Afinal, era uma nova espécie de pterossauro!

1 05 2010

 

Cientistas descobriram que um fóssil descoberto em 2006 próximo a uma estrada no Estado americano do Texas pertence a uma nova espécie de réptil voador, ou pterossauro, chamada de Aetodactylus halli. O nome é uma homenagem ao homem que achou o fóssil, Lance Hall, membro da Sociedade Paleontológica de Dallas e que procura fósseis por hobby.  De acordo com os cientistas da Universidade Southern Metodist, o animal encontrado tinha cerca de 2,7 m de envergadura e vivia há 95 milhões de anos na região que hoje é o norte do Texas.

Hall afirma à reportagem que acreditava que tinha encontrado uma concha de ostra quando explorava um pequeno vale. “Eu comecei a remover a terra e notei que era a mandíbula de alguma coisa, mas eu não tinha ideia do quê. Estava de cabeça para baixo e quando eu virei e na parte do focinho não tinha nada além de uma longa fila de buracos de dentes“.   Mais tarde, cientistas lhe disseram que pertencia a um pterossauro, grupo de animais que dominou os céus por mais de 200 milhões de anos e foi extinto junto com os dinossauros, além de muitas plantas e outros animais.

A mandíbula encontrada tem cerca de 38 cm e restavam apenas dois dos 54 dentes, segundo o paleontólogo Timothy S. Myers, que identificou e nomeou o animal. Os cientistas acreditam que pelo espaçamento entre eles, os dentes superiores e inferiores se cruzavam quando o pterossauro fechava a boca.  Os pesquisadores afirmam que o mais surpreendente nesse animal é justamente o fato de ele ter dentes, já que seus parentes que viviam na América do Norte não costumavam ter dentes, com uma exceção, o Coloborhynchus.

Fonte: Portal Terra





Dinossauros mudavam de plumagem com frequência

29 04 2010

Ilustração

Uma pesquisa do Instituto de Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Pequim indica que a espécie de dinossauro Similicaudipteryx, que fazia parte do grupo de dinossauros “ladrões de ovos” conhecido como oviraptossauro, sofria grandes mudanças na plumagem ao crescer. As informações são da revista Nature.

Segundo o estudo, fósseis que mostram dois espécimes do Similicaudipteryx em estágios diferentes de crescimento indicam que o filhote tinha penas de voo muito diferentes das do fóssil adulto. A descoberta indica que, ao contrário das aves, que mudam as penas quando muito jovens, o dinossauro tinha um estágio “intermediário”, de troca de plumagem na juventude.

De acordo com a revista, ornitologistas e biólogos vêem com cautela a descoberta. O ornitologista Richard Prum, da Universidade de Yale, por exemplo, diz que quando os pássaros regeneram suas penas, as novas crescem enroladas em uma espécie de tubo. Segundo Prum, o fóssil pode ter preservado penas crescendo desta maneira, assim como as aves atuais.

Já o biologista Cheng-Ming Chuong, da Universidade do Sul da Califórnia, diz que “se dermos aos autores o benefício da dúvida (…) será a primeira demonstração de que estes dinossauros com penas podem sofrer alterações de plumagens na vida“.

Fonte: Terra





Um primo dos dinossauros? Certamente, da família!

7 03 2010

Um grupo de paleontólogos americanos descobriu um ancestral dos dinossauros que habitou a Terra 10 milhões de anos antes que o mais antigo dos répteis gigantes. O Asilisaurus kongwe, uma criatura quadrúpede do tamanho de um cachorro, que é tão próxima do dinossauro quanto os chimpanzés são do homem, foi descoberto na Tanzânia, leste da África.

O resultado dos estudos a respeito desses antepassados dos dinossauros que datam de 245 milhões de anos atrás foi publicado na última edição da revista científica Nature.  “Essa nova evidência sugere que (os dinossauros) foram realmente apenas um dos diversos grandes e distintos grupos de animais que explodiram em diversidade durante o período Triássico“, disse Sterling Nesbitt, pesquisador da Universidade do Texas e líder do estudo.

Randall Irmis, membro do Museu de História Natural de Utah, nos Estados Unidos, que também participou da pesquisa, disse que essa criatura era “o parente mais próximo dos dinossauros. Eles estão para os dinossauros como os chimpanzés estão para os humanos – como primos”. O pesquisador revelou também que o animal não era o que os paleontólogos esperavam. “Era uma pequena e estranha criatura. Nós sempre pensamos que os mais antigos parentes (dos dinossauros) fossem animais pequenos, bípedes e carnívoros. Esses animais andavam sobre quatro patas e tinham bicos e dentes de herbívoros“.

