Serenata, ilustração de Elizabeth Jones, para American Girl, abril de 1935
Quer ser feliz? Então siga
a minha vida bizarra,
que tem muito de formiga
e ainda mais de cigarra…
(Luiz Otávio)
Quer ser feliz? Então siga
a minha vida bizarra,
que tem muito de formiga
e ainda mais de cigarra…
(Luiz Otávio)
Grace Rose, 1866
Frederick Sandys (Inglaterra, 1829-1904)
óleo sobre madeira, 28 x 24 cm
Yale Center for British Art, EUA
Francisca Júlia
Cheio de folhas, úmido de orvalho.
Fresco, à beira de um córrego crescia
Jovem pé de roseira em cujo galho
Uma rosa sorria.
O orvalho matinal que o beija e molha,
Desce de cima em brancas névoas finas.
E todo pé salpica, folha a folha,
De gotas pequeninas.
Beija-o o perfumeo Zéfiro, que passa,
O grupo de falenas que anda à toa,
A borboleta clara que esvoaça,
E o pássaro que voa.
Uma moça gentil sentiu anseio
De possuir a rosa e teve mágoa
De não poder colhê-la, com receio
De molhar os pés na água.
A roseira agitou a coma e opima,
Estremeceu, embriagada e douda,
Sob os raios do sol que lá de cima
A iluminavam toda.
A moça foi-se; o ar estava morno;
Mansamente o crepúsculo descia;
Uma abelha zumbiu36 da rosa em torno;
Lento, expirava o dia…
Porém nessa hora a ventania brava
Que veio do alto impetuosamente,
Arranca a flor do ramo em que se achava
E joga-a na corrente.
E a flor caiu no meio do riacho;
Do vento rijo foi sofrendo o açoite,
E escorregando em prantos, água abaixo,
Na tristeza da noite.
Nenhuma flor pode salvar-lhe a vida;
Na água desceram, entretanto, algumas;
E a flor morreu aos poucos, envolvida
Num círculo de espumas.
Em: Livro da Infância, Francisca Júlia da Silva, 1899, em domínio público
Paisagem
Jorge de Mendonça (Brasil, 1879-1933)
óleo sobre tela, 40 x 50 cm
Adélia Prado
Uma ocasião,
meu pai pintou a casa toda
de alaranjado brilhante.
Por muito tempo
moramos numa casa,
como ele mesmo dizia,
constantemente amanhecendo.
É tão bom ser tua filha,
me espelhar em teu caminho,
desta vida, és maravilha,
espalhando teu carinho.
(Carmen Pio)
Ninguém nasce, filho ou Pai,
já prontinho e acabado;
dia a dia é que se vai
sendo aos poucos lapidado.
(Amilton Monteiro)
Jovem grega próximo à fonte, 1850
Jean-Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)
óleo sobre tela, 55 x 39 cm
Louvre
Vicente de Carvalho
“Deixa-me, fonte!” Dizia
A flor, tonta de terror.
E a fonte, sonora e fria
Cantava, levando a flor.
“Deixa-me, deixa-me, fonte!”
Dizia a flor a chorar:
“Eu fui nascida no monte…
“Não me leves para o mar.”
E a fonte, rápida e fria,
Com um sussurro zombador,
Por sobre a areia corria,
Corria levando a flor.
“Ai, balanços do meu galho,
“Balanços do berço meu;
“Ai, claras gotas de orvalho
“Caídas do azul do céu!…”
Chorava a flor, e gemia,
Branca, branca de terror.
E a fonte, sonora e fria,
Rolava, levando a flor.
“Adeus, sombra das ramadas,
“Cantigas do rouxinol;
“Ai, festa das madrugadas,
“Doçuras do pôr do sol;
“Carícias das brisas leves
“Que abrem rasgões de luar…
“Fonte, fonte, não me leves,
“Não me leves para o mar!”
*
As correntezas da vida
E os restos do meu amor
Resvalam numa descida
Como a da fonte e da flor….
Em: Rosa, Rosa de Amor, 1902
Num retrato amarelado,
a saudade em mim se deu.
Ontem tinha o pai ao lado
Sem ele, hoje, o pai sou eu.
(José Feldman)
Toda criança constrói
um mundo feliz, sem medo.
Foste, pai, o meu herói
do meu mundo de brinquedo.
(Nilci Guimarães)
Amigo está sempre a fim
de amparar, se a gente cai;
eu tive um amigo assim:
– esse amigo era meu pai!
(Albertina Moreira Pedro)