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Homem sentado no tronco de árvore, 1895
Károly Ferenczy (Hungria, 1862-1917)
óleo sobre papelão, 62 x 77 cm
Galeria Nacional da Hungria, Budapeste.
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“O homem sábio lê tanto livros quanto a vida em si”.
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Lin Yutang
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Homem sentado no tronco de árvore, 1895
Károly Ferenczy (Hungria, 1862-1917)
óleo sobre papelão, 62 x 77 cm
Galeria Nacional da Hungria, Budapeste.
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Lin Yutang
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Uma leitura tranquila, observando Metcalf, 2011
George Van Hook (EUA, 1954)
óleo sobre tela, 51 x 61 cm
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George Van Hook nasceu em 1954 no estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Sempre apreciou a pintura impressionista. Estudou pintura, formando-se pela Humboldt State University. Passou um ano viajando na Europa onde estudou a pintura de mestres europeus. Ao retornar estabeleceu-se na Califórnia, até casar e formar uma família. Hoje mora e mantem seu estúdio em Cambridge, NY, próximo a Albany.
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Os tormentos do trabalho criativo
Leonid Osipovich Pasternak ( Rússia, 1862-1945)
óleo sobre tela, 63 x 81 cm
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Ezra Pound
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Monge franciscano lendo, 1661
Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Holanda, 1606- 1669)
Óleo sobre tela, 82 x 66 cm
Museu de Arte Sinebrychoff, Helsinque, Finlândia
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“A porta abriu-se sem ruído. Ele entrou, e a porta fechou-se de novo, silenciosamente.
O lugar em que o venerando religioso acabava de penetrar, era uma triste cela, sombria e espaçosa, com uma janela gradeada e fechada, e apenas frouxamente esclarecida por uma clarabóia do teto. As paredes, nuas de alto a baixo, tinham uma cor sinistra de osso velho. Em uma delas havia um grande nicho com a imagem da Virgem da Conceição, quase de tamanho natural; a um dos cantos, uma negra estante toscamente feita, pejada de grossos alfarrábios amarelecidos pelo tempo; no centro, uma mesa de madeira escura com um breviário em cima, ao lado de uma candeia de azeite, um pedaço de pão duro e um cilício cru; junto à mesa, um banco de pau”.
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Em: A mortalha de Alzira, Aluísio de Azevedo, publicado pela 1ª vez em 1892, primeiro capítulo, em domínio público.
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Retrato da pintora Julia Beck, 1882
Richard Bergh Malningen (Suécia, 1858-1919 )
óleo sobre tela
Museu Nacional da Suécia, Estocolmo
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No início de fevereiro fiz uma postagem sobre o novo livro de David Shields em que ele discursa sobre o valor da literatura [Qual é o valor da leitura literária?] e minha amiga Nanci, que muito me prestigia lendo com atenção este blog, lembrou que na minha postagem eu havia me esquivado de responder à pergunta título. Pedi a ela um tempinho para responder. Chegou a hora da verdade. Não há uma única resposta. São muitas, assim como muitas fui e sou. A cada fase da vida a leitura literária teve uma ou mais funções.
Livros sempre fizeram parte da minha vida. Cresci numa família de leitores. Não só meus pais eram leitores, mas tios e avós também. Desse modo posso dizer que fui programada para fazer da leitura um hábito para a vida toda. Ponderei sobre a questão e acho que encontrei o meu fio da meada: a leitura literária me permite conhecer o outro, aquele diferente de mim.
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Leitora de horóscopo
Dimitris Voyiazoglou (Grécia/Holanda, contemporâneo)
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Mark Haddon
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Edwaert Collier (Holanda, 1642-1710)
óleo sobre madeira, 32 x 27 cm
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Aurélio Pinheiro
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O Dr. Elesbão recebeu-nos com um sorriso sereno, em sua fecunda biblioteca, de altas, solenes estantes de mogno. Era uma grande sala, branca, de espiritualizante claridade, com as janelas abertas para o nascente. Sobre a larga mesa de estudos havia livros esparsos, papéis, vários objetos e um tinteiro de prata com uma águia de asas distendidas na ânsia de um vôo fremente. Junto à mesa, num dunquerque de ébano, pousava uma caveira sobre um suporte niquelado. Pelos cantos, colunas de mármopore ostentavam estatuetas e jarrões, e atrás da cadeira do Mestre surgia o busto de Hipócrates, saliente e austero como o de um deus pensativo. Entre duas estantes um pêndulo alto e negro marcava as horas, antecedendo-as de um minuete do tempo do Rei-Sol. Nas paredes dois quadros a óleo: — uma cabeça de velha a sorrir com brandura e uma álacre marinha… Um sofá de molas envolvido em capa de linho branco e algumas cadeiras de jacarandá com espaldares em alto relevo, completavam o severo mobiliário.