Os paleontólogos encontraram fósseis de pelo menos 14 ossadas no sul da Tanzânia, o que possibilitou a reconstituição quase completa de um esqueleto do Asilisaurus kongwe. Esses animais tinham entre 45 e 90 centímetros de altura, de 0,9 a 3 metros de comprimento e pesavam de 10 a 30 quilos.    Os estudos sobre o espécime indicam que esses primos dos dinossauros entraram em extinção 45 milhões de anos depois do seu surgimento. Os dinossauros, porém, foram mais bem sucedidos, pois habitaram o planeta Terra por 165 milhões de anos.

O paleontologista do Museu de História Natural de Londres Paul Barrett explicou que essa criatura “foi como um experimento mal-sucedido de como criar um dinossauro“.  Segundo ele, a descoberta proporciona aos cientistas uma importante informação sobre a evolução dos dinossauros. “Essas criaturas compartilharam muitas características com os dinossauros”, disse. “Eles nos mostram um estágio intermediário entre os répteis mais primitivos e os dinossauros mais específicos“.

 FONTE: Terra





Paleontologia:descobertas as mais antigas pegadas de animal de 4 patas

8 01 2010
Foto: BBC

A prova mais antiga de um animal de quatro patas caminhando no solo foi descoberta na Polônia. Rochas de uma mina desativada nas montanhas da Santa Cruz, na Polônia, trazem “pegadas” de uma criatura desconhecida que viveu há 397 milhões de anos.   Diversos “caminhos” foram identificados nas Minas Zachelmie. Eles representam o movimento de diversos animais quando se movimentavam pela região que nessa época era um lamaçal tropical de ribeirinho, no Periodo Devoniano  da Terra.  

 

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O artigo com a descoberta é o destaque de capa da revista científica Nature. Segundo os cientistas, é possível inclusive perceber os “dedos” do animal. A equipe de cientistas afirma que com a descoberta é um indício de que os primeiros vertebrados terrestres podem ter aparecido milhões de anos antes do que se acreditava.

Este lugar revelou o que eu considero alguns dos fósseis mais incríveis que já achei na minha carreira como paleontólogo“, disse Per Ahlberg, da Universidade de Uppsala, na Suécia, que trabalhou na pesquisa. “As pegadas nos dão o registro mais antigo de como nossos ancestrais distantes saíram da água, se moveram pelo solo e deram seus primeiros passos.” 

Foto: BBC

Os animais eram provavelmente semelhantes a crocodilos e teriam tido um estilo de vida semelhante aos dos anfíbios (que só vieram a surgir milhões de anos depois).  O tamanho das pegadas indica que eles teriam mais de dois metros de tamanho. A equipe de cientistas da Polônia e da Suécia criou uma imagem hipotética do animal a partir da pegada.  Os pesquisadores reconstruíram pelos desenhos das pegadas como essas criaturas moviam suas “ancas”,  “cotovelos” e “joelhos”.

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Antes da descoberta na Polônia, o fóssil mais antigo com características semelhantes era de 375 milhões de anos atrás.   A teoria é que as primeiras criaturas na terra vieram dos peixes que tinham guelras em lóbulos.  A hora exata que dessa transição tem sido uma um dos campos mais ativos de pesquisa na área, nos últimos anos.  Paleontologistas acreditam que esta transição foi rápida, mas em etapas.  Talvez o mais conhecido fossil desta passage seja o organismo conhecido como Tikaalik roseae, um animal com características intermediárias entre peixe e quadrúpedes. 

Reconstrução período devoniano.  UERJ.

 

Fontes para o artigo:

Parte da tradução: Terra

Outra fonte: BBC





Um dos menores dinossauros que se conhece!

18 12 2009
Foto: AP

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Há dois meses nos Estados |Unidos, o Instituto Dinossauro do Museu de História Natural de Los Angeles, colocou em exposição uma réplica de um dos menores dinossauros que se conhece no mundo.   Chamado de  haagarorum Fruitadens, este dinossauro apesar de pequenino, não parece ser muito simpático.  Ele foi descoberto na América do Norte, há aproximadamnete trinta anos atrás, mas só foi identificado recentemente.  Agora uma réplica de seu corpo foi feita e exposta ao público no museu.

Tudo indica que ele pesava menos de 900 gramas e tinha mais ou menos uns  10 centímetros de altura.  Da cabeça à pontinha da cauda, o haagarorum Fruitadens  deveria medir um pouco mais que 60 centímetros.

O diretor do Instituto Dinossauro, Luis Chiappe, apresenta o pequeno animal.

