Ilustração, Griswold Tyng (American, 1883 – 1960)
O quanto te amo, querida,
nem às paredes confesso,
mas deixo a casa florida
esperando o teu regresso.
(Antonio Francisco Pereira)
Ilustração, Griswold Tyng (American, 1883 – 1960)
O quanto te amo, querida,
nem às paredes confesso,
mas deixo a casa florida
esperando o teu regresso.
(Antonio Francisco Pereira)
Dama com flores, (Década de 30)
Oswaldo Teixeira (Brasil, 1904 -1975)
óleo s cartão, 39 X 29 cm
Naide Vasconcelos
A tua mão pequena de escultura
é cópia da pérola mais rara
ou duma rosa branca a miniatura,
talhada em fino bloco de Carrara.
O mundo inteiro deslumbrado a encara
quando, soltando a cabeleira escura,
ostentas essa mão, mimosa e clara,
num glorioso esplendor de formosura.
Tua mão lembra as trêmulas papoulas,
as conchas de nacar, as verde algas
o aroma penetrante das caçoulas
Trabalho dum antigo colorista
a tua mão, que tem poses fidalgas,
foi feita para impressionar a vista.
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 298-9
Samambaias, foto: Ladyce West
Hélio Pellegrino
As samambaias
debruçadas no espaço
esplendem seu silêncio.
Que farta verdade
em seu verde farfalha!
Rio, 2/10/1980
Em: Minérios Domados, poesia reunida, Hélio Pellegrino, Rio de Janeiro, Rocco: 1993, p. 47.
Bolinha não tem um tostão.
Busca primeiro a virtude;
teu ouro, busca depois.
Quem não toma essa atitude
acaba perdendo os dois!
(Renata Paccola)
Paisagem
Galdino Guttman Bicho (Brasil, 1888 – 1955)
óleo sobre tela, 60 x 74 cm
Naide Vasconcelos
Senhor!
Tu que deste ao Brasil, prodigamente,
De par com toda sorte de belezas;
Que estonteiam os olhos e a mente,
As mais raras espécies de riquezas.
Tem-no sob Tua guarda! Pai clemente,
Não permita que as ríspidas torpezas
Dos flagelos maltratem-no… Consente
Que ele seja sem males nem cruzes.
Abençoa seus filhos. Extermina
O vício das suas almas, ilumina
Seus corações, e a todo o mal os cerra…
Assim, a minha Pátria idolatrada
Ficará, certamente, colocada
— Onde começa o céu e finda a terra.
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p. 298

Pra tirar o pó do amor
saiba que o melhor caminho
sequer passa pela dor:
basta um sopro de carinho.
(Adilson Roberto Gonçalves)
Tocando Violão, 2006
Tony Lima (Brasil, 1964)
óleo sobre tela, 80 x 60 cm
Elmano Queiroz
Não sei porque nas horas sossegadas,
Comove tanto a música das ruas.
Parece que, alta noite, essas baladas,
Relembra, coisas íntimas passadas
Em fases mais ditosas de outras luas.
Parece que o cantar do boêmio errante
Vai derramado pela noite fora,
Motivos simples de canções de outrora.
Reminiscências de lugar distante.
Uma capela rústica, pequena,
Ao pé do morro, entre árvores antigas…
Outras vozes simpáticas, amigas…
O luar na aldeia… as noites de novenas.
Os goivos das saudades que passaram
Ressuscitam, na alcova, a noite morta,
Quando esses boêmios passam pela porta,
Cantando essas canções, que outros cantaram.
Lembram noites da infância… A alma assustada…
Um tropel… um rumor… um bater d’asa…
As goteiras, chorando na calçada…
O caboré gemendo, atrás da casa…
Tudo desperta, no silêncio d’alma,
Quando passam cantando pela rua,
Na alcova, a insônia… lá por fora, a calma…
E na volúpia que da Lua transborda
A imagem da saudade branca e nua…
Depois, ao longe, um cão, que um ébrio acorda,
Fica na solidão ladrando à luz…
Em: A lira na minha terra: poetas antigos e contemporâneos no Pará, Clóvis Meira, Belém: 1993, p.114-5
Ilustração Equipe Mauricio de Souza.
Ganha mais brilho a vitória
quando o nobre vencedor,
no pódio da sua glória,
não humilha o perdedor!
(Alba Helena Corrêa)

Quando a folha seca e muda
segue no seu abandono,
ela abraça o vento e ajuda,
com arte, a pintar o outono.
(Lúcia Sertã)