–
–
Moça lendo, 2000
José van Gool (Bélgica, 1945 )
óleo sobre tela, 60 x 70 cm
–
“Um poema é um segredo dividido entre duas pessoas que nunca se encontraram”.
–
Charles Simic
–
–
Moça lendo, 2000
José van Gool (Bélgica, 1945 )
óleo sobre tela, 60 x 70 cm
–
–
Charles Simic
–
–
–
Todos os anos venho aqui sugerir alguns livros de presente. Este ano li poucos livros para os quais daria indiscutivelmente cinco estrelas, ou seja a nota máxima. De modo que a seleção será pequena. Não sei se li menos ou se fiz más escolhas. Fato é que tenho pouco a recomendar sem restrições. Mas os livros selecionados abaixo vão sem nenhuma restrição para o leitor ávido por boa literatura.
–
–
SINOPSE
Em 1975, um ano após a Revolução dos Cravos, Portugal perde as suas colônias. Em poucos meses, o país recebe mais de meio milhão de retornados, que de uma hora para a outra precisam abandonar as suas casas. É nesse contexto que conhecemos a história do narrador: Rui, um adolescente nascido em Luanda. Dulce Maria Cardosos alcança, com O retorno, uma linguagem de uma precisão absoluta. Uma linguagem lírica, delicada, mas também áspera e seca, oscilando entre os sentimentos com a habilidade que só os grandes têm. O universo da trama é tão bem construído que o leitor ri, chora, espera o pai, torce pelos personagens, como se os conhecesse. A vida salta do livro com suas mazelas e alegrias, com a potência do que é real. Tão real que a gente nem sabe por quê. Só sabe que é.
–
ISBN: 9788565500012
PÁGINAS: 272
ANO DE EDIÇÃO: 2012
–
Este é um livro que encanta e nos mostra um ângulo da história contemporânea raramente abordado. Magnífica linguagem.
–

–
SINOPSE
Malgudi é uma efervescente pequena cidade no Sul da Índia, onde se respira a força da cultura tradicional indiana unida ao anseio de integração no mundo moderno e global, um lugar em que palavras como ética, democracia, liberdade sexual e igualdade entre os sexos, individualismo e bem comum não só têm importância e sentido, como não estão necessariamente em conflito com a tradição. Um fio percorre e conecta a vida de uma inteira comunidade – são os letreiros de Raman. Do advogado ao comerciante, do sacerdote ao charlatão, é a escrita que os une. Raman prepara os letreiros no seu ateliê de fundo de quintal, onde vive sozinho com a tia, numa casa à beira do rio. Durante as solitárias leituras vespertinas ou pedalando a bicicleta a serviço dos fregueses e à caça de novos clientes, sua imaginação prevalece e torna incoerentes as convicções e certezas que defende e apregoa, fazendo-o cair em frequentes contradições, que geram situações embaraçosas e hilariantes ao mesmo tempo. Porém este equilíbrio na rotina metódica do pintor de letreiros é rompido com a chegada de uma forasteira. Idealista e determinada, ela contrata os seus serviços e o envolve numa viagem cheia de aventuras pela zona rural. Durante o percurso, Raman realiza uma dupla travessia – a atribulada viagem num carro-de-boi e o mergulho insidioso pelos meandros da paixão carnal e do romantismo.
–
ISBN: 9788599537190
PÁGINAS: 252
ANO DE EDIÇÃO: 2011
–
Um romance refinado de um dos maiores escritores indianos do século XX que só agora chega ao Brasil. Um retrato curioso do processo de modernização na Índia.
–
Livro das horas, de Nélida Piñon.–
SINOPSE
Um livro magistral da mais importante escritora contemporânea brasileira. Em uma narrativa comovente e sensível, Nélida revive memórias afetivas que emergem a partir de um vertiginoso turbilhão de lembranças e emoções. E a cada página lida, fica claro ao leitor que independente de sua vivência ou da riqueza de suas lembranças, sua história de amor sempre foi uma só: com a palavra.
–
ISBN: 9788501099785
PÁGINAS: 208
ANO DE EDIÇÃO: 2012
–
Tomando como inspiração o livro de reflexões religiosas — os breviários — da Idade Média, Nelida Piñon pondera sobre diversos aspectos da vida pessoal e profissional. Uma leitura pausada trará maior contentamento.
