Natal, soneto de Gualter Cruz

23 12 2011

Adoração dos pastores, 1500-1510

[Também conhecida como Natividade de Allendale]

Giorgione (Itália, 1477-1510)

Óleo sobre madeira, 91 x 111cm

National Gallery of Art, Washington DC

Natal

Gualter Cruz

Na agitação das ruas da cidade,

De povo fervilhante, e forasteiros,

Ninguém notava os pobres caminheiros,

Dois santos na pureza e na bondade.

Castíssimos esposos, companheiros,

Irmãos na mais perfeita afinidade,

José buscava obter dos hoteleiros

Abrigo à esposa, santa de humildade.

As portas com estrondo se fechavam…

Enquanto a turba infecta gargalhava,

Outro local, nervosos, procuravam.

Para uma gruta, enfim, Deus os conduz…

Orando aos céus, Maria murmurava:

— Nasceu  meu filho, ó Deus!…  Nasceu Jesus!…

Em: Poesias completas, Gualter Cruz, Petrópolis, Editora do autor: 1983.

Gualter Germano Chaves da Cruz (Petrópolis, RJ, 1921, Rio de Janeiro, RJ 1978)





Quadrinha do Natal pobre

22 12 2011

Jogou, perdeu, e hoje sabe,

passando um Natal sombrio,

que a consciência não cabe

num sapatinho vazio.

(Hegel Pontes)





Agatha Christie, seus livros mais cotados

22 12 2011

Ilustração Walt Disney.

Agatha Christie, a dama da literatura de mistério, é ainda hoje uma das escritoras mais lidas no mundo!  Devo a ela grande parte da minha proficiência em inglês, pelo menos no início da minha estadia nos Estados Unidos.  Quando cheguei naquele país meu inglês era fraquíssimo.  Eu tinha uma boa base de gramática, tendo aprendido por anos aqueles detalhes que não servem para diálogos:  “gerúndio”, “particípio passado” de cada verbo.  Havia sido um processo de decorar sem fim que não fazia o menor sentido no dia a dia, no viver numa cidade, muito menos quando eu sabiaque a minha estadia lá seria de pelo menos, no mínimo dos mínimos, quatro anos.   Foi aí que me interessei em ler Agatha Christie.

Eu sempre gostara de livros de mistério e achei, corretamente, que o interesse que eu tinha iria servir de impulso para que eventualmente eu procurasse algumas palavras no dicionário.  Acertei em cheio. Foi ótimo.  Os livros dela se encontravam em qualquer canto, em formato de bolso, baratíssimos e acabei lendo bem mais que 25 de seus títulos, alguns dos quais comprei em sebos, pois já estavam fora de circucação.  Foi a melhor coisa, além de assistir muita televisão, que pude fazer naquela época para melhorar a minha qualidade de vida no país.  Portanto, é com prazer que vejo que os livros de Agatha Christie, a Dama do Mistério Inglês, continuam populares e atraindo milhares de leitores no Brasil.   De todos os personagens  de seus livros a minha favorita é, sem sombra de dúvida, Miss Marple.  Mas no início foi Poirrot mesmo.  Só vim a apreciar as nuances das observações de Miss Marple com o passar dos anos e tomada de conhecimento sobre a vida na Inglaterra dos pequenos vilarejos.

Na semana passada, por causa de outro assunto, acabei podendo relacionar os títulos mais populares e de maior apreciação no Brasil escritos pela rainha do mistério inglês.  Passo aqui para vocês, caso ainda precisem presentear alguém nesse fim de ano, os títulos favoritos do leitor brasileiro em ordem de preferência.

1 ) O caso dos dez negrinhos

Dez pessoas são convidadas pelo misterioso U.N. Owen para passar alguns dias numa ilha perto de uma aldeia pouco movimentada. Os convidados aceitam o convite e de igual maneira embarcam num barco local para a ilha. Na primeira noite, quando todos já se conheciam razoavelmente bem e conviviam animadamente na sala, ouve-se uma voz vinda das paredes da sala, acusando cada um dos dez presentes de ter cometido um crime, crime esse que apesar de ser despropositado ou inevitável, levou à morte de outras pessoas. O pânico instala-se e mortes inexplicáveis se sucedem, tendo por única pista uma trova infantil.

