Henri Carrièrres (França, 1947, radicado no Brasil desde 1952)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Henri Carrièrres (França, 1947, radicado no Brasil desde 1952)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Lucien Lévy-Dhurmer (França, 1865-1953)
Pastel, 59 x 29 cm
Musée d’Orsay
“O Silêncio.
Não, os silêncios.
Poderia escrever um breve ensaio sobre o silêncio. Ou antes, um catálogo de silêncios para a boa ilustração dos surdos.
1 – O silêncio que precede as emboscadas;
2 – O silêncio no instante do pênalti;
3 – O silêncio de uma marcha fúnebre;
4 – O silêncio de girassóis;
5 – O silêncio de Deus depois dos massacres;
6 – O silêncio de uma baleia agonizando na praia;
7 – O silêncio das manhãs de domingo numa pequena aldeia do interior do Alentejo;
8 – O silêncio da picareta que matou Trotsky;
9 – O silêncio da noiva antes do sim.
Etc.
Há silêncios plácidos e outros convulsos. Silêncios alegres e outros dramáticos. Há aqueles que cheiram a incenso, e os que tresandam a estrume. Há os que sabem intensamente a goiabas maduras; os que se guardam no bolso interior do casaco, juntamente à fotografia do filho morto; os que andam nus pelas ruas; os silêncios arrogantes e os que pedem esmola.”
Em: As mulheres do meu pai, de José Eduardo Agualusa, Rio de Janeiro, Língua Geral: 2012, p.82-3.
Baptista Gariglio (Brasil, 1961)
óleo sobre tela, 50 x 65 cm
Isaac Grünewald (Suécia, 1889 – 1946)
óleo sobre tela
Stendhal
Di Cavalcanti (Brasil, 1897-1976)
óleo sobre teça
Na ampla sala de visitas de Fatita de Matos, Mana Fatita, como é mais conhecida, na Restinga do Lobito há cinco retratos a óleo, com um metro por 1,5 metro. Em todos eles Fatita de Matos está sentada no mesmo cadeirão de verga, quase em idêntica posição, com um livro no regaço. A primeira tela foi pintada em 1946. Fatita tem vinte anos, ainda é virgem, e está a ler Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco. Na segunda tem trinta anos, quatro filhos ilegítimos, e está a ler Amor de perdição. Na terceira tem quarenta anos, veste de preto pela morte do filho mais novo, e está a ler Amor de perdição. Na quarta tela tem cinquenta anos, sete netos, e continua a ler Amor de perdição. Finalmente na quinta tela, tem sessenta anos, 12 netos, três bisnetos, e está a ler Cem anos de solidão, de Gabriel Garcia Márquez. Todas as telas são de sua autoria.
Em: As mulheres do meu pai, de José Eduardo Agualusa, Rio de Janeiro, Língua Geral: 2012, p.71
Praia de São Conrado com a Pedra da Gávea ao fundo, 1938
Armando Vianna (Brasil, 1897-1992)
óleo sobre madeira, 27 x 35 cm