Paisagem do Rio Guaíba com Usina de Gasômetro e mulher sentada
Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)
óleo sobre madeira, 38 x 46 cm
Paisagem do Rio Guaíba com Usina de Gasômetro e mulher sentada
Ado Malagoli (Brasil, 1906-1994)
óleo sobre madeira, 38 x 46 cm
Paisagem carioca com o Corcovado ao fundo
Felisberto Ranzini (Brasil, 1881-1976)
óleo sobre cartão, 11 x 16 cm
Praça Manoel Borges de Souza, Tatuapé, SP, 1970
Mário Zanini (Brasil, 1907-1971)
óleo sobre tela, 120 x 200 cm
Porta de entrada para Amsterdã, 2000
Leonid Afremov (Bielorússia/Israel, 1955)
óleo sobre tela
Coleção Particular
Há muito tempo não leio um autor que demonstra tamanho domínio de seu texto como Arnon Grunberg. Ele brinca com o leitor sem que este o perceba. Ele nos envolve, nos seduz, nos puxa pela mão, mostra o que quer, esconde o que não precisa ser contado. Brinca. Cria. Joga xadrez conosco. Não percebemos a manipulação. Muito pelo contrário, queremos mais. Queremos mais de tudo, e as páginas são lidas com sofreguidão. O que as embala é uma sensação de que algo está para acontecer, algo será revelado a qualquer momento. A tensão é semelhante a de um filme de Alfred Hitchcock. Não se trata de uma história de uma centena de páginas. São 464 páginas em que o autor constrói aos poucos, deliberadamente, detalhes das personalidades envolvidas na narrativa, fazendo-nos íntimos dos membros da família Hofmeester. Ficamos familiarizados principalmente com Jörgen Hofmeester, pai de duas meninas, marido de uma artista plástica que entra e sai de sua vida à vontade, editor de ficção estrangeira de uma casa editorial em Amsterdã, homem em idade próxima à da aposentadoria, que mora num bairro da cidade de fazer inveja aos amigos, que possui uma casa de veraneio, que junta economias e as investe na Suíça, um homem, que tenta, porque tenta, sem colocar quaisquer barreiras, fazer aquilo que é certo e esperado dele. E, no entanto, há uma tensão imensa dentro desse pai de família. Tudo nele é quase obsessivo, mas sob controle. A perfeição é sua meta quer na cozinha, onde aprende a cozinhar quando sua mulher o deixa para “se encontrar”, quer no controle financeiro de sua vida, com a intenção de deixar um patrimônio sólido para as filhas.
Tirza é o nome da filha caçula de Jörgen Hofmeester, sua filha preferida, aquela que completa 18 anos e está pronta para entrar na universidade. Para comemorar essa passagem decide viajar pela África, e uma festa colocará o ponto final na vida anterior e marcará o início de sua nova aventura. Seu pai prepara a festa com cuidado, fazendo, ele mesmo, os quitutes, arranjando as bebidas. Durante esses preparativos aprendemos sobre a família. Sobre a mãe, as meninas, Ibi, a irmã que já não mora na Holanda e, sobretudo, conhecemos Jörgen. Apesar de um tanto fora da norma, nossa identificação com ele é inevitável. Conhecemos seus desejos, seus desapontamentos. Sua absoluta solidão. Há humor nessa narrativa, muito humor, porque entendemos sua visão do absurdo. Ocasionalmente a vida parece caótica e surreal, mas o humor vem mesmo das situações cotidianas, daquelas pequenas decisões que não dão certo, das expectativas frustradas,de sua inépcia social.
Arnon Grunberg
Mas, há sempre a sensação de algo oculto. Há uma expectativa subjacente. Uma perturbação que nos deixa alerta. Há a sensação de que algo já aconteceu, mas não sabemos o que, há um ponto cego: incesto? Violência no casamento? O que? É como se tivéssemos sido as rãs numa panela com a água quente e não percebemos que a água ferveu. Esse mistério, essa dúvida só se esclarece nas últimas páginas. E é surpreendente. Um final estarrecedor. Imprevisível. Vale todas as horas dedicadas à leitura.
Este está, para mim, entre os melhores livros lidos neste ano e tem tudo para estar entre os meus favoritos de todos os tempos. É impossível discuti-lo sem revelar mais do que deveria. Mas recomendo sem constrangimento sua leitura para todos os leitores.
Rua Direita em dia de chuva, Mariana, 2015
Cássio Antunes (Brasil, contemporâneo)
óleo sobre madeira, 51 x 60 cm
Avenida São Jerônimo, Belém, 1905
Antônio Parreiras (Brasil, 1860-1937)
óleo sobre tela, 64 x 54 cm
Museu de Arte de Belém
Viaduto Santa Efigênia, São Paulo,c. 2005
Renato Neves (Brasil, contemporâneo)
acrílica sobre tela, 70 x 100 cm
José Maria de Almeida (Portugal/Brasil, 1906-1991)
óleo sobre tela, 39 x 46 cm