2) O assassinato de Roger Ackroyd

O assassinato do rico Roger Ackroyd, morto a punhaladas com uma adaga tunisiana, é a terceira de uma série de estranhas mortes, que despertam a atenção da solteirona e sagaz Caroline Sheppard, irmã do médico da cidade e narrador deste romance. Intrigada, Caroline resolve investigar o caso e descobrir se as três mortes têm alguma ligação. Para isso, ela conta com a ajuda de seu novo e excêntrico vizinho: o detetive belga Hercule Poirot. Escrita em 1926.  O Assassinato de Roger Ackroyd é uma das mais famosas histórias da rainha do mistério.

3) Assassinato no Expresso do Oriente

Pouco depois da meia-noite, uma tempestade de neve pára o Expresso do Oriente nos trilhos. O luxuoso trem está surpreendentemente cheio para essa época do ano. Mas, na manhã seguinte, há um passageiro a menos. Uma americano é encontrado morto em sua cabina, com doze facadas, e a porta estava trancada por dentro. Pistas falsas são colocadas no caminho de Hercule Poirot para tentar mantê-lo fora de cena, mas, num dramático desenlace, ele apresenta não uma, mas duas soluções para o crime.

4 ) Cai o Pano: o último caso de Poirot

Para resolver o último caso de sua carreira, o detetive belga Hercule Poirot volta ao local onde solucionou os primeiros crimes. Neste livro, o último de um ciclo de romances de Agatha Christie, o talento da escritora inglesa junta-se à primorosa tradução de Clarice Lispector.

5) O Natal de Poirot

Véspera de Natal. A reunião da família Lee é arruinada pelo barulho ensurdecedor de móveis sendo destroçados, seguido de um grito agudo e sofrido. No andar de cima, o tirânico Simeon Lee está morto, numa poça de sangue, com a garganta degolada. Mas quando Hercule Poirot, que está no vilarejo para passar o Natal com um amigo, se oferece para ajudar, depara-se com uma atmosfera não de luto, mas de suspeitas mútuas. Parece que todos tinham suas próprias razões para detestar o velho…

6) A casa torta

O octogenário Aristide Leonides, dono de grande fortuna, é envenenado em sua mansão, onde vivia com toda a família — sua esposa, cinqüenta anos mais jovem, dois filhos, duas noras, três netos e uma cunhada. Qualquer um poderia tê-lo matado. O único motivo evidente é a fortuna deixada como herança. Mas parece pouco provável que alguém se dispusesse a sujar as mãos por causa do testamento de um velho em idade já tão avançada. Charles Hayward não tem como não se envolver na história: Sir Arthur Hayward, seu pai, é o comissário-assistente da Scotland Yard responsável pelo caso; e Sophia, com quem pretende se casar, é uma das netas da vítima. Portanto, Charles tem seus motivos para tentar solucionar o mistério.

7) A morte no Nilo

A parte principal deste romance desenvolve-se a bordo de um barco, que navega pelas águas do Nilo, em cujas margens se levantam ruínas milenárias, restos de uma civilização dedicada ao culto dos mortos; e lá nesse ambiente fúnebre, uma deslumbrante garota, que tinha tudo – juventude, beleza, riqueza e felicidade —, perde tudo, num repente, ao ser assassinada na sua cabine. O assassinato foi cuidadosamente planejado, para que seja impossível descobrir o assassino, quem teve a má sorte de que Hercule Poirot estivesse de férias no Egito, e pudesse investigar seu crime – aliás, seus crimes, porque há mais de um — com uma maior atenção da que se tinha empregado em cometê-los. Para aumentar a intriga e o suspense, sabemos que entre os passageiros do Karnack, se encontra um famoso assassino profissional, que é perseguido pelo Coronel Race, amigo de Poirot e sagaz agente do Serviço Secreto inglês.

8 ) O misterioso caso de Styles

[O 1º romance publicado d a autora (1920)]

O primeiro e um dos mais famosos mistérios solucionados por Hercule Poirot, o caso Styles começa quando uma aristocrata inglesa morre trancada em seu quarto, vítima de um aparente ataque cardíaco. A coisa ficaria por aí, não fosse a suspeita de envenenamento levantada pelo médico da família.

9) Os crimes ABC

Já aposentado, Hercule Poirot aceita o desafio de desvendar um assassinato cometido por um criminoso que se anuncia com cartas anônimas cheias de menosprezo. O assassino deixa junto de suas vítimas um guia ferroviário. Talvez seja um maníaco por estradas de ferro. Poirot persegue de pista em pista, de letra em letra, o rastro sempre alfabético do inimigo.

10) Assassinato no campo de golfe

Aos campos de golfe normalmente se vai para praticar o esporte. Mas em um romance de Agatha Christie, a dama do crime, o gramado também pode se transformar no lugar onde acontece o assassinato de um jogador desavisado.

