Leitura é mágica!…

31 07 2024
Ilustração: Edmund Dulac (França, 1882-1953)





Depois da reforma a Folger Shakespeare Library, reabre!

29 07 2024
Missal de Etiènne de Longwy, 1490.  Foto, cortesia da Folger Shakespeare Library.

 

 

Depois de quatro anos de obras de expansão ao custo de oitenta milhões de dólares, a Biblioteca Shakespeariana Folger na cidade de Washington DC abre novo espaço para exposições de livros raros, com a exposição de uma coleção particular de livros e manuscritos raros. 

 

De humani corporis fabrica, 1543 de Andreas Vesalius. Foto, cortesia da Folger Shakespeare Library.

 

A nova sala de exposições mostra na abertura, cinquenta e duas obras da coleção de particular de Stuart e Mimi Rose, que celebra a eterna procura pelo conhecimento da humanidade.  A exposição leva o nome de Marcas do Tempo [Imprints in Time].  A exposição estará aberta até o dia 5 de Janeiro de 2025.  Se você pretende passar alguns dias nos EUA, e gosta de livros, essa exposição é para não perder.

 

Americanum no. 1, 1494 de Cristóvão Colombo. Foto, cortesia da Folger Shakespeare Library.

 

 

O Senhor dos Anéis, [The Lord of the Rings], J.R.R. Tolkien,1954–55. Foto, cortesia da Folger Shakespeare Library.





Já na Amazon, para os amantes dos anos 80!

23 07 2024
Uma antologia de textos sobre os anos 1980. Já na Amazon em e-book.

Tive o prazer de ter sido convidada para participar desta antologia de textos variados sobre os anos 80. Minha contribuição é de um conto, chamado MAR10, que se passa nos dias de hoje durante uma competição entre jogadores do campeonato do e-game Super Mario Brothers.

Mas há diversos autores e portanto muitas maneiras de se comemorar essa década que marcou tanto a cultura popular.

Espero que vocês gostem.

Edição eletrônica gratuita se você faz parte do Kindle Unlimited. Se não faz parte, o custo é R$16,00 para edição eletrônica. Em papel: sob demanda, 7 a 10 dias. Veja preço na Amazon.

Edição, organização e produção de Monique Machado.

Também em: espanhol, francês e inglês.

ESTAREMOS NA BIENAL DO LIVRO EM SÃO PAULO.





Palavras para lembrar: Oscar Wilde

17 06 2024

Na janela, 1977

Gennady Myznikov (Rússia, 1933

óleo sobre papelão, 110 x 70 cm

 

 

“Os livros considerados imorais pelo mundo são aqueles que lhe mostram sua própria vergonha.”

 

 

Oscar Wilde





Leitura é mágica!

9 05 2024
Ilustração William Joyce (EUA, 1959).





Os livros dos últimos vinte e poucos anos!

5 05 2024

Esconde esconde literário

Camille Engel (EUA, contemporânea)

óleo sobre madeira, 30 x 35 cm

 

 

 

PARTE UM

 

 

 

Listas, listas, listas de livros quem não as ama?  Uma coincidência hoje em fez com que eu passasse a tarde refletindo sobre livros lidos e listas de livros.  Uma amiga me mandou um artigo do The New York Times, [Book Review’s  Best Books Since 2000– Looking for your next great read? We’ve got 3,228. Explore the best from chosen by our editors] e como não poderia deixar de ser, fui investigar que livros eles consideraram os melhores de duas décadas e meia no século XXI.  E será que os meus favoritos estariam nesta lista?  Vou levar vocês às coisas sobre as quais rumino neste fim de semana.

Tenho refletido muito sobre escolha de livros, sobre o quanto me transformei numa pessoa mais exigente e sem paciência para algumas narrativas.  E avaliei durante este mês de abril, quando meu primeiro grupo de leitura, Papalivros, chegou à sua maioridade, 21 anos de existência, se vale a pena continuar.  Tenho considerado o desempenho do grupo, mas principalmente o meu desempenho como organizadora, porque vinte e um anos são uma geração inteira, e o mundo mudou nestas duas décadas. O mundo mudou, mudei eu e mudaram os membros.  O grupo, hoje, já não está mais tão alerta, mais tão energético quanto era.  Basta ver a maior similaridade daquilo que lemos com a lista dos favoritos dos editores do NYT. Estávamos mais engajados no passado. E me pergunto se vale a pena continuar, com o grupo nos termos estabelecidos, tanto para mim como para os membros. Uma coisa é certa: há uma alteração óbvia nos três grupos que organizo.  Há um afastamento, um relaxamento depois da pandemia.  Nenhum dos grupos é o mesmo. Nem eles são do mesmo tamanho. O comportamento das pessoas mudou. Considero portanto o que poderia ser feito para que o grupo continuasse com mais interesse e mais curiosidade pela leitura.

