
Depois que publiquei meu primeiro livro de poesias, todo mundo quer saber que poetas eu li, de quem eu gosto. A lista é grande. Mas aos poucos vou contando…. Obrigada pelo interesse.

Depois que publiquei meu primeiro livro de poesias, todo mundo quer saber que poetas eu li, de quem eu gosto. A lista é grande. Mas aos poucos vou contando…. Obrigada pelo interesse.

Campo de trigo com corvos, 1890
Vincent van Gogh (Holanda, 1853-1890)
óleo sobre tela, 101 x 50 cm
Van Gogh Museum, Amsterdã
Van Gogh III
Marialzira Perestrello
« Van Gogh le plus peintre de tous les peintres »
A. Artaud
Vincent-Antonin
Artaud-Van Gogh
Gênios, loucos?
Loucos geniais?
Eles queriam sua verdade
verdades vitais
mortais verdades
além de Tudo
aquém do Nada.
Não queriam a Morte
lutaram pela Vida
(Insanamente?)
Oh! Deus
como eram negros
aqueles corvos!
1990
Em: A música persiste, Marialzira Perestrello, Rio de Janeiro, Imago: 1995, p. 34
Mensageiro do amor, 1885
Marie Spartali Stillman (Inglaterra, 1844 -1923)
aquarela, têmpera, folha ouro sobre papel colado em madeira, 81 x 66 cm
Museu de Arte de Delaware
Ivan Junqueira (1934-2014)
Pois morrer é apenas isto:
cerrar os olhos vazios
e esquecer o que foi visto;
é não supor-se infinito,
mas antes fáustico e ambíguo
jogral entre a história e o mito;
é despedir-se em surdina,
sem epitáfio melífluo
ou testamento sovina;
é talvez como despir
o que em vida não vestia
e agora é inútil vestir;
é nada deixar aqui:
memória, pecúlio, estirpe,
sequer um traço de si;
é findar-se como um círio
em cuja luz tudo expira
sem êxtase nem martírio.
Em: O tempo além do tempo: antologia, Ivan Junqueira, organização e prefácio, Arnaldo Saraiva, Vila Nova de Famalicão, editora Quasi:2007, p.71

Saudade é um sutil recado
que a vida gosta de ler
nos bilhetes que o passado
não se cansa de escrever!…
(Mara Mellini)
Metrô, 1919
Walter Pach ( EUA, 1883-1958)
óleo sobre tela
Saint Louis Art Museum
Ira Etz
Eles se encontravam,
Ocasionalmente
Anônimos.
Pegavam o mesmo ônibus.
No começo,
se olhavam timidamente.
Aos poucos, os olhares
Tornaram-se
Mais expressivos, desejosos.
Não dava para adiar.
Marcaram encontro.
Passaram o Natal juntos.
Se deram de presente
Um ao outro.
Se amaram.
Ele perguntou,
Quer passar sua vida
Sempre assim?
Não!
Em: Ainda, Ira Etz, Editora Sete Letras, Rio de Janeiro:2022, p. 46
Gaúcho da serra
José Lutzenberger (Alemanha-Brasil, 1882- 1951)
aquarela, 19 x 26 cm
Museu de Arte do Rio Grande do Sul
Jorge de Lima
Nem chinas cantando,
nem violas gemendo,
nem ranchos,
nem fachos,
nem fandangos,
nem balaios,
nem violões,
nem habaneras de cordeonas.
— O pampeiro
e as almas penadas das taperas —
e as primeiras estrelas
que vieram assistir a noite escura
despencar de repente
lá do céu
sobre o pampa: pam! pa!
Em: Poesias Completas, Jorge de Lima, vol. IV, Rio de Janeiro, Cia. José Aguilar Editora: 1974. p. 30
Olegário Mariano
Quando à noite olho o céu desta larga janela,
Vejo através da talagarça da neblina,
Uma estrela infantil, inquieta e pequenina,
Que, por ser infantil, me parece mais bela.
Ora se esconde, ora ressurge, ora se inclina,
Aumentando o esplendor da sua cidadela.
Devo a Deus que me pôs em contato com ela,
O espírito do céu nessa graça divina.
E pergunto a mim mesmo, extasiado de vê-la:
Quem viverá no corpo ideal daquela estrela?
Quem nela se encarnou? Que destino era o seu?
Será o Amor que aquele ponto de ouro encerra?
Ou a Saudade que põe os olhos sobre a terra,
Por não poder voltar à terra onde nasceu?
Em: Toda uma vida de poesia — poesias completas, Olegário Mariano, Rio de Janeiro, José Olympio: 1957, volume 2 (1932-1955), p. 450.
Disseram que Tiradentes
fora apenas sonhador,
mas o sonho deu sementes:
e as sementes deram flor!
(Durval Mendonça)