Ilustração de Victor Tchetchet, década de 1930.
Morre a prece na garganta
como um travo de vinagre…
Vou procurar outra santa,
que a minha não faz milagre.
(Nair Starling)
Ilustração de Victor Tchetchet, década de 1930.
Morre a prece na garganta
como um travo de vinagre…
Vou procurar outra santa,
que a minha não faz milagre.
(Nair Starling)
Ilustração de Michael Silver.
Saudade, quase se explica
Nesta trova que te dou:
Saudade é tudo que fica
Daquilo que não ficou.
(Luís Otávio)
Moça com chapéu de palha, Ilustração de Harrison Fisher.
Na vida que vou vivendo,
Muitas coisas aprendi;
E, afinal, fiquei sabendo:
Não posso passar sem ti.
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969)
óleo sobre tela, 65 x 55 cm
Coleção Particular
Mariel Fernandes Toda vida é crônica.
Anna Razumovskaya (Rússia, contemporânea)
Marialzira Perestrello
A poesia é minha oração
meu modo de rezar
meu Magnificat
meu Te Deum
meu De Profundis
meu Requiem
A poesia é minha prece.
Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 26
Nestor se distrai, ilustração Disney.
Não bata assim, coração!
Cuidado!… Jamais me assuste,
pois uma nova ilusão
pode ser um novo embuste.
(Zeni de Barro Lana)
Desconheço a autoria dessa ilustração.
Cleómenes Campos
Amigo, faze o bem: esse prazer dispensa
a maior recompensa:
— Aqueles frutos saborosos
que o teu vizinho colhe, às vezes, a cantar,
custaram com certeza, os trabalhos penosos
de alguém que já sabia
que nunca em sua vida, os colheria…
Mas nem por isso os deixou de plantar.
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 87.
Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)
óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm
National Gallery, Washington, DC
Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.
Ilustração de Fabius Lorenzi.
Existem coisas na vida
Que não posso compreender:
— Como é que sendo esquecida,
Não te consigo esquecer!
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Ilustração de Russell Strambrook.
Paulo Setúbal
Foi pelo tempo alegre da moenda,
Quando aos quinze anos, tudo nos sorria,
Que nós tecemos, juntos, na fazenda,
Toda uma história de infantil poesia.
E sob um pessegueiro, amplo e robusto,
Cheio de frutos e de passarinhos,
Foi que nós ambos, pálidos de susto,
Nos encontramos certa vez, sozinhos.
Tão confusos, tão tímidos ficamos,
Ao vermo-nos juntinhos no pomar,
Que nós, olhando os pêssegos nos ramos,
Nem tínhamos coragem de falar.
Mas de repente — que ventura louca!
Ela sorriu-me, trêmula de pejo,
E eu lhe furtei da pequenina boca,
Um pequenino e delicioso beijo…
Foi desde então que na minh’alma eu trouxe,
Como lembrança desse amor fagueiro,
Esse beijinho estaladinho e doce,
Que nós trocamos sob o pessegueiro.
Em: Alma cabocla,Poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 87-88