Foto: AP

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FONTE:  Portal Terra





Novo dinossauro, Tawa hallae

12 12 2009

Uma nova espécie de dinossauro foi encontrada no estado de Novo México, Estados Unidos da América.   Os fósseis revelaram que os dinossauros carnívoros habitavam o planeta há 230 milhões de anos.   O estudo agora publicado na revista «Science» vem também apoiar a hipótese de que os estes antigos senhores da Terra apareceram originalmente no território que hoje ocupa a América do Sul e que pouco depois se dispersaram pelo resto do mundo, que na época era um só continente, a Pangeia.
A  imagem acima mostra a reprodução de um novo dinossauro, chamado “Tawa hallae”, que viveu no período triásico.
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Sterling Nesbitt, investigador da Universidade do Texas, liderou a equipe que estudou o esqueleto praticamente completo deste dinossauro que media 70 centímetros de altura e dois metros de comprimento, do focinho à cauda.

A descoberta desta espécie, batizada como Tawa hallae (em homenagem aos indígenas sul-americanos Hopi que chamam Tawa ao seu deus do Sol) preenche uma lacuna de ligação entre o grupo de grandes carnívoros do período Jurássico, os terópodos Tiranossauro rex e o velociraptor, e os seus ancestrais, como o herrerassauro.

As duas espécies – o Tawa e o herrerassauro – compartilham muitos traços, especialmente em relação à morfologia da cintura. No entanto, o Tawa tem características dos terópodos que não existem no herrerassauro, como bolsas de ar localizadas ao longo da espinha dorsal.  Quando a espécie evoluiu para os neoterópodes do período Jurássico, foram mantidas algumas características comuns a todas as espécies, como as grandes mandíbulas, dentes de carnívoros e alguns traços pélvicos.

Os fósseis, encontrados em 2004 na zona de Ghost Ranch, oferecem também pistas de como estes animais se dispersaram pelo planeta.   Há mais de 200 milhões de anos, no período Triásico, os dinossauros viviam no supercontinente Pangeia que mais tarde se fragmentou para dar origem aos continentes tais como hoje são conhecidos.

Os investigadores acreditam que os grandes grupos dos primeiros dinossauros puderam passar para a parte da Pangeia, que se tornou a América do Norte, no fim do período Triásico. Por alguma razão, apenas os carnívoros se adaptaram ao clima norte-americano.

Artigo: A Complete Skeleton of a Late Triassic Saurischian and the Early Evolution of Dinosaurs

 FONTE:  CIÊNCIA HOJE, PORTUGAL





Fóssil na África do Sul pode explicar tamanho dos dinossauros

16 11 2009

aardonyx celestaeAardonyx celestae

 

 

Cientistas da África do Sul comemoraram a descoberta de um enorme dinossauro, Aardonyx celestae, que antecede os gigantes do período Jurássico.   Os ossos recém-descobertos — um dinossauro de espécie até agora desconhecida —   mostram que ele caminhava sobre as patas traseiras, mas podia adotar uma postura quadrúpede .  O Aardonyx,  era vegetariano e caminhava na maior parte do tempo ereto.  Mas a forma de seus ossos no antebraço mostra que ele era capaz de usar as quatro patas, dividindo assim o peso num maior número de pontos do apoio.

A criatura tinha mais do que 20 metros de comprimento e seis metros de altura no quadril.  Pesava, aproximadamente, 500 kg, ou meia tonelada.   Este fóssil foi descoberto em uma fazenda perto de Belém, no Estado Livre, na África do Sul.  Sua idade está estimada em 195 milhões de anos.  Esta descoberta possivelmente ajudará no conhecimento de como os enormes saurópodes — os maiores animais que já habitaram a Terra –  evoluiram.

Este é, sem sombra de dúvida, um novo tipo de dinossauro, que nunca vimos antes e que tem uma posição significativa na árvore da família dos dinossauros, disse o paleontólogo australiano Adam Yates.  Yates liderou a investigação do Price Bernard Instituto de Pesquisa Paleontológica na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.  A equipe formada  por diversos cientistas africanos e de outras partes do mundo, levou mais de dois anos desbastando a pedra que cercava o fóssil. Os resultados estão publicados  na revista britânica  Proceedings of The Royal Society B.

aardonyx celestae, yates

O paleontólogo Adam Yates  descreve  a descoberta de sua equipe na Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.  

