Toda criança constrói
um mundo feliz, sem medo.
Foste, pai, o meu herói
do meu mundo de brinquedo.
(Nilci Guimarães)
Toda criança constrói
um mundo feliz, sem medo.
Foste, pai, o meu herói
do meu mundo de brinquedo.
(Nilci Guimarães)
Amigo está sempre a fim
de amparar, se a gente cai;
eu tive um amigo assim:
– esse amigo era meu pai!
(Albertina Moreira Pedro)
Paisagem Primaveril em São Conrado, RJ
Pedro Bruno (Brasil,1888-1949)
óleo sobre madeira, 32 X 41cm
João Guimarães Rosa
Por entre as ameias da cordilheira
dormida,
a lua se esgueira,
como um lótus branco
na serra de dorso de um crocodilo,
brincando de esconder.
Dá para o alto um arranco,
repentino,
de balão sem lastro.
E sobe, mais clara que as outras luas,
quase um sol frio,
redonda, esvaindo-se, derramando,
esfarelando luz pelos rasgões,
do bojo farpeado nas pontas da montanha.
Em: Magma, primeiro livro de João Guimarães Rosa, 1936, premiado em concurso pela Academia Brasileira de Letras, mas só publicado seis décadas mais tarde: em 1996, pela Nova Fronteira.
Ser pai, é ter na verdade,
um pouco de amo e tutor,
é ter além da hombridade,
ingênuos gestos de amor.
(Fabiano Wanderley)
Discreta, naturalmente,
minha ternura se trai,
ante um tiquinho de gente
que me chama de “Papai”!
(Cesídio Ambrogi)
Figura feminina, moça na cadeira de balanço, 1912
Rodolfo Amoedo (Brasil, 1857-1941)
óleo diluido sobre papel, 23 x 30 cm
Fagundes Varela
Desde a quadra a mais antiga
De que rezam pergaminhos,
Cantam a mesma cantiga
Na floresta os passarinhos.
Têm o mesmo aroma as flores,
Mesma verdura as campinas,
A brisa os mesmos rumores,
Mesma leveza as neblinas.
Tem o sol as mesmas luzes,
Tem o mar as mesmas vagas,
O deserto as mesmas urzes,
A mesma dureza as fragas.
Os mesmos tolos o mundo,
A mulher, o mesmo riso,
O sepulcro o mesmo fundo,
Os homens o mesmo siso.
E neste insípido giro,
Neste voo sempre a esmo,
Vale a pena, sem seu retiro,
Cantar o poeta, mesmo?
Tão forte nos abraçamos,
confundidos no entrelaço,
que eu acho até que trocamos
de corações nesse abraço!
(Almerinda Liporage)
Ferreira Gullar
Menina passarinho,
que tão de mansinho
me pousas na mão
Donde é que vens?
De alguma floresta?
De alguma canção?
Ah, tu és a festa
de que precisava
este coração!
Sei que já me deixas
e é quase certo
que não voltas, não.
Mas fica a alegria
de que houve um dia
em que um passarinho
me pousou na mão.
Os anos entram e saem,
o tempo leva-os a fio,
como essas folhas que caem
na correnteza do rio…
(Gomes Leite)