Duas irmãs, uma maravilhosa dupla, em Uma bela escapada, de Anna Gavalda

22 08 2011

A leitura, 1889

Pierre Auguste Renoir ( França, 1841-1919)

pastel sobre papel

Segue abaixo uma passagem que achei particularmente charmosa, na descrição de duas irmãs, (Lola e Garance) do livro Uma bela escapada, de Anna Gavalda, [Rocco: 2011] traduzido do francês por Pedro Afonso Vasquez, cuja resenha postei no dia 11 deste mês.  Para aqueles que se preocupam com a boa escrita, com o exercício de narração, esse é um exemplo maravilhoso de texto de comparação e contraste.  Este é um livro muito pequenino, 140 páginas, mas cheio de preciosos momentos.  Vejam, Garance descevendo a irmã Lola  e a si mesma…

Hoje ela é minha melhor amiga. Aquela parada tipo Montaigne  e La Boétie, sabem como é…   Porque era ela, porque era eu.  E o fato de que essa jovem mulher de trinta e dois anos seja minha irmã mais velha é puramente anedótico.  Digamos que no sentido que nós não perdemos tempo ao tentar nos encontrar. 

Para ela os Ensaios, as super teorias em que uma pessoa é punida por se obstinar e que filosofar é aprender a morrer.  Para mim, o Discurso sobre a servidão voluntária, os abusos infinitos e todos esses tiranos que são grandes apenas porque estamos de joelhos.  Para ela, o verdadeiro conhecimento, para mim os tribunais.  Para ambas, a impressão de ser a metade de um todo e que uma sem a outra não passaria de uma metade.

No entanto, somos muito diferentes…  Ela tem medo da própria sombra, eu sento em cima dela.  Ela copia sonetos, eu faço downloadsde música na internet.  Ela admira os pintores,  eu prefiro os fotógrafos.  Ela nunca diz o que está realmente pensando, eu digo tudo que me passa pela cabeça.  Ela não gosta de conflitos, eu gosto que as coisas estejam bem claras.  Ela gosta de ficar “um pouco alta”, eu prefiro beber seriamente.  Ela não gosta de sair, eu não gosto de voltar.  Ela não sabe se divertir, eu não sei dormir.  Ela não gosta de jogar, eu não gosto de perder.  Ela tem enormes braços protetores, eu tenho a bondade um pouco escaldada.  Ela nunca se irrita, eu sempre perco o juízo.

Ela afirma que o mundo pertence aos que se levantam cedo da cama, eu suplico que ela fale mais baixo.  Ela é romântica, eu sou pragmática.  Ela é casada, eu vivo ciscando. Ela não consegue dormir com um homem pelo qual não esteja apaixonada, eu não posso dormir com um homem que não use camisinha.   Ela…  Ela precisa de mim e eu preciso dela.

Ela não me julga.  Ela me aceita como sou, com minha tez acinzentada e minhas idéias negras, ou com minha tez rosada e minhas idéias floridas.  Lola sabe o que é uma grande vontade de um longo ou de saltos altos.  Ela compreende  o prazer que existe em aquecer ao máximo um cartão de crédito e de se culpabilizar até a morte quando ele se esfria.  Lola me mima.  Ela segura a cortina quando estou no provador e diz que sou linda e que não, minha bunda não está grande demais.  Ela sempre me pergunta como andam os meus amores e sempre fica emburrada quando falo dos meus amantes. 

….

Páginas: 48-50

Notas do tradutor:

Ensaios: [“Les Essais”] foi a principal obra do escritor e filósofo francês Michel de Montaigne  (1533-1592), composta por três volumes de conteúdo bastante variado e redigidos entre 1572 e 1595.

Discurso sobre a servidão voluntária [“Discours de la servitude volontaire”] obra panfletária sobre o absolutismo, escrita aos 18 anos de idade por Etienne de la Boétie (1530-1563), porém publicada apenas postumamente, em 1576.  La Boétie era grande amigo de Montaigne, que o acompanhou até o leito de morte e foi o responsável pela posterior difusão de sua obra.

Nota da peregrina:

Essas obras de autores franceses fazem parte da leitura obrigatória em filosofia dos cursos de ensino médio com concentração em literatura e filosofia na França.  O leitor francês, para quem a obra é dirigida, estaria facilmente familiarizado com os princípios de cada uma das obras citadas.





Imagem de leitura — Miklos Barabas

20 08 2011

Duas crianças nobres com livro, s/d

Atribuído a Miklos Barabas (Hungria, 1810-1898)

óleo sobre tela,  71 x 84

Leon Wilnitsky Gallery,  Austria

http://www.altekunst-vienna.com/

Miklos Barabas nasceu em Kézdimárkosfalva em 1810 foi um famoso pintor retratista na Hungria.  Estudou na Academia de Viena, retornando ao seu país de origem em 1830. Mais tarde viajou para a Itália onde se dedicou aos estudos de pintura em Roma, Veneza, Florença e Nápoles.  Diretor da Sociedade de Artes de 1862 até sua morte em 1898.