Yates disse que o animal tem muitas características dos herbívoros que andavam sobre duas patas, bem como características de seus descendentes. Esses saurópodos, conhecidos popularmente como brontossauros, cresceram até tamanhos enormes e passaram a ser totalmente quadrúpedes.  A nova descoberta revela um estágio intermediário na evolução dessas criaturas, disse Yates. O aardonyx nos deixa vislumbrar a evolução até o animal  se tornar um saurópodo.

O nome do gênero é uma combinação das palavras terra do africâner:  aard. E do grego para garra: ônix.  Porque entre as primeira partes descobertas desse dinossauro  estavam as garras incrustadas com terra.





Descoberto esqueleto de dinossauro herbívoro gigante em SP

6 10 2009

sauropodes

Os Saurópodes

 

Restos de um dos gigantes brasileiros da Era dos Dinossauros estão vindo lentamente à tona em Marília (444 km a noroeste de São Paulo). Tudo indica que se trata de um saurópode, dino pescoçudo e comedor de plantas que pode ter chegado a 13 metros.

O esqueleto de dezenas de milhões de anos apenas começou a ser exposto, mas há esperança de que boa parte do animal ainda esteja por lá, porque as vértebras achadas até agora estão articuladas, ou seja, unidas umas às outras na posição que ocupavam em vida.

Esse fato é um golpe de sorte relativamente raro na paleontologia brasileira, contou à Folha o responsável pela descoberta, William Nava, do Museu de Paleontologia de Marília.

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Saurópodes: tamanhos relativos.

 

Como temos parte da região pélvica [do quadril] preservada e associada às vértebras dorsais, estamos escavando agora na direção da cabeça do bicho. Tudo indica que poderemos achar as vértebras cervicais, do pescoço, e também o crânio preservado sob as camadas de arenito, o que seria fantástico. Essa é a nossa expectativa“, afirma Nava, um dos mais ativos caçadores de fósseis do interior de São Paulo.

As primeiras pistas do saurópode surgiram no último mês de abril, quando a presença de conchas fossilizadas de bivalves (moluscos como as atuais ostras) chamou a atenção de Nava. “Resolvi investigar o barranco que margeia o acostamento da estrada e vislumbrei diversos fragmentos ósseos despontando na rocha, mas bastante escurecidos, indicando que estavam há um bom tempo expostos“, conta ele.

Essa coleção inicial de restos, por si só, já parecia interessante: havia vértebras da cauda, costelas e dois outros ossos grandes (um deles provavelmente corresponde ao fêmur). Um pouco mais de trabalho revelou a presença de duas vértebras articuladas, medindo, cada uma, cerca de 20 cm. “Quando se encontra material articulado a tendência é nos concentrarmos nele, devido justamente à escassez dele“, explica Nava.

 

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Concepção artística de saurópodes, ordem à qual provavelmente pertenceu o fóssil achado em Marília (444 km a noroeste São Paulo)

 

Ele repassou as informações sobre a escavação ao paleontólogo Rodrigo Santucci, da UnB (Universidade de Brasília), que é especialista em saurópodes. Conforme o trabalho avançar, Santucci será capaz de determinar se o animal era um titanossaurídeo (principal grupo de saurópodes do país, caracterizados pela presença de “calombos” ósseos em seu couro) e avaliar se a espécie ainda não é conhecida da ciência.

Antes disso, porém, Nava está planejando a retirada do material da encosta, o que pode se transformar numa operação longa e delicada. A idéia é extrair todo o bloco contendo os ossos até agora encontrados e outros ainda encobertos por rocha. O trabalho no local também trouxe à tona o crânio e a mandíbula de um parente extinto dos jacarés e crocodilos.

Texto:  REINALDO JOSÉ LOPES

Fonte:  Folha On Line





Imagens em 3D mostram detalhes de aranhas pré-históricas

7 08 2009

aranha fossil

 

Com equipamento de tomografia, e alguns programas de computação gráfica, cientistas do Imperial College London criaram imagens tridimensionais de fósseis de duas espécies de aranhas que viveram há 300 milhões de anos.  As espécies Cryptomartus hindi e Eophrynus prestvicii são “parentes próximas” de aranhas modernas.

As imagens tridimensionais revelaram detalhes até então desconhecidos das criaturas, como mecanismos de defesa.  Mostraram que as aranhas tinham hábitos predadores, e deram aos cientistas uma idéia melhor do que se passava no período, anterior ao dos dinossauros. Os resultados foram publicados na revista especializada Biology Letters.

Ao todo foram feitas umas 3 mil imagens de cada fóssil.  O programa de computação desenvolvido pelo Imperial College London foi usado para juntar todas as imagens em um modelo virtual único, detalhado e tridimensional das aranhas.

