Colette Pujol (Brasil, 1913-1999)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Natureza morta com arraia, 1728
Jean-Baptiste-Siméon Chardin (França, 1699-1779)
óleo sobre tela, 114 x 146 cm
Museu do Louvre, Paris
Odylo Costa Filho
No fechado silêncio dos objetos
mais simples mora um toque de magia.
De um só tijolo nasce a casa: afetos,
barro, sol, água, mesa, moradia,
e a presença tenaz das mãos humanas
afeiçoando o mistério da existência
e dando às coisas mais cotidianas
senso de vida — e de sobrevivência.
Chardin, quando há dois séculos viveu,
uma arraia pintou, disforme, aberta
em sangue e dentes, agressiva e forte.
Veio o tempo e com ele emudeceu
muita moda que a glória julgou certa.
Aquela arraia sobrevive à morte.
Em: Boca da noite, Odylo Costa Filho, Rio de Janeiro, Salamandra: 1979, p. 47
Edward B. Gordon (Alemanha, 1966)
óleo sobre madeira
Essa expressão, tão comum, não parece conter toda uma atitude diante do mundo.
“Quer um café?”
“Não faço questão. Como você quiser.”
Ora, não é difícil saber se queremos tomar o café que alguém nos oferece. A incapacidade de decidir sobre coisa tão simples pode indicar algo maior do que uma hesitação. Pode ser indiferença. Anemia afetiva. Medo de se comprometer. Essa bem pode estar sendo nossa atitude, hoje, diante do mundo. Passiva. Que deixa correr. E isso é perigoso. O mundo pede emoção e inteligência. Espera que façamos questão dele. Eis a questão.
Em: “Não faço questão”, Márcio Tavares D’Amaral, O Globo, 24/10/2015, 2º caderno, página 2.
Paisagem carioca com o Corcovado ao fundo
Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)
óleo sobre cartão, 11 x 16 cm