–
Sonhei que a neve fervia, de Fal Azevedo.–
SINOPSE
Em agosto de 2007, a morte do marido pegou a paulista Fal Azevedo – dona de um dos blogs mais acessados da internet, o Drops da Fal – de surpresa. Incredulidade, raiva e tristeza se misturaram ao conforto das mensagens de solidariedade e carinho de amigos e desconhecidos, leitores fiéis do blog. Sonhei que a neve fervia revê, através de e-mails e textos publicados na web, a jornada da tradutora e autora do elogiado Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite para encontrar força e (re)encontrar a voz – culta, engraçada, ferina, mas, acima de tudo, honesta e transparente – que conquistou leitores no mundo virtual e fora dele.
–
ISBN: 9788532526595
PÁGINAS: 384
ANO DE EDIÇÃO: 2012
Belo e triste relato do processo de luto por que as pessoas, e nesse caso a autora, passam ao perder o companheiro de vida.
–
–
A última façanha do Major Pettigrew, Helen Simonson.–
SINOPSE
–
Entre os mais vendidos do New York Times e do Washington Post, em 2010, A última façanha do Major Pettigrew narra uma história de amor e amizade marcada pelo rompimento de valores tradicionais entre um viúvo inglês de 68 anos e uma paquistanesa, também viúva, que é excluída da comunidade por sua herança cultural, sua aparência e seus costumes. Ambientado em uma pequena cidade da Inglaterra, o livro acompanha os percalços enfrentados pelos protagonistas para assumir o seu amor. Aposentado pelo exército inglês, o Major Ernest Pettigrew considera a honra, a disciplina e as boas maneiras virtudes essenciais. Ele parece satisfeito com sua pacata rotina de viúvo – idas semanais ao clube de golfe, telefonemas esparsos para o filho, leitura de poemas clássicos – até perder o irmão, Bertie, e perceber que está mais sozinho do que imaginava. É a solidão repentina que o aproxima da paquistanesa Jasmina Ali, 58 anos. Ela é dona de um mercadinho da região e, assim como o major, grande apreciadora de obras literárias. Aos olhos dos moradores da vila, fofoqueiros e apegados à tradição, a diferença cultural entre eles é quase insustentável. Para o major, no entanto, Jasmina é uma nova e surpreendente companhia. Neste delicioso romance de estreia, que alcançou as principais listas dos mais vendidos norte-americana, Helen Simonson lança um olhar sobre o sistema de classes britânico com uma trama que é um misto de comédia de costumes com história de amor. Seu grande mérito foi construir dois personagens igualmente admiráveis e divertidos, num livro sobre o inesperado milagre do amor tardio.
–
ISBN: 9788532526298
PÁGINAS: 429
ANO DE EDIÇÃO: 2011
–
Uma deliciosa comédia retratando a maneira de viver na Inglaterra moderna, com seus novos habitantes vindos das antigas colônias. Humor fino na tradição de Jane Austen.
–
–
Dormindo
Roman Zaslonov (Belarússia, 1962)
óleo sobre tela, 122 x 122 cm
–
–
Ernest Hemingway
–
–
Alfredo Araujo Santoyo (Colômbia, 1972)
desenho a carvão sobre papel, 35 x 27 cm
–
–
Joyce Carol Oates
–
–
Café da manhã da trabalhora, s/d
Louise Amélie Landre (França, 1852-?)
Oil on Canvas
–
Louise Amelie Landre nasceu em Paris em 1852. Estudou no ateliê de Chaplin, depois com Barias e finalmente completou seus estudos em pintura com Hubert. Sua carreira se iniciou no Salão de 1876. Em 1885, foi nomeada como Associada aos artistas franceses. E continuou a expor os retratos e as paisagens pelos quais ficou conhecida, pelo mesno até 1918. Data de falecimento desconhecida.
–
–
Mulher na praia, 1992
Manuel Anoro (Espanha, 1943)
óleo e acrílica sobre tela, 79 x 99 cm
–
–
Walt Disney
—-
—-
Em um jardim florentino, 2008
Ghislaine Gagna (França)
óleo e pastel sobre tela
80 x 100 cm
—
Confesso que andei muito curiosa a respeito do crítico literário Rodrigo Gurgel. Não o conhecia. Só ouvi falar nele depois da controvérsia sobre sua participação na seleção do Prêmio Jabuti. Depois disso, procurei por ele, passei no blog Rodrigo Gurgel algumas vezes, simpatizei bastante com suas opiniões. No início desta semana, li a entrevista que ele deu a Márcia Abos, do jornal O GLOBO [ 3/12/2012] e me enfureci. Não com Rodrigo Gurgel – esse sobrenome anda muito famoso hoje em dia e sempre do lado certo — mas com a arrogância das questões colocadas pela jornalista, inconformada com a diferença de opinião do crítico literário em comparação com a dos demais membros do juri.