O modelo que escolhi em 2003 foi uma adaptação carioca de grupos de leitura que frequentei, mais que um, em diversas cidades americanas, nas décadas que morei fora do Brasil. Lá, talvez porque o hábito da leitura já esteja absorvido, há uma naturalidade nos encontros que não acontece aqui. Lá os grupos são mistos, aqui os homens que entraram desistiram.  Os encontros são nas casas das pessoas, em rotatividade, sempre.  Nunca participei de um grupo de leitura que se encontrasse em lugar público. Estabelece-se um horário, sempre dia da semana, sempre à noite.  O americano janta cedo, de modo que 20 horas é um horário que todos têm livre e já é depois do jantar.  Os encontros são cada vez na casa de um membro.  Dependendo do grupo, aquele membro oferece um café, chá, alguns biscoitos, talvez um bolo.  Ninguém vai “para comer ou beber”, comer ou beber é secundário. Outros grupos funcionam com “potluck” cada membro traz uma coisa de comes e bebes ou alguém fica responsável pelos biscoitos ou por assar um bolo para aquele encontro.  Todo americano sabe cozinhar: homem ou mulher, ou sabe comprar (muito mais raro) algum biscoito especial, e traz uma garrafa de vinho,  Mas a atenção é no livro, nas leituras, na troca de experiências literárias ou pessoais. O americano também fala no seu turno, acho que essa é uma diferença fundamental aprendida na escola quando crianças e adolescentes aprendem a organizar grupos e a aceitar propostas, a votar nelas. Eles aprendem desde cedo a seguirem a Robert’s Rules of Order, algo de que nunca ouvi falar no Brasil, mas que todo americano conhece e segue. Sendo assim, um americano nunca atrapalha o outro ou corta o outro na fala.  Esse hábito não é mantido por aqui, linhas de argumentação se perdem e frequentemente conversas paralelas surgem,  o que põe qualquer troca de ideias a perder.  Esse é verdadeiramente um hábito carioca, cultural, ao qual não consigo me acostumar.  Lá, o assunto revolve sobre o livro, o tema abordado, a vida do escritor, que mais aquele escritor publicou. “E vocês viram o artigo… no NYT, ou no Post, ou no N&O?” E como e se aquilo reflete no que você conhece da sua vida.  Por volta das 22 horas todos mais ou menos se preparam para ir embora, todos trabalham no dia seguinte.  Antes,  um novo livro foi acordado para o próximo mês.  Neste aspecto os americanos são bem mais participativos do que os cariocas.  Não sei bem porque.

 

 

 

A mesa, 1928

Georges Braque (França, 1882-1963)

óleo sobre tela, 81 x 131 cm

National Gallery, Washington DC

 

 

 

A adaptação que fiz para o Rio de Janeiro foi principalmente o ajuste do local de encontro.  Inicialmente, nos primeiros seis anos, os encontros foram na minha moradia. Ainda mantenho o hábito de receber, gosto de juntar amigos. Gosto de fazer pratos especiais.  Mas o carioca está acostumado a se encontrar fora de casa, no bar, no restaurante. Portanto, quando me mudei para um apartamento menor, as reuniões passaram a ser feitas em restaurantes. Nessa época o grupo tinha 14 membros  Os problemas se intensificaram: a conversa sobre o livro é sempre interrompida por pedidos de mais uma laranjada… gelo… e a minha ordem?  Pode trazer o sal, por favor?  Fulana, você já experimentou o pastel?  É bom?  Ah, eu não posso comer …  aqui não tem nada que eu possa comer… a atenção não se mantém no livro. Conversas paralelas surgem numa fração de segundos.  O assunto gerado pelo livro é abortado. É difícil manter a atenção dos participantes. 

Esta pequena mudança de um ambiente fechado para um ambiente público foi determinante no comportamento dos participantes. Mudou. O grupo se tornou menos dedicado às trocas de ideias sobre a leitura e mais inclinado a escapulir da agenda a qualquer momento.  Poucas vezes alguém cuida de trazer um artigo sobre o livro, sobre o escritor, até mesmo sobre o país em que a trama se desenvolve.  As conversas empobreceram.  E, houve um agravante pior:  nos sujeitamos à troca de lugares de encontro, a mercê da economia local.  Se a economia na cidade ia bem, podíamos contar com a estabilidade dos locais de encontro.  No momento em que a economia ia mal também nós sofríamos. A lanchonete onde nos encontrávamos fechou, o café que a substituiu, fechou, fomos para um restaurante tradicional, tivemos problemas: não queriam servir só salgados ou coisas rápidas; mudamos para outro restaurante mais tradicional que não nos recebeu mal mas a sala especial no terceiro andar, que haviam nos prometido não pode ser acionada depois da segunda vez que nos encontramos lá, porque a receita não era grande suficiente para eles nos abrirem o local.  Nossos encontros de domingo à tarde (horário estabelecido pelos participantes) sempre têm pessoas que almoçam tarde e não querem comer nada. Nenhum restaurante pode segurar lugares sem receita por duas ou duas horas e meia.  Até que este mesmo restaurante, que nos abrigou, fechou para obras e nem nos avisou!  Fomos para outro lugar.  Mas a luta continua sempre:  ou não consumimos o suficiente, ou não há lugares para dez pessoas. Não há acesso para deficientes. Muito barulho.  Muita música alta ou o som da televisão com o futebol não pode ser baixado.  Tudo contribui para dispersão, para falta de atenção dos componentes do grupo, mesmo aqueles que estão verdadeiramente interessados. Durante a pandemia, o grupo diminuiu de tamanho.  Os encontros foram online.  Muitos acharam que não valia a pena.  Quando voltamos ao encontro presencial, nem sempre todos aparecem. A presença varia muito, como se tivéssemos perdido o hábito. Como se a leitura e sua discussão não tivesse mais lugar, a não ser como um aposto, um extra e não um compromisso.  Ultimamente só uma ou duas pessoas se interessam de sugerir leituras.  Tem sido uma decepção.  Então, desde meados de abril, me pergunto se vale a pena o esforço de manter o grupo.  Se não é hora de fechar.  As amizades que se formaram devem perdurar. Afinal, tudo tem seu tempo. 21 anos já é uma vitória!