Imagem de leitura — John Michael Carter

18 08 2011

 

Amélia dormindo, s/d

John Michael Carter ( EUA, contemporâneo)

óleo sobre tela,  50 x 75cm

www.johnmichaelcarter.com

John Michael Carter nasceu em Illinois nos Estados Unidos.  Entrou para a Academia Americana de Arte em Chicago em 1968.  Em 1970, mudou-se para Los Angeles completando seus estudos no Art Center College of Design de onde se formou em 1972.  Dedica-se a mutos gêneros de pintura entre eles pintura de gênero, paisagem,  cenas urbanas e principalmente ao retrato.  Professor de desenho em pintura é detentor de diversos prêmios.  Mais informações: www.johnmichaelcarter.com

 

 





No Paraíba — poesia infantil de Julinda Alvim

18 08 2011

Animais em beira de rio, s/d

Alexandre Reider ( Brasil, SP, 1973)

Óleo sobre tela

www.areider.com.br

No Paraíba

                 Julinda Alvim

Sulcando a plaga serena

à luz da manhã dourada,

numa cantiga magoada,

chora o rio a sua pena.

E uma bonita morena,

lavadeirinha engraçada,

canta saudosa balada,

descendo a margem amena.

Chega e depõe a bacia

de roupa.  Seu vulto espia

na flor do rio, cismando.

Volve, escuta os passarinhos.

Depois a nuvem de linhos

mergulha na água, cantado…

Em: Vamos estudar?3ª série primária – edição especial para o estado do Rio de Janeiro,  Theobaldo Miranda Santos, Rio de Janeiro, Agir: 1957





Imagem de leitura — Mark Lague

17 08 2011

Lendo no parque, s/d

Mark Lague ( Canada, 1964)

óleo sobre tela, 75 x 75 cm

Mark Lague nasceu em Lachine, Quebec em 1964.  Formou-se pela Univerisdade Concordia de Design em Montreal.  Dali trabalhou na industria de animação como designer e diretor.  Simultaneamente desenvolveu sua carreira de pintor incialmente como aquarelista, quando ganhou inúmeros prêmios.  No ano 2000, deu uma guinada e passou a trabalho com óleos.  Tendo sucesso, em 2002 passou a se dedicar exclusivamente à carreira de pintor.





Imagem de leitura — Douglas Gray

13 08 2011

Quatro de setembro, s/d

Douglas Gray ( Inglaterra, contemporâneo)

óleo sobre tela, 35 x 25 cm

www.douglasgray.co.uk

Douglas Gray nasceu em 1965 na Inglaterra.  Começou sua carreira nas artes visuais como ilustrador, passando depois para as artes plásticas.  Especialidades preferidas são as pinturas de gênero e paisagens urbanas.





Imagem de leitura — Borís Mijáilovich Kustódiev

12 08 2011

Homem lendo, s/d

Borís Mijáilovich Kustódiev (Rússia, 1878-1927)

óleo sobre tela

Borís Mijáilovich Kustódiev nasceu em Ashtrakan 1878. Estudou em um seminário teológico entre 1893-1896, onde também recebeu aulas particulares de pintura.  Expôs pela primeira vez no Salão das Artes em São Petersburgo em 1896.  Em 1904, viajou pela França e pela Espanha com bolsa da Academia Imperial; em 1907 esteve na Itália e 1909 viajou pela Áustria, Alemanha e França.  Além de pintor dedicou-se à ilustração de livros e revistas assim como à cenografia. Morreu em 1927 em Leningrado.





Imagem de leitura — Ernest Meissonier

11 08 2011

O leitor de branco, 1857

Ernest Meissonier (França, 1815-1891)

Óleo sobre tela

Museu do Louvre, Paris

Jean-Louis Ernest Meissonier nasceu em Lion em 1815.  Foi um pintor, ilustrador e escultor francês.  Estudou com Jules Potier, indo depois trabalhar no estúdio de Léon Cogniet.  Aos 19 anos começou a expor regularmente no Salão.  Pintor histórico, meticuloso e detalhista.  Morreu em Paris em 1891.

 





Imagem de leitura — Alain Pontecorvo

8 08 2011

O jornal da manhã, s/d

Alain Pontecorvo ( França, 1936)

guache

Alain Pontecorvo, ( França, 1936).  Começou a pintar profissionalmente em 1960 ainda estudante da Escola de Artes Decorativas de Paris.  Inspirado pela pintura dos século XVII na Holanda, dedica-se ao retrato, à pintura de gênero, numa maneira quase hiperrealista.





Imagem de leitura — John Singer Sargent

4 08 2011

Homem lendo, c. 1910

John Singer Sargent (EUA, 1856-1925)

Aquarela sobre carvão sobre papel,  35 x 53 cm

Fogg Art Museum, Cambrisge, Massachusetts

John Singer Sargent , nasceu em Florença na Itália, filho de pais americanos.  Estudou na Academia de Belas Artes de Florença de 1870 a 1874.   Logo depois partiu para a França, onde estudou com Emile Auguste Carolus Duran.   Mais tarde mudou-se definitivamente para Londres.  Um dos maiores retratistas da virada do século XIX e XX, John Singer Sargent foi um pintor prolífico produzindo mais de 900 óleos e mais de 2000 aquarelas, meio de pintura que favoreceu a vida inteira.  Al´me de retratista da sociedade influente européia, Sargent ficou também conhecido por suas maravilhosas aquarelas e sketches a carvão e lápis das grandes viagens a lugares exóticos que fez.   Com o passar dos anos tornou-se mais amplo em seus interesses passando a pintar paisagens e a fazer pinturas murais.  Morreu em 1925 em Londres.