Nota: A ordem de popularidade foi calculada na média ponderada de pontos por título encontrados nos portais de leitores de livros brasileiros.





Cartões de Natal: Papai Noel chega de maneiras inusitadas!

21 12 2011

Asa Delta puxada a renas.

Como já vimos em duas outras postagens neste mês, sobre os meios de transporte de Papai Noel, voltamos ao assunto, deslumbrados que estamos com a sua criatividade para chegar a todas as crianças do mundo.  Mostramos, então, alguns outras maneiras de viajar de que o bom velhinho se utiliza.

Foguete, cartão da USRR.

Barco sobre esquis para os canais congelados da Holanda, cartão holandês.

Ônibus de dois andares, Inglaterra.

Ele também usa o trem, veja este cheio de brinquedos.

Snowmobile, em cartão da Rússia.

Ele também vem de triciclo.

Chega de helicóptero.

De bicileta ajudado por crianças…

Também faz entregas de caminhão.

Cartão da Finlândia.
Além de motocicleta voadora…

E de lambreta…

De sleigh motorizado…

E, é claro, de tapete mágico pelos céus da antiga União Soviética.

Além de poder usar seu paraquedas a qualquer momento.





Natal, poema de Jair Amorim

20 12 2011

Fuga para o Egito, s/d

Bartolomé Esteban Murillo (Espanha, 1618-1682)

Óleo sobre tela, 210 x 166 cm

Instituto de Arte de Detroit, EUA

Natal

—-

Jair Amorim

—-

E ainda hoje nascerás mais uma vez…

Sobre os reis Magos

a estrela-guia

os deixará ofuscados e perplexos

pela emoção

da santíssima aparição

E Tu nascerás neste e em outros anos

enquanto homens de porre

e mulheres quase nuas, ao sol,

tostadas e maquiladas

esperarão a hora mágica da noite

para exibir seus corpos luzidios

tomando chopes e comendo rabanadas.

E Tu, Senhor, nascerás mais uma vez à meia noite

pequenino e lindo

com Tua mensagem incompreendida

para os inúteis amanhãs

do dia nosso de cada vida.

E em Teu nome, Tuas palavras vãs,

nós nos empanturraremos

de vinhos

tâmaras

e avelãs…

—-

—-

Em: Canto Magro de Jair Amorim,  Vitória, UFES: 1995

Jair Pedrinha de Carvalho Amorim (ES 1915 – SP 1993) poeta, compositor e jornalista.





Canto de Natal — Manuel Bandeira

19 12 2011

Adoração dos Reis Magos, 1496

Fra Fillipino Lippi (Itália, 1457-1504)

óleo sobre madeira

Galeria Uffizi, Florença

Canto de Natal

Manuel Bandeira

O nosso menino

Nasceu em Belém.

Nasceu tão somente

Para querer bem.

Nasceu sobre as palhas

O nosso menino.

Mas a mãe sabia

Que  ele era divino.

Vem para sofrer

A morte na cruz,

O nosso menino,

Seu nome é Jesus.

Por nós ele aceita

O humano destino:

Louvemos a glória

De Jesus menino.

Em: Antologia Poética, Manuel Bandeira, Rio de Janeiro, Sabiá: 1961, 5ª edição.

Manuel Bandeira (Recife PE, 1884 – Rio de Janeiro RJ, 1968) foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor brasileiro. Teve seu primeiro poema publicado aos 8 anos de idade, um soneto em alexandrinos, na primeira página do Correio da Manhã, em 1902, no Rio de Janeiro. Cursou Arquitetura, na Escola Politécnica, e Desenho de Ornato, no Liceu de Artes e Ofícios, entre 1903 e 1904; precisou abandonar os cursos, no entanto, devido à tuberculose. Nos anos seguintes, passou longos períodos em estações climáticas, no Brasil e na Europa.