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Em: Flor do Lácio,[antologia] Cleófano Lopes de Oliveira, São Paulo, Saraiva: 1964; 7ª edição. (Explicação de textos e Guia de Composição Literária para uso dos cursos normais e secundário), página 23.
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Aurélio Waldomiro Pinheiro (RN 1882 – RJ 1938) médico, jornalista, poeta, escritor.Formado em medicina , pela Faculdade de Medicina da Bahia, graduando-se em 1907. Retorna ao Rio Grande do Norte (Macau), onde além de clinicar colabora com o jornal O Mossoroense. Em 1910 muda-se para Parintins no Amazonas. Faleceu em Niterói, no Rio de Janeiro em 1932)
Obras:
Gleba tumultuária, prosa, 1927
O desterro de Umberto Saraiva, romance, 1928
Macau, romance, 1932-34
À margem do Amazonas, prosa, 1937
Em busca do ouro, prosa, 1938
Dicionário de sinônimos da língua nacional, s/d
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Mãe e filho
Adam Buck ( Irlanda, 1759-1833)
gravura
Victoria & Albert Museum, Londres
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Adam Buck nasceu em Cork, na Irlanda, em 1759. Foi um pintor miniaturista trabalhando entre 1780 e 1790, enquanto ainda morava na Irlanda. Mudou-se para Londres em 1795. Exerceu grande influência na cultura da época da Regência fazendo gravuras de trajes contemporâneos, bem como retratos de famílias, no gênero de cenas clássicas e ilustrações para Laurence Sterne ‘s Sentimental Journey. Foi professor de pintura, e fez inúmeras exposições de miniaturas e pequenos retratos de corpo inteiro na Academia Real entre 1795 e 1833. Morreu em Londres em 1833.
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Ao lado do mar de verão,1896
Philip Burne-Jones (Inglaterra, 1861-1926)
Aquarela sobre papel, 46 x 26 cm
Samuel and Mary R. Bancroft Memorial, 1935
Delaware Art Museum, Wilmington, DE
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Tahar Ben Jelloun
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Pamela Chatterton-Purdy (EUA, contemporânea)
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O mais recente número da revista New Republic, traz o interessante artigo The New Essayists or the decline of a form, por Adam Kirsch. Ele demonstra que a morte do ensaio literário, diferente do que se presumia há quase 30 anos, não chegou a existir e que hoje o ensaio está mais vivo do que se poderia esperar. Há um número significativo de volumes de ensaios chegando às listas de mais vendidos. Algo muito maior do que o sonhado em passado recente. O assunto me interessa porque o ensaio é uma das minhas formas favoritas de leitura e muito já desejei, quando adolescente, pensando que me caberia um espaço nas artes literárias, que esta seria a minha forma de expressão. Desde os Ensaios de Montaigne, aos de Emerson, aos de Gore Vidal, para dar exemplos genéricos e universais, considero o ensaio como uma forma literária agradabilíssima, em que podemos seguir a maneira de pensar do autor, apreciar seus argumentos e além disso apreciar o estilo e a perspicácia com que um argumento seduz o leitor. Nem sempre é necessário que se concorde com o autor. Um bom ensaísta pode ser apreciado pelo método e pela arte literária mesmo que se discorde do conteúdo.
Adam Kirsch lembra, no entanto, que o ensaio mudou de cara. Ele considera quatro livros publicados nos Estados Unidos e descobre que o conceito que tivemos de ensaio já não se aplica. O ensaio ao que tudo indica passou a ser uma performance e não uma reflexão do autor. Passou a ser uma crônica, um causo de ficção, deixando para trás aquilo que percebemos no verdadeiro, ou melhor na antiga concepção do ensaio, que é a opinião do autor, que a justifica pelo uso de suas associações, pelo uso de suas convicções. O ensaio atual não passa de uma meta linguagem, em que o autor cria um personagem que por sua vez é quem considera diversos aspectos culturais. Como se Dona Candoca, alterego do colunista Artur Xexeo, com o qual ele expressa opiniões nem sempre das mais eruditas, fosse na verdade a personagem que pensasse e organizasse uma linha de pensamentos e os defendesse. É o eu de ficção que agora toma o lugar do pensador. Lembra também que os detalhes do dia a dia do personagem inventado são agora o assunto pelo qual percebemos e debatemos o mundo. É o reality-show do eu ficcionalizado. É o tele-ensaio. Pena. Para onde foram os pensadores? Levante-se, por favor, o verdadeiro pensador.
PERGUNTA: Qual é o seu ensaísta brasileiro favorito?
Ah, sim, o meu? Provavelmente Gilberto Freyre, mas é difícil dizer. Ledo Ivo está muito próximo dele.