As perguntas começaram pedindo que ele enunciasse os critérios que usou para dar notas na segunda etapa do prêmio. [É importante notar, no entanto, que a pergunta não foi feita aos outros integrantes do júri]. E continuou: “Mas você avaliou o romance de Ana Maria Machado”? e depois, em ordem, a entrevistadora pergunta: Você ao dar nota zero, definiu sozinho a categoria. Esperava que isso acontecesse?, Decepcionou-se com “Infâmia”, de Ana Maria Machado; Fez uma espécie de leitura às cegas? E finalmente, a joia de toda a entrevista: Depois da polêmica, arrepende-se de suas notas?
Mas o que quer a jornalista Márcia Abos? Pelas perguntas fica a sensação de que Ana Maria Machado já era considerada a vencedora,com o livro Infâmia, mesmo antes dos votos terem sido contados. Rodrigo Gurgel foi, então, o estraga-prazeres, um lunático, um jurado que não sabia o que fazia? Mas por que? Por que ele não gostou do livro de Ana Maria Machado? Por que não se submeteu à corrente que precisava premiar a autora?
Escritores têm bons e maus momentos. Têm livros bons e ruins. Será que Ana Maria Machado está acima desse patamar? Por que a opinião de um crítico, conceituado o suficiente para fazer parte do júri do Jabuti, tem que concordar com a opinião dos outros? Neste prêmio ninguém é para ser premiado pela obra passada. E tampouco pela obra ainda não produzida. O que teoricamente está em julgamento é aquele livro, específico. Este ano eram Infâmia de Ana Maria Machado, Ninhonjin e outros. Mas nessa entrevista não houve a pergunta mais important de todas, ao entrevistar Rodrigo Gurgel: Quais as características do romance de Oscar Nakasato, Ninhonjin, que agradaram ao critico Rodrigo Gurgel, que levaram este escritor a ganhar o prêmio? Mas esta pergunta, a única realmente válida nesse caso, não foi feita. E ainda, Ninhonjin, o vencedor do prêmio, não foi mencionado durante a entrevista publicada, exceto na introdução da seguinte maneira: “O crítico literário Rodrigo Gurgel, o polêmico jurado C da categoria romance do mais antigo e tradicional prêmio de literatura no Brasil, explica em entrevista ao GLOBO por que [sic] distribuiu notas zero para romances de autores consagrados, como Ana Maria Machado, e notas dez para obras de estreantes, como Oskar Nakamoto”. Como assim? O premiado não mereceu uma única menção? Afinal o que teria esse livro para receber nota 10? E Rodrigo Gurgel polêmico? Por que não gostou de certos livros? Aos olhos de quem?
A entrevista acabou aí. Acusatória. Não deveria haver uma opinião divergente; o resultado eram favas contadas. Foi uma cobrança pública de um voto. Como se para ser jurado no Prêmio Jabuti o crítico tivesse a obrigação não de votar no que acreditasse ser o melhor, mas no que outros imaginavam ser o romance que deveria ganhar. “Há algo de podre no Reino da Dinamarca”, no mundo literário, nos prêmios, quando se espera que só certos autores, abençoados pelas igrejinhas, pelas coronéis editoriais, pela moldes políticos ou críticos da moda sejam os premiados.
O Prêmio Jabuti anda por demais nas manchetes dos jornais. Recentemente sofreu grande pressão quando premiou Chico Buarque de Holanda. Talvez, se mais críticos como o independente Rodrigo Gurgel fizessem parte do júri, o prêmio deixasse as manchetes de escândalo nos jornais para realmente abrir caminhos para uma verdadeira literatura brasileira, tão estagnada hoje pelos espartilhos das versões críticas da moda.
–
–
Voltando do mar, 1924
Félix Vallotton (Suiça, 1865 – 1925)
óleo sobre tela, 80 x 100 cm
Musée d’Art et d’Histoire, Genebra, Suíça
–
–
Louisa May Alcott
–
–

Estudante no Jardim Gulbenkian, 2007
Henrique Nande (Portugal, 1960)
óleo sobre tela , 50 x 50 cm
Coleção Particular
–
Henrique Nande nasceu em Lisboa em 1960. Fez seus primeiros estudos em Moçambique. É pintor, desenhista de história em quadrinhos, designer. Inquisitivo já trabalhou com publicidade, desenho animado sem deixar a pintura de lado. Trabalha e reside em Lisboa.
–
–

Menina lendo sentada frente à janela, 1914
Karl Harold Alfred Broge( Dinamarca, 1870-1955)
Óleo sobre tela, 54 x 43 cm
Christie’s Auction House
–
–
Arthur Schopenhauer