudo quanto é nosso.
Por ela, sonho num perpetuo enlevo.
E, incapaz de servi-la quanto devo,
Quero ao menos e amá-la quanto posso.
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Em: 232 Poetas Paulistanos: antologia, Pedro de Alcântara Worms, Rio de Janeiro, Conquista:1968, p. 130
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Julia lendo e descansando na praia, s/d
Nancy Salamouny (Líbano, contemporânea)
http://nancysalamouny.blogspot.com
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Carlos Pena Filho
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Ei-la ao sol, como um claro desafio
ao tenuíssimo azul predominante.
Debruçada na areia e assim, diante
do mar, é um animal rude e bravio.
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Bem perto, há um comentário sobre estio,
mormaço e sonolência. Lá, distante,
muito vagos indícios de um navio
que ela talvez contemple nesse instante.
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Mas o importante mesmo é o sol, que esse desliza
por seu corpo salgado, enxuto e belo,
como se nuvem fosse, ou quase brisa.
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E desce pelos seus braços, e rodeia
seu brevíssimo e branco tornozelo,
onde se aquece e cresce, e se incendeia.
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Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição.
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Carlos Pena Filho nasceu no Recife, em 1929. Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.
Obras:
O tempo da busca, 1952
Memórias do boi Serapião, 1955
A vertigem lúcida, 1958
Livro geral (obra reunida), 1959
Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983