Vicente do Rego-Monteiro (Brasil, 1899-1970)
óleo sobre tela colada em eucatex, 89 x 112cm
Acervo do Banco Central do Brasil
Vicente do Rego-Monteiro (Brasil, 1899-1970)
óleo sobre tela colada em eucatex, 89 x 112cm
Acervo do Banco Central do Brasil
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Ilustração botânica do maracujá [Passiflora edulis Sims] de Maria Cecília Tomasi.
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Sônia Carneiro Leão
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Pego o maracujá e me assusto
Tão dura e tão oca
essa fruta mais louca
me deixa perplexa
de tão desconexa.
Sua carne é só casca.
Seu ventre, sementes.
Sua polpa tão pouca,
não dá pros meus dentes,
Maracujá intrigante,
enrugado, velhinho,
de gosto aceso, bacante,
como o do vinho.
Quero morder, não consigo.
Chupar, tão pouco não posso.
Que fazer, então, contigo,
com o teu paradoxo?
Ninguém o fura com o dedo
para evitar contusão,
esconde dentro o segredo
o doce-azedo da paixão.
Respeitamos o non-sense
da sua concepção.
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Em: Respostas ao Criador Das Frutas, Sônia Carneiro Leão, auto-publicação,Holos Design, ilustrado por Renata Vilanova, p. 13.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
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A carta, s/d
Frans Wesselman (Holanda, contemporâneo)
gravura em metal e xilogravura, 30 x 30cm
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Carlos Pena Filho
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Tome um pouco de azul, se a tarde é clara,
E espere pelo instante ocasional.
Nesse curto intervalo Deus prepara
e lhe oferta a palavra inicial.
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Aí, adote uma atitude avara:
se você preferir a cor local,
não use mais que o sol de sua cara
e um pedaço de fundo de quintal.
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Se não, procure a cinza e essa vagueza
das lembranças da infância , e não se apresse,
antes, deixe levá-lo a correnteza.
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Mas ao chegar ao ponto em que se tece
dentro da escuridão a vã certeza,
ponha tudo de lado e então comece.
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Em: Melhores poemas, Carlos Pena Filho, Sel. Edilberto Coutinho, Editora Global:2000, 4ª edição.
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Carlos Pena Filho nasceu no Recife, em 1929. Formado em Direito, pela Faculdade de Direito do Recife, foi poeta, letrista, jornalista, ensaísta para o Jornal do Comércio. Morreu num acidente automobilístico em 1960.
Obras:
O tempo da busca, 1952
Memórias do boi Serapião, 1955
A vertigem lúcida, 1958
Livro geral (obra reunida), 1959
Melhores poemas (póstuma) seleção de Edilberto Coutinho, 1983
Campo de Batalha 5 , 1973
Antônio Henrique Amaral ( Brasil, 1935-2015)
óleo sobre tela, 182 x 234cm
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Sônia Carneiro Leão
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A fruta mais descarada
da espécie vegetal,
exibicionista, safada,
a mais amada,
preferência nacional.
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Nasce, assim, sem respeito,
em qualquer parte,
de qualquer jeito,
em qualquer quintal
onde houver
um sol tropical.
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Em terras baianas,
pernambucanas,
nossa República das Bananas.
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Verdadeiro tesouro:
banana-prata, banana-ouro.
Chiquita bacana.
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Banana querida,
banana amiga,
da nossa barriga.
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Banana brasileira,
te como toda,
te como inteira.
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Em: Respostas ao criador das frutas, Sônia Carneiro Leão, Recife: 2010.
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Sônia Carneiro Leão nasceu no Rio de Janeiro, mas reside em Recife. Psicanalista, escritora, poetisa, contista e tradutora.
Uma pequena homenagem aos nossos cordelistas.
…………..
Agora com mensalão
Tudo virou um mistério
O homem rico do Brasil
Agora é Marcos Valério
Nossa justiça não brinca
Eu digo que o caso é sério
O povo tá arretado
E coberto de razão
Dinheiro sendo roubado
Para pagar o mensalão
Eu só vou me conformar
Depois de pegar o ladrão
FIM
Duas últimas estrofes de – Mensalão: um vírus no Brasil, em literatura de cordel de Davi Teixeira. Capa: xilogravura do autor. ©2005
David Teixeira da Silva nasceu em Bezerros em 1959 começou a escrever seus poemas em 1998, alguns deles já foram publicados no jornal A Folha de Pernambuco.
Para mais informações sobre O dia do cordelista.
Aniversário de morte – em 7 de julho de 1779, morreu em Salvador, Frei Antonio de Santa Maria Jaboatão, um dos nossos primeiros historiadores. Brasileiro, nasceu em Santo Amaro do Jaboatão, 1695 – Recife. Frade franciscano, professou fé, em 12 de dezembro de 1717, ordenando-se em 1725 no convento de Santo Antonio do Paraguaçu, em Salvador na Bahia. Depois voltou a Pernambuco. Ocupou vários cargos dentro da ordem franciscana. Foi um genealogista, historiador, orador, poeta e cronista brasileiro. Sua principal obra é o Novo Orbe Seráfico Brasílico também chamado de Crônica dos Frades Menores da Província do Brasil (1761). Deixou outras obras, algumas inéditas. Entre as publicadas, (sempre em Lisboa) estão: Discurso histórico, geográfico, genealógico, político e encomiástico, recitado em a nova celebridade, que dedicaram os pardos de Pernambuco ao santo da sua cor o B. Gonçalo Garcia ( 1751); Sermão de Santo Antonio, em o dia do Corpo de Deus, Lisboa (1751); Sermão de S. Pedro Martyr, pregado na matriz do Corpo Santo do Recife, Lisboa (1751); “Jaboatão Místico” (coletânea de sermões) (1761); “Catálogo Genealógico das Famílias Brasileiras” (1768).
Hoje: Patrono da Cadeira n° 2 da Academia Pernambucana de Letras.
Fonte: Dicionário brasileiro de datas históricas, ed. José Teixeira de Oliveira, ed. Vozes:2002, Petrópolis
Décimas
Por Colbert e Sebastião
Duas grandes monarquias,
Em Letras e Regalias
Famosas no mundo estão:
Portugal e França, são;
E sendo lá, como o é,
Primeiro o douto Colbert,
Em pontos de bom reger,
Cá também o deve ser
Um Sebastião José.
Ministros de um Reino tais
Zelosos e verdadeiros,
Assim como são primeiros,
Deviam ser imortais;
Vindo ser glórias fatais
Lá o Rei Cristianíssimo,
Cá o nosso Fidelíssimo
Por este que o Céu lhe deu,
Faz que seja por troféu
Seu governo felicíssimo.
Oh que dita singular!
Para a nossa Academia
Alto Padrão na Bahia,
Vejo a Fama levantar!
Nele se lê sem notar
Das outras as várias cenas,
Que a nossa com outras penas,
Faça eterna a sua glória,
Viva sempre na memória,
Pois tem tão grande Mecenas.