Natureza morta com frutas do conde, s.d.
Werner Levin (Alemanha, 1920 – Brasil, 1996)
óleo sobre tela, 55 x 83 cm
Natureza morta com frutas do conde, s.d.
Werner Levin (Alemanha, 1920 – Brasil, 1996)
óleo sobre tela, 55 x 83 cm
Baía de Napoles do Posilipo, c.1770
Pietro Fabris (Itália, ativo 1740-1792)
óleo sobre tela, 75 x 128 cm
Compton Verney, GB
“Às onze horas, o trem entrava na estação de Nápoles. O frio continua forte, mas há sol em Nápoles.
“Vedere Napoli, poi morire“. Essa frase sugestiva inventada por um sentimental num belo por do sol de uma tarde de primavera, não está adequada para um frio dia de inverno como hoje. Nápoles é uma bela cidade, alegre, movimentada, cheia de vida. Tomei um automóvel e passei pelos lugares principais. As praias são bonitas, o Mediterrâneo é de um azul intenso, o porto cheio de chaminés de grandes e pequenos navios, as montanhas ao longe se confundem com o azul do céu; e de um lado, numa elevação, o Vesúvio lançava, para o ar, rolos de fumaça negra, vagaroso e concentrado, como um velho marinheiro sentado na porta de casa e cachimbando, enquanto o pensamento procura seguir o rasto da fumaça para países distantes, percorridos na mocidade. Tomei apartamentos no hotel Isotta-Genève, no quinto andar. Através da janela, vejo o Vesúvio sempre fumegando. Passei a tarde dando um passeio pelo centro da cidade e, à noite não saí. A baía é encantadora, mas quem vem do Rio de Janeiro não pode achar encantos em outras baías.”
Em: O romance de Teresa Bernard, Sra. Leandro Dupré [Maria José Dupré], São Paulo, Ed. Brasiliense Ltda: 1945, 4ª edição, pp. 311-12
Otto van Rees (Alemanha, 1884-1957)
óleo sobre tela
“Leve, breve, suave,
Um canto de ave
Sobe no ar com que principia
o dia.
Escuto, e passou…
Parece que foi só porque escutei
Que parou.”
Fernando Pessoa (Portugal, 1888-1935) em Leve, breve, suave.
José Maria Ribeiro (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm
Maria Thereza de Andrade Cunha
Desce,
sonora
como uma prece,
que canta e chora,
a voz do sino…
Seis horas. Voa
uma ave, a toa,
sem destino!…
Na serra em frente,
languidamente,
o sol desmaia.
A brisa bole
na folha mole
da samambaia,
que se despenca
da jarra.
Uma cigarra
chia, estridente.
Virente,
um pé de avenca,
num canto escuro
do muro,
dorme tranquilo.
Cricrila um grilo.
Rosas vermelhas,
despetaladas,
tombam cansadas.
Abelhas
voam ainda,
na tarde linda.
Das trepadeiras
pendem flores
de muitas cores.
Nuvens douradas
vão apressadas,
ligeiras…
Aonde irão?
— O vento as leva;
logo, na treva,
morrerão.
Nesse momento
o firmamento
é ouro e azul.
Taful,
a ramaria,
verde, se agita.
É o fim do dia.
Que luz bendita
nos alumia!
Depois, violeta
se há de tornar
a tarde
que arde.
— Pintor
pega a palheta,
por favor,
e vá copiar
na tela
a tarde bela!
…Tão colorida
que é a vida.
Em: É primavera… escuta., Maria Thereza de Andrade Cunha, Rio de Janeiro, 1949, p.65-67.
Alfred Reth (Hungria, 1884-1966)
óleo sobre painel, 46 x 28 cm
Coleção Particular
Anton Ebert (Áustria, 1845-1896)
óleo sobre tela, 79 x 63 cm
José Eduardo Agualusa
Em: “A cura pela palavra”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 29/06/2015, 2º caderno, página 2.