Obras:

Poesia 

A cinza das horas, 1917

Carnaval, 1919

O ritmo dissoluto, 1924

Libertinagem, 1930

Estrela da manhã, 1936

Lira dos cinquent’anos, 1940

Belo, belo, 1948

Mafuá do malungo, 1948

Opus 10, 1952

Estrela da tarde, 1960

Estrela da vida inteira, 1966

Prosa

Crônicas da Província do Brasil – Rio de Janeiro, 1936

Guia de Ouro Preto, Rio de Janeiro, 1938

Noções de História das Literaturas – Rio de Janeiro, 1940

Autoria das Cartas Chilenas – Rio de Janeiro, 1940

Apresentação da Poesia Brasileira – Rio de Janeiro, 1946

Literatura Hispano-Americana – Rio de Janeiro, 1949

Gonçalves Dias, Biografia – Rio de Janeiro, 1952

Itinerário de Pasárgada – Jornal de Letras, Rio de Janeiro, 1954

De Poetas e de Poesia – Rio de Janeiro, 1954

A Flauta de Papel – Rio de Janeiro, 1957

Itinerário de Pasárgada – Livraria São José – Rio de Janeiro, 1957

Andorinha, Andorinha – José Olympio – Rio de Janeiro, 1966

Itinerário de Pasárgada – Editora do Autor – Rio de Janeiro, 1966

Colóquio Unilateralmente Sentimental – Editora Record – RJ, 1968

Seleta de Prosa – Nova Fronteira – RJ

Berimbau e Outros Poemas – Nova Fronteira – RJ





Natal Antigo — poema de Bastos Tigres

18 12 2011

O Natal só acontece uma vez por ano,  1896

Charles Green

Litogravura

Natal Antigo

Bastos Tigre

Da vasta mesa patriarcal, em torno,

A família reúne-se.  Fumega

O rotundo leitão assado ao forno,

Entre vinhos velhíssimos da adega.

Loiras batatas traçam-lhe o contorno

Finas rodelas de limão carrega;

E, assim, com todo o culinário adorno,

Aguarda, inerte, a sorte iníquia e caga.

É noite de Natal.  Festa!  Alegria!

Em cada boca há um riso iluminado

Pelo amor que das almas irradia.

Mas ninguém nota o riso resignado

De amarga, pungentíssima ironia

Dos meigos olhos do leitão assado…

Antologia Poética, Bastos Tigre, Rio de Janeiro, Francisco Alves:1982, vol. 2





O Natal à moda brasileira

18 12 2011





Gatinhos, cartões de Natal com esses felinos fofíssimos!

17 12 2011

Essa postagem é dedicada à minha cunhada que trabalha incessantemente para a proteção dos animais abandonados e que tem um fraco por gatinhos.

Há pouco o que dizer sobre os animais no Natal, exceto que eles aparecem em centenas e centenas de cartões, em cartões postais, todos com as carinhas mais deliciosas.

A minha escolha foi feita, pelos mais bonitos e tentei também colocar os menos conhecidos.

Este é um achado!  Dentro da bota vermelha!

Mais moderno, gosto de ver os três gatinhos de cachecol olhando para a árvore de Natal ao fundo. Uma simetria tranquila, apesar de sabermos que logo logo esses bichanos irão embora, afinal, onde está o quentinho nesse monte de neve?

Os cartões franceses tem a tendência de mostrar nossos gatinhos fazendo as travessuras de sempre parecendo nos perguntar: não sou engraçadinho?

Gosto do lustro do pelo desse gatinho laranja!

São muito poucos os gatinhos interagindo com alguém, nos cartões de Natal.  E quando aparecem com um ser humano em geral é uma menina.  Fato é que não tenho um único cartão de Natal, ou postal em que um menino esteja brincando com um gatinho.  Isso, entre 3128 imagens de cartões de Natal.  Interessante, não é mesmo?

Sim, eles aparecem em cestas.  Uma coisa natural não é mesmo?  Eles que gostam de se meter em caixas, em sacos de papel…

E aparecem fazendo aquilo de que mais gostam: descansando…

Na maior parte das vezes, eles aparecem aos pares. São inúmeros os cartões com dois gatinhos.

Mas gostam muito de brincar com Papai Noel e com os enfeites de Natal.

——–

NOTA:  Na minha coleção de imagens de cartões de Natal e postais, um pouco mais de 3000 imagens, hoje, há mais cartões franceses com gatinhos do que de qulauqer outro país.  Mas há uma curiosidade que não abordei aqui e que ficará para a próxima oportunidade: os franceses são adeptos da personificação do gato, ou seja eles representam os gatinhos como humanos, fazendo coisas humanas, como namorar, jogar bola de neve, etc.  Essa personificação acontece em todos os países, mas os franceses se destacam.   É uma avenida interessante para se explorar no estudo da iconografia.  Aqui fica um exemplo:





Quadrinha dos Natais da infância

17 12 2011

Natal, ilustração de Roberto Innocenti.

Vencendo o tempo e a distância

num clima de eternidade,

os natais de minha infância

permanecem na saudade.

(Ivo dos Santos Castro)