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Diva Grassmann (Brasil, 1928)
óleo sobre tela, 38 x 55 cm
Michael J. Downs (Canadá, contemporâneo)
O céu de hoje
Tem cor de melancolia
Tem a cara do poeta
Tem nuvens repletas de poesia
E um sol tímido entre frestas.
Marina Lobo
De uma fresta do edredom, vejo a moça peladona da previsão do tempo sorrir ao dizer: “Hoje teremos a madrugada mais fria do ano!” Ela deve ter algum problema, claro. Só pinguins, piriguetes e donos de restaurantes de fondue sorriem com o frio. Olho pro céu cinza e espirro. De novo. Para enfrentar o inverno, é preciso mau-humor e um tanto de roupa! Tirar tudo isso e entrar no chuveiro é coisa pra macho! Lavar o cabelo comprido à noite, é só pra quem é corajoso ou feliz de mais! Trocar o pijama e sair pra trabalhar, é atestado de coragem insana profunda. Eu sigo aqui nada pelada, equipada com três casacos, uma rinite, meia gripe e muitas saudades do cara que grita “Olha o mate!” no verão pelado de Ipanema.
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Igreja da Matriz, Cambuquira, 1963
José Maria de Almeida (Portugal, 1906- Brasil, 1995)
óleo sobre tela, 38 x 55 cm
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Sandra Nunes (Brasil, contemporânea)
óleo sobre tela, 60 x 80 cm
Nikolai Bogdanov-Belsky (Rússia, 1868-1945)
óleo sobre tela
Teodoro de Morais
Dois soldados faziam exercícios de tiro e não conseguiam acertar no alvo. Um oficial que vinha passando, parou e ficou a observá-los. Vendo que as balas se perdiam, aproximou-se dos recrutas e os admoestou:
— “Que falta de jeito a de vocês! Como acertar sem alvejar? Apontem primeiro… Vocês precisam aprender a dormir na pontaria. Sem isso, babau! é bala perdida… Vejam, é assim”.
O oficial toma um dos fuzis e atira. A bala passa à direita do alvo. O instrutor oficioso não se desconcerta. Volta-se para o soldado e diz:
–“Viu, seu bicho? Era assim que você estava atirando”.
Aponta a segunda vez, dispara a arma, e a bala recalcitrante passa à esquerda do alvo. O oficial não se dá por achado nem perde o entono. Volta-se para o segundo recruta e diz:
–“Viu você também seu desajeitado? Era assim que você estava atirando”.
Enfim, uma terceira bala atinge o alvo. Diz então o oficial aos dois recrutas boquiabertos de admiração:
–“Aí está como eu atiro. Aprendam. Não é difícil”.
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Em: Flor do Lácio,[antologia] Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário)p. 260
Theodoro Jeronymo Rodrigues de Moraes (Brasil, 1877-1956)Professor paulista. Formado pela Escola Normal Secundária de São Paulo, em 1906.
Obras:
A leitura analítica, 1909
Como ensinar leitura e linguagem nos diversos anos do curso preliminar, 1911
Meu livro: primeiras leituras de acordo com o método analítico, 1909
Meu livro: segundas leituras de acordo com o método analítico, 1910
Cartilha do operário: para o ensino da leitura…, 1918 e 1924
Sei ler: leituras intermediárias, 1928
Sei ler: primeiro livro, 1928
Sei ler: segundo livro , 1930
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Daltro Borowski (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 35 x 45 cm