As imagens tridimensionais revelam que as patas dianteiras da Cryptomartus híndi, direcionadas para frente, sugerem que a aranha poderia usá-las para agarrar as presas e que o animal, era provavelmente, “um predador que caçava por emboscada” como o faz a moderna aranha caranguejeira, quando aguarda, escondida,  a aproximação da presa.

Conclusões também foram feitas sobre a Eophrynus prestvicii, que evidentemente tinha espinhos nas costas, como medida de defesa para torná-la menos palatável aos anfíbios, que seriam seus predadores naturais.

 

FONTE:  Terra





Réplica do maior dinossauro carnívoro do país em exposição!

16 05 2009
,Angaturama limai. [Réplica], Foto: Fábio Motta/AE

Réplica, Angaturama limai. Fot0, Fábio Motta/AE

 

O Museu Nacional, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, inaugura na sexta-feira, 15, a exposição permanente Dinossauros no Sertão, com réplicas e fósseis originais encontrados na região do Araripe, no Ceará. O destaque é a maior reconstrução de um dinossauro carnívoro já montado no País: o Angaturama limai. A réplica tem cerca de seis metros de comprimento e foi montada a partir da pélvis e fragmentos ósseos das mãos, fêmur e vértebras. O dinossauro viveu há cerca de 110 milhões de anos, no período Cretáceo Superior, pesava cerca de meia tonelada e se alimentava principalmente de peixes e animais marinhos.

 

Descrevi o Angaturama pela primeira vez na década de 80, a partir de um crânio, mas não havia fragmentos suficientes para montarmos uma réplica”, explicou o paleontólogo Alexander Kellner, curador da exposição. Ele orienta a dissertação da mestranda da UFRJ Elaine Machado, que descreverá os fósseis que estão expostos.  

Segundo Kellner, a ideia da exposição é mostrar dois ecossistemas que existiram em períodos diferentes, numa mesma região. A Chapada do Araripe é um planalto de 160 quilômetros de extensão entre Ceará, Pernambuco e Piauí.

 

Angarutama limai ( Theropoda), Chapada do Araripe, CE.

Angarutama limai ( Theropoda), Chapada do Araripe, CE.

 

Um dos ecossistemas reconstituídos é o de um grande lago de água doce, que teria existido há 115 milhões de anos. Dessa época, estão expostos fósseis de insetos, escorpiões, plantas, pererecas e a réplica do pterossauro Tupandactylus imperator.

 

O outro cenário, onde está montado o Angaturama, retrata o período de 110 milhões de anos, quando havia uma laguna de água salgada na região. “Quisemos retratar um pouco das mudanças que ocorrem na Terra. Nessa época a América do Sul estava se afastando da África e o mar invadiu o continente”, explica Kellner. Nos dias de hoje o Araripe, que é um dos maiores sítios fossilíferos do País, é uma região de sertão. A mostra tem patrocínio da Faperj e do CNPQ.

 

A reconstrução do Angaturama limai representa um grande avanço no estudo desse grupo de dinossauros, os chamados Espinossaurídeos, que viveram há 110 milhões de anos, durante o Cretáceo, e que se caracterizam pelo focinho comprido, uma vela nas costas e uma dentição particular semelhante a dos crocodilos atuais. A réplica, em tamanho real, foi feita a partir de restos fósseis do crânio, perna, coluna cervical, mãos e, principalmente, da pélvis, que impressiona pelo ótimo estado de conservação. Todo esse material também faz parte da mostra.

 

Angarutama

Angarutama

 

O Museu Nacional/UFRJ é pioneiro no país na reconstituição de dinossauros. Foi lá que, em 1999, paleontólogos apresentaram a primeira réplica de um esqueleto de dinossauro, o Staurikosaurus pricei, que viveu há 225 milhões de anos. De lá pra cá, o público que visita o Paço de São Cristóvão, na zona norte do Rio, já pôde observar a ossada de um Santanaraptor (2000) e, em 2006, se impressionou com o gigante brasileiro Maxakalisaurus topai, de 13 metros de comprimento.

 

Serviço: Exposição: “Dinossauros no Sertão”

Aberta ao público a partir do dia 15 de maio

Horário: de terça a domingo, das 10 às 16h.

Entrada: R$ 3,00. Grátis para crianças até 5 anos e pessoas acima de 60. Crianças entre 06 e 10 anos pagam 01 real.

Local: Museu Nacional – Quinta da Boa Vista, s/n, São Cristóvão.

Tel. (21) 2562-6042

 

TEXTO: Fabiana Cimieri

FONTE: O Estado de São Paulo