Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969)
óleo sobre tela, 65 x 55 cm
Coleção Particular
“Requinte é um requisito da simplicidade.”
Mariel Fernandes Toda vida é crônica.
Alice Ruggles Sohier (EUA, 1880-1969)
óleo sobre tela, 65 x 55 cm
Coleção Particular
Mariel Fernandes Toda vida é crônica.
Anna Razumovskaya (Rússia, contemporânea)
Marialzira Perestrello
A poesia é minha oração
meu modo de rezar
meu Magnificat
meu Te Deum
meu De Profundis
meu Requiem
A poesia é minha prece.
Em: Mãos Dadas, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Nova Fronteira: 1989, p. 26
Nestor se distrai, ilustração Disney.
Não bata assim, coração!
Cuidado!… Jamais me assuste,
pois uma nova ilusão
pode ser um novo embuste.
(Zeni de Barro Lana)
Desconheço a autoria dessa ilustração.
Cleómenes Campos
Amigo, faze o bem: esse prazer dispensa
a maior recompensa:
— Aqueles frutos saborosos
que o teu vizinho colhe, às vezes, a cantar,
custaram com certeza, os trabalhos penosos
de alguém que já sabia
que nunca em sua vida, os colheria…
Mas nem por isso os deixou de plantar.
Em: Poesia Brasileira para a Infância, Cassiano Nunes e Mário da Silva Brito, São Paulo, Saraiva: 1967, Coleção Henriqueta, p. 87.
Jean Baptiste Camille Corot (França, 1796-1875)
óleo sobre papelão sobre madeira, 32 x 41 cm
National Gallery, Washington, DC
Menotti del Picchia (Brasil, 1892-1988) em Juca Mulato.
Ilustração de Fabius Lorenzi.
Existem coisas na vida
Que não posso compreender:
— Como é que sendo esquecida,
Não te consigo esquecer!
(Maria Thereza de Andrade Cunha)
Ilustração de Russell Strambrook.
Paulo Setúbal
Foi pelo tempo alegre da moenda,
Quando aos quinze anos, tudo nos sorria,
Que nós tecemos, juntos, na fazenda,
Toda uma história de infantil poesia.
E sob um pessegueiro, amplo e robusto,
Cheio de frutos e de passarinhos,
Foi que nós ambos, pálidos de susto,
Nos encontramos certa vez, sozinhos.
Tão confusos, tão tímidos ficamos,
Ao vermo-nos juntinhos no pomar,
Que nós, olhando os pêssegos nos ramos,
Nem tínhamos coragem de falar.
Mas de repente — que ventura louca!
Ela sorriu-me, trêmula de pejo,
E eu lhe furtei da pequenina boca,
Um pequenino e delicioso beijo…
Foi desde então que na minh’alma eu trouxe,
Como lembrança desse amor fagueiro,
Esse beijinho estaladinho e doce,
Que nós trocamos sob o pessegueiro.
Em: Alma cabocla,Poesias de Paulo Setúbal, Paulo Setúbal, São Paulo, Ed. Carlos Pereira:s/d, 5ª edição [ Primeira edição foi em 1920]p. 87-88

Na biblioteca há mil sábios
a nosso inteiro dispor.
Sem querer mover os lábios,
cada livro é um professor.
(A. A. de Assis)
Malcolm Liepke (EUA, 1953)
Litografia, 47 x 58 cm
Carvalho Júnior
Odeio as virgens pálidas, cloróticas,
Beleza de missal que o romantismo
Hidrófobo apregoa em peças góticas,
Escritas nuns acessos de histerismo.
Sofismas de mulher, ilusões óticas,
Raquíticos abortos do lirismo,
Sonho de carne, compleições exóticas,
Desfazem-se perante o realismo.
Não servem-me esses vagos ideais
Da fina transparência dos cristais,
Almas de santa e corpo de alfenim.
Prefiro a exuberância dos contornos,
As belezas da forma, sem adornos,
A saúde, a matéria, a vida enfim.
Em: Antologia dos Poetas Brasileiros da Fase Parnasiana, editado por Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro: 1951, p. 56
Francisco Antônio de Carvalho Júnior (Brasil, 1859-1929)
Tarsila do Amaral (Brasil, 1886-1973)
Heitor Moreira
Era noite de gala. Nos silvedos
Rondavam pirilampos indiscretos.
E a luz desses notívagos insetos
Dançava iluminando os arvoredos.
Sonambulava a terra e os seus penedos,
Beijados por alíseos desinquietos,
Eram como castelos irriquietos
Pompeando a graça austera dos rochedos.
No estábulo da Fé, vagindo ao vento,
Nasce de ventre santo e imaculado
A afirmação cristã do pensamento…
E nascera Jesus, para as torturas
De sopesar, sustento desvairado,
As nossas irmanadas desventuras.
Em: Ritmos e Rimas, Heitor Moreira, Rio de Janeiro: 1950
Heitor Moreira
Obras:
Templos de Sonhos, poesia
Ritmos e Rimas, poesia, 1950