Cuidando das flores
Henrik Lunde (Noruega, 1879-1935)
óleo sobre tela
Sonhando acordada à janela, 1904
Carl Frithjof Smith (Noruega 1859-1917)
óleo sobre tela, 100 x 81 cm

Noite de verão na ilha de Sando, 1890
Eilif Peterssen (Noruega, 1862 – 1928)
Coleção Particular

No final de 2017 cientistas noruegueses descobriram esta peça de xadrez, um peão, em Tønsberg, Noruega. A peça feita em chifre provavelmente tinha uma parte de ferro por dentro para dar estabilidade. A peça, além da decoração abstrata de círculos e linhas incisas, tem uma protuberância como um “nariz ou focinho”. Quando comparada a outras peças do antigo jogo chamado shatranj [que deu origem à palavra xadrez] pode-se deduzir que seria um cavalo no xadrez moderno.
O jogo de xadrez foi adotado pelos árabes depois que conquistaram a Pérsia no século VII. Daí foi introduzido na Espanha no século X pelos mouros. Da Espanha o xadrez se espalhou rapidamente pela Europa e pode ter aparecido na Escandinávia logo depois de ser apreciado na Espanha.
O grupo de arqueólogos do Norwegian Institute for Cultural Heritage Research (NIKU) disse que mesmo rara, essa peça de xadrez com influência árabe na decoração, é semelhante a outra peça do século X encontrada em Lund na Suécia.
Fonte: Live Science
Interior com mulher lendo
Kitty Lange Kielland (Noruega, 1843-1914)
óleo sobre tela
Carol Kossak (Polônia/Brasil, 1895-1968)
óleo sobre tela, 90 x 120 cm
Raramente gosto de romances de formação. Cansei deles. Há enorme inflação do estilo e poucas obras seduzem um leitor mais experiente. Portanto, já é grande cumprimento não só eu ter gostado dessa obra como ter-lhe dado a pontuação máxima. A forte voz narrativa de Per Petterson é em grande parte responsável pelo encantamento. Senti-la mesmo através da tradução de Kristin Lie Garrubo, que me pareceu impecável ainda que eu não conheça nada, absolutamente nada de norueguês, mostra a força de suas imagens.
Cavalos Roubados tem magia própria. Às vezes percebida no relacionamento do autor com a natureza. Não se trata de descrições hiperbólicas sobre a beleza do céu, a grandeza das árvores ou a mão de Deus que nos afaga nas árvores ou pássaros. Não. Tampouco me refiro ao sentimento de veneração e temor evocados pelo movimento romântico do início do século XIX. Esse é um livro de quem passou muito tempo junto às árvores, aos cheiros e perfumes, que os ama e os respeita, sem exagero, ainda que profundamente. A narrativa contida traz consigo a força dos sentimentos guardados e profundos. São observações singelas que comovem.
“…Em vez disso, levamos os cavalos ao longo de outra trilha que logo virava para o leste, estreitando-se gradualmente em pouco mais de uma sinuosa vereda entre as bétulas antigas e altas, cujas enormes copas sussurravam se você inclinasse a cabeça para trás e olhasse por entre a folhagem, e fiz isso até ficar com torcicolo e lágrimas nos olhos, e cruzamos um riacho fundo onde a água parecia gelada. E estava gelada quando respingou entre as patas do cavalo e atingiu minhas pernas, encharcando as calças de imediato, e algumas gotas até atingiram meu rosto quando seguimos a trote, e os cavalos gostavam daquilo, das variações do terreno a caminho de Furufjell. Nas encostas íngremes, a floresta de abetos era densa e intocada por lenhadores, e seguimos a vereda até o cume da colina e paramos por um momento no ponto mais alto, onde viramos os cavalos para olhar para trás, e entre os campos recém-ceifados o rio desenhava seus meandros em prata fosca sob a copa das árvores, e os bancos de nuvens pairavam sob a colina do outro lado do vale.“ [221]
O livro, narrado em dois tempos é situado durante a década de 1940 na Noruega e no final do século XX, com o personagem central, aos sessenta e sete anos, imprevisivelmente levado a relembrar acontecimentos passados na infância.
Uma característica do texto que me intriga e fascina é a omissão do óbvio. Per Petterson não nos ajuda; ele não nos dá descrições de sentimentos. Apesar dos sentimentos fortes, entre eles mais de uma forma de traição, estes não são denominados. São as ações que nos contam o que acontece e o que aconteceu. E assim de maneira oblíqua, nas entrelinhas. Talvez seja exatamente por isso que seu texto tem tanto poder sobre o leitor, que vai descobrindo assim como o jovem Trond, os caminhos tortuosos do mundo dos adultos.
Per Petterson
A traição é um dos temas mais comuns na literatura. No entanto aqui ela é tratada de diversas maneiras e sem drama. Há a traição entre amigos, companheiros de trabalho, fraternal, conjugal, paternal, política, além daquela de si mesmo, todas essas formas tratadas unicamente pelo relato de eventos, de maneira contida, ponderada, realista. Com maestria.
Não há como não recomendar esse livro. Pena que tenha sido lançado no Brasil em 2010 e, portanto, não tão fácil de encontrar nas livrarias. Valerá o esforço de adquiri-lo.
Quatro meninas em Åsgårdstrand, 1903
Edvard Munch (Noruega, 1863-1944)
óleo sobre tela, 87 x 111 cm
Museu Munch, Oslo
Stella Leonardos
Elas eram quatro rosas
Sendo cada qual mais bela.
A vermelha, a cor de rosa.
A de corola amarela…
Mas a quarta era Rosinha,
Branca branca, bem singela.
Levou-a Deus manhãzinha.
Que era rosa de anjo, aquela.
Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.63