 

 

 

Natureza morta com fruteira na mesa, 1914-15

Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)

óleo sobre tela, 64 x 80 cm

Colombus Art Museum, Ohio

 

 

Aí vejo a lista dos melhores livros destas duas décadas e meia do século XXI, publicada pelo The New York Times. E quando já estava praticamente decidida a ter a última reunião do Papalivros neste mês de maio, faço a listagem dos livros selecionados por eles.  Comparo com a nossa lista de leitura e começo a reconsiderar.

Venho de uma família de leitores.  Todos liam na família, pais, avós, tios, tias.  Houve uma única vez, uma restrição a um livro que eu queria ler e minha mãe recusou.  Era Trópico de Câncer,  de Henry Miller.  Eu tinha 15 anos.  Isso ficou marcado para mim.  Mas meus pais acreditavam em deixar que nós escolhêssemos o que iríamos ler.  Nunca, a não ser na escola, fomos requisitados a ler alguma coisa. Essa tradição eu trouxe para o grupo. E muitas vezes leio o que jamais escolheria na livraria,  Às vezes tenho boas surpresas, outras simples confirmações de que não era um livro para mim.  Também nunca me considerei uma especialista em literatura mas fica claro, para mim, que sou uma pessoa que já leu muito mais do que a maioria e muitas vezes me calo.  Não há pecado maior do que mostrar conhecimento em certos momentos.  Mas, agora me pergunto, e se eu fosse um pouco mais incisiva sobre os livros que fôssemos ler?  Ou, e se eu pedisse maior envolvimento destes leitores com as obras escolhidas?  Porque quando comparo o que lemos nesses últimos 21 anos com a lista do NYT, temos muita coisa em comum.  Um grande número de acertos mesmo em se tratando de livros que precisam de tradução e portanto aparecem no Brasil, mais tarde.   Vou pensar melhor amanhã.  Obrigada por me acompanharem neste solilóquio.





Quem sou?

4 04 2024

 

 

Há um pouco mais de um ano faço um curso com Dany Sakugawa de marketing editorial.  Aprendi muito com ela e confesso que estou aprendendo, ainda faço parte de seu grupo.  Seu curso não só me ajudou a me ver mais como escritora, que sou, como me deu impulso de sair da concha em que me fechei depois de ficar viúva. Dentre inúmeros exercícios que são aconselhados fazermos estava este, da nossa foto ou grande ou pequena, com palavras chave para indicarmos aos nossos leitores quem somos.

Vocês que me seguem aqui no blog, e são alguns milhares por dia, sabem que não sou muito de falar de mim mesma, de anunciar isto ou aquilo, só o faço quase sob pressão.  Nos últimos dois anos tenho feito isso, instigada pelo crescimento das plataformas sociais, pela imensa curiosidade que temos sobre aqueles cujos sites ou contas na internet visitamos com regularidade, e por ter que me atualizar nos caminhos da cultura. 

Aqui vai, portanto, o exercício de QUEM SOU?  com exatos dez meses de atraso.  Ah, sim, algo que não está na foto porque ela foi “pensada”  para minha conta no Instagram.  Meu nome é Ladyce West.  Minha conta no Instagram: @escritora.ladycewest   Há outras contas com o meu nome mas serão desativadas, para não criar problemas.  Muito obrigada a todos que vêm aqui regularmente, visitam o blog, que se dispõem a comentar.  Pode não parecer, mas tenho alguns de vocês em mente, muitas vezes,  ao fazer minhas postagens.  Um grande abraço a todos.  E vamos manter este diálogo vivo!

 





Sublinhando…

1 04 2024

Leitura no sofá, 2019

Alfonso Cuñado (Espanha, 1