Trova da nova santa

7 03 2016

 

710ba6bda638e540800f915aef38c7b4Ilustração de Victor Tchetchet, década de 1930.

 

 

Morre a prece na garganta

como um travo de vinagre…

Vou procurar outra santa,

que a minha não faz milagre.

 

 

(Nair Starling)





Trova da saudade

5 03 2016

 

saudade, michael silverIlustração de Michael Silver.

 

 

Saudade, quase se explica

Nesta trova que te dou:

Saudade é tudo que fica

Daquilo que não ficou.

 

(Luís Otávio)





Trova do aprendizado

19 02 2016
moça chapéu de palha Harrison Fisher (1875 - 1934)Moça com chapéu de palha, Ilustração de Harrison Fisher.

 

 

Na vida que vou vivendo,

Muitas coisas aprendi;

E, afinal, fiquei sabendo:

Não posso passar sem ti.

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)





Sublinhando…

17 02 2016

 

 

ALICE SOHIER-Lembranças,Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969),Óleo sobre tela, 65 x 55 cm, Coleção ParticularLembranças

Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969)

óleo sobre tela, 65 x 55 cm

Coleção Particular

 

 

“Requinte é um requisito da simplicidade.”

 

 

Mariel Fernandes  Toda vida é crônica.





Oração, poesia de Marialzira Perestrello

16 02 2016

 

silentprayerOração silenciosa

Anna Razumovskaya (Rússia, contemporânea)

 

 

Oração

 

Marialzira Perestrello

 

 

A poesia é minha oração

meu modo de rezar

meu Magnificat

meu Te Deum

meu De Profundis

meu Requiem

A poesia é minha prece.

 

 

 

Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 26





Trova do meu coração

14 02 2016

 

amor, atração, lendo, revista, parque,Nestor se distrai, ilustração Disney.

 

 

Não bata assim, coração!

Cuidado!… Jamais me assuste,

pois uma nova ilusão

pode ser um novo embuste.

 

 

(Zeni de Barro Lana)





Elogio do Bem, poesia de Cleómenes Campos

10 02 2016

 

colheita de frutasDesconheço a autoria dessa ilustração.

 

Elogio do bem

Cleómenes Campos

 

 

Amigo, faze o bem: esse prazer dispensa

a maior recompensa:

 

— Aqueles frutos saborosos

que o teu vizinho colhe, às vezes, a cantar,

custaram com certeza, os trabalhos penosos

de alguém que já sabia

que nunca em sua vida, os colheria…

 

Mas nem por isso os deixou de plantar.

 

 

Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 87.





Sublinhando…

9 02 2016

 

Jean-Baptiste-CamilleCorot, Young girl reading, 1868, National Gallery of Art, Washington, DC (2)Jovem lendo, 1868

Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)

óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm

National Gallery, Washington, DC

 

 

“Fechar ao mal de amor a nossa alma adormecida
é dormir sem sonhar, é viver sem ter vida…”

 

 

Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.

 





Trova do esquecimento

8 02 2016

 

moça com chapéu sentada, buda,Fabius LorenziIlustração de Fabius Lorenzi.

 

 

Existem coisas na vida

Que não posso compreender:

— Como é que sendo esquecida,

Não te consigo esquecer!

 

 

(Maria Thereza de Andrade Cunha)





Sob um pessegueiro, poesia de Paulo Setúbal

4 02 2016

 

 

amor, romance, Russell Sambrook (1891 – 1956)Ilustração de Russell Strambrook.

 

 

Sob um pessegueiro

Paulo Setúbal

Ao Ademar, irmão e amigo

 

 

Foi pelo tempo alegre da moenda,

Quando aos quinze anos, tudo nos sorria,

Que nós tecemos, juntos, na fazenda,

Toda uma história de infantil poesia.

 

E sob um pessegueiro, amplo e robusto,

Cheio de frutos e de passarinhos,

Foi que nós ambos, pálidos de susto,

Nos encontramos certa vez, sozinhos.

 

Tão confusos, tão tímidos ficamos,

Ao vermo-nos juntinhos no pomar,

Que nós, olhando os pêssegos nos ramos,

Nem tínhamos coragem de falar.

 

Mas de repente — que ventura louca!

Ela sorriu-me, trêmula de pejo,

E eu lhe furtei da pequenina boca,

Um pequenino e delicioso beijo…

 

Foi desde então que na minh’alma eu trouxe,

Como lembrança desse amor fagueiro,

Esse beijinho estaladinho e doce,

Que nós trocamos sob o pessegueiro.

 

 

Em: Alma cabocla,Poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 87-88