
Quem diria…
Alzira Chagas Carpigiani
O gambá agora
anda elegante,
passa até perfume
e desodorante.
Ele pôs um fim
na tal história
do fedor danado.
Quer saber por quê?
Eu conto o segredo:
– O gambá cheiroso
está apaixonado!

Alzira Chagas Carpigiani
O gambá agora
anda elegante,
passa até perfume
e desodorante.
Ele pôs um fim
na tal história
do fedor danado.
Quer saber por quê?
Eu conto o segredo:
– O gambá cheiroso
está apaixonado!
Ilustração de Rosa C. Petherick
Feliz de quem – afinal
consegue na humana trilha,
ver que o brilho do Natal
surge da luz da partilha.
(Regina Célia de Andrade)

Sinto a presença divina
em tudo que me rodeia:
na vibração matutina,
num sabiá que gorjeia!
(Clarindo Batista)
Ilustração de Margret Boriss
Eu tenho na alma um dueto
que qual à Trova, arrebata.
É na Poesia o Soneto,
é na Música a Sonata!
(Dorothy Jansson Moretti)
Ilustração David Parkins.
João Cabral de Melo Neto.
Ilustração Jimmy Liao.
Trem-de-ferro, o teu apito
lembra-me um sino plangente:
tanta mágoa no teu grito,
tanta saudade na gente!
(Dorothy Jansson Moretti)

Passeia a sombra
No abismo do chão
Sem deixar rastro.
[43]
Barulho do céu
Sobre o luar da montanha.
Cochicha o silêncio.
[61]
Invade o meu leito
A brisa da Primavera
Sem me conhecer.
[22]
As flores preferem
A pura água da chuva.
Guardo o regador.
[61]
Veio da montanha
O ruído do silêncio
Acordar o nada
[52]
Em: O olhar de Buda: haicais, Sonia Carneiro Leão, 2018, páginas em [colchetes].
Desconheço a autoria dessa ilustração.
Ferreira Gullar
Dizem que gato não pensa
mas é difícil de crer.
Já que ele também não fala
como é que se vai saber?
A verdade é que o Gatinho
quando mija na almofada
vai depressa se esconder:
sabe que fez coisa errada.
E se a comida está quente,
ele, antes de comer,
muito calculadamente
toca com a pata pra ver.
Só quando a temperatura
da comida está normal
vem ele e come afinal.
E você pode explicar
como é que ele sabia
que ela ia esfriar?
Bernard Boutet de Monvel (1881-1949) Elegante nos jardins de Versailles.
Vera Siqueira de Mello
Bendita seja a lágrima que rola
Pela face de alguém, que triste está,
Pois é ela, na vida que consola,
Que na aflição, maior alívio dá.
Sendo este mundo a verdadeira escola,
Onde aprendemos as lições da vida,
Devemos bendizer tão santa esmola,
Aos tristes e infelizes, concedida.
Vós, que seguis na vida, caminhando,
Ao fitardes a estrada percorrida
E fordes as tristezas recordando,
Não lastimeis a lágrima perdida,
Pois, feliz é aquele que, chorando,
Consegue aliviar uma ferida!
Em: Conflitos interiores, Vera Siqueira de Mello, 1938.

Sem resposta que conforte,
dúvida imensa me corta:
Qual o segredo da morte?
Fim? Partida? Porto? Porta?
(Alonso Rocha)