Palavras para lembrar — Lin Yutang

18 03 2013

Károly Ferenczy, Man Sitting on a Log (1895, Hungarian National Gallery, 1895)

Homem sentado no tronco de árvore, 1895

Károly Ferenczy (Hungria, 1862-1917)

óleo sobre papelão, 62 x 77 cm

Galeria Nacional da Hungria, Budapeste.

“O homem sábio lê tanto livros quanto a vida em si”.


Lin Yutang





Imagem de leitura — George Van Hook

15 03 2013

George Van Hook Looking at Metcalf 2011.

Uma leitura tranquila, observando Metcalf, 2011

George Van Hook (EUA, 1954)

óleo sobre tela, 51 x 61 cm

George Van Hook

George Van Hook nasceu em 1954  no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos.  Sempre apreciou a pintura impressionista.  Estudou pintura, formando-se pela Humboldt State University.  Passou um ano viajando na Europa onde estudou a pintura de mestres europeus.  Ao retornar estabeleceu-se na Califórnia, até casar e  formar uma família.  Hoje mora e mantem seu estúdio em Cambridge, NY, próximo a Albany.





Palavras para lembrar — Ezra Pound

11 03 2013

Leonid Osipovich Pasternak (1862-1945) inspiração, ost

Os tormentos do trabalho criativo

Leonid Osipovich Pasternak ( Rússia, 1862-1945)

óleo sobre tela, 63 x 81 cm

“Os homens não entendem os livros até que tenham vivido um pouco, ou melhor, nenhum homem entende um livro profundo, até que tenha visto ou vivido pelo menos parte de seu conteúdo”.


Ezra Pound





A cela do religioso, texto de Aluísio de Azevedo

5 03 2013

64newtes

Monge franciscano lendo, 1661

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Holanda, 1606- 1669)

Óleo sobre tela, 82 x 66 cm

Museu de Arte Sinebrychoff, Helsinque, Finlândia

“A porta abriu-se sem ruído. Ele entrou, e a porta fechou-se de novo, silenciosamente.

O lugar em que o venerando religioso acabava de penetrar, era uma triste cela, sombria e espaçosa, com uma janela gradeada e fechada, e apenas frouxamente esclarecida por uma clarabóia do teto. As paredes, nuas de alto a baixo, tinham uma cor sinistra de osso velho. Em uma delas havia um grande nicho com a imagem da Virgem da Conceição, quase de tamanho natural; a um dos cantos, uma negra estante toscamente feita, pejada de grossos alfarrábios amarelecidos pelo tempo; no centro, uma mesa de madeira escura com um breviário em cima, ao lado de uma candeia de azeite, um pedaço de pão duro e um cilício cru; junto à mesa, um banco de pau”. 

Em: A mortalha de Alzira, Aluísio de Azevedo, publicado pela 1ª vez em 1892, primeiro capítulo, em domínio público.





Conhecer o outro é o que a leitura me permite

2 03 2013

julia-beck-self-portrait-1882

Retrato da pintora Julia Beck, 1882

Richard Bergh Malningen (Suécia, 1858-1919 )

óleo sobre tela

Museu Nacional da Suécia, Estocolmo

No início de fevereiro fiz uma postagem sobre o novo livro de David Shields em que ele discursa sobre o valor da literatura [Qual é o valor da leitura literária?] e minha amiga Nanci, que muito me prestigia lendo com atenção este blog, lembrou que na minha postagem eu havia me esquivado de responder à pergunta título.  Pedi a ela um tempinho para responder.  Chegou a hora da verdade.  Não há uma única resposta.  São muitas, assim como muitas fui e sou. A cada fase da vida a leitura literária teve uma ou mais funções.

Livros sempre fizeram parte da minha vida.  Cresci numa família de leitores. Não só meus pais eram leitores, mas tios e avós também.  Desse modo posso dizer que fui programada para fazer da leitura um hábito para a vida toda.  Ponderei sobre a questão e acho que encontrei o meu fio da meada: a leitura literária me permite conhecer o outro, aquele diferente de mim.





Palavras para lembrar — Mark Haddon

28 02 2013

dimitris voyiazoglou, the horosope reader II

Leitora de horóscopo

Dimitris Voyiazoglou (Grécia/Holanda, contemporâneo)

“Ler é uma conversa.  Todos os livros falam.  Mas um bom livro também escuta”.

Mark Haddon





O gabinete do médico, texto de Aurélio Pinheiro

28 02 2013

Edwaert Collier Vanitas Still Life 17th century. Edwaert CollierVanitas, 1669

Edwaert Collier (Holanda, 1642-1710)

óleo sobre madeira, 32 x 27 cm

O gabinete do médico

Aurélio Pinheiro

O Dr. Elesbão recebeu-nos com um sorriso sereno, em sua fecunda biblioteca, de altas, solenes estantes de mogno. Era uma grande sala, branca, de espiritualizante claridade, com as janelas abertas para o nascente. Sobre a larga mesa de estudos havia livros esparsos, papéis, vários objetos e um tinteiro de prata com uma águia de asas distendidas na ânsia de um vôo fremente. Junto à mesa, num dunquerque de ébano, pousava uma caveira sobre um suporte niquelado. Pelos cantos, colunas de mármopore ostentavam estatuetas e jarrões, e atrás da cadeira do Mestre surgia o busto de Hipócrates, saliente e austero como o de um deus pensativo. Entre duas estantes um pêndulo alto e negro marcava as horas, antecedendo-as de um minuete do tempo do Rei-Sol. Nas paredes dois quadros a óleo: — uma cabeça de velha a sorrir com brandura e uma álacre marinha… Um sofá de molas envolvido em capa de linho branco e algumas cadeiras de jacarandá com espaldares em alto relevo, completavam o severo mobiliário.

Em: Flor do Lácio,[antologia]  Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário), página 23.

Aurélio Waldomiro Pinheiro (RN 1882 – RJ 1938) médico, jornalista, poeta, escritor.Formado em medicina , pela Faculdade de Medicina da Bahia, graduando-se em 1907.  Retorna ao Rio Grande do Norte (Macau), onde além de clinicar colabora com o jornal O Mossoroense.   Em 1910 muda-se para Parintins no Amazonas. Faleceu em Niterói, no Rio de Janeiro em 1932)

Obras:

Gleba tumultuária, prosa, 1927

O desterro de Umberto Saraiva, romance, 1928

Macau, romance, 1932-34

À margem do Amazonas, prosa, 1937

Em busca do ouro, prosa, 1938

Dicionário de sinônimos da língua nacional, s/d





Imagem de leitura — Adam Buck

27 02 2013

Mother_and_Child_1

Mãe e filho

Adam Buck ( Irlanda, 1759-1833)

gravura

Victoria & Albert Museum, Londres

Adam Buck nasceu em Cork, na Irlanda, em 1759. Foi um pintor miniaturista trabalhando  entre 1780 e 1790, enquanto ainda morava na Irlanda.  Mudou-se para Londres em 1795. Exerceu grande influência na cultura da época da Regência fazendo  gravuras de trajes contemporâneos, bem como retratos de famílias, no gênero de cenas clássicas e ilustrações para Laurence Sterne ‘s Sentimental Journey.  Foi  professor de pintura, e fez inúmeras exposições de  miniaturas e pequenos retratos de corpo inteiro na Academia Real entre 1795 e 1833. Morreu em Londres em 1833.





Palavras para lembrar — Tahar Ben Jelloun

24 02 2013

Beside the summer sea

Ao lado do mar de verão,1896

Philip Burne-Jones (Inglaterra, 1861-1926)

Aquarela sobre papel, 46 x 26 cm

Samuel and Mary R. Bancroft Memorial, 1935

Delaware Art Museum, Wilmington, DE

” Um livro é o nascimento de uma viagem, o traçado de um itinerário”.

Tahar Ben Jelloun





A arte do ensaio muda de cara

21 02 2013

Chatterton-Purdy-PamelaLeitora, s/d

Pamela Chatterton-Purdy (EUA, contemporânea)

www.chatterton-purdyart.com

O  mais recente número da revista New Republic, traz o interessante artigo The New Essayists or the decline of a form, por Adam Kirsch.  Ele demonstra que a morte do ensaio literário, diferente do que se presumia há quase 30 anos, não chegou a existir e que hoje o ensaio está mais vivo do que se poderia esperar. Há um número significativo de volumes de ensaios chegando às listas de mais vendidos.  Algo muito maior do que o sonhado em passado recente. O assunto me interessa porque o ensaio é uma das minhas formas favoritas de leitura e muito já desejei, quando adolescente, pensando que me caberia um espaço nas artes literárias, que esta seria a minha forma de expressão.  Desde os Ensaios de Montaigne, aos de Emerson, aos de Gore Vidal, para dar exemplos genéricos e universais, considero o ensaio como uma forma literária agradabilíssima, em que podemos seguir a maneira de pensar do autor, apreciar seus argumentos e além disso apreciar o estilo e a perspicácia com que um argumento seduz o leitor.  Nem sempre é necessário que se concorde com o autor.  Um bom ensaísta pode ser apreciado pelo método e pela arte literária mesmo que se discorde do conteúdo.

Adam Kirsch lembra, no entanto, que o ensaio mudou de cara. Ele considera quatro livros publicados nos Estados Unidos e descobre que o conceito que tivemos de ensaio já não se aplica.  O ensaio ao que tudo indica passou a ser uma performance e não uma reflexão do autor.  Passou a ser uma crônica, um causo de ficção, deixando para trás aquilo que percebemos no verdadeiro, ou melhor na antiga concepção do ensaio, que é a opinião do autor, que a justifica pelo uso de suas associações, pelo  uso de suas convicções.  O ensaio atual não passa de uma meta linguagem, em que o autor cria um personagem que por sua vez é quem considera diversos aspectos culturais.  Como se Dona Candoca, alterego do colunista Artur Xexeo, com o qual ele expressa opiniões nem sempre das mais eruditas, fosse na verdade a personagem que pensasse e organizasse uma linha de pensamentos e os defendesse.  É o eu de ficção que agora toma o lugar do pensador.  Lembra também que os detalhes do dia a dia do personagem inventado são agora o assunto pelo qual percebemos e debatemos o mundo.   É o reality-show do eu ficcionalizado.  É o tele-ensaio.  Pena.  Para onde foram os pensadores?  Levante-se, por favor, o verdadeiro pensador.

PERGUNTA: Qual é o seu ensaísta brasileiro favorito?

Ah, sim, o meu?  Provavelmente Gilberto Freyre, mas é difícil dizer. Ledo Ivo está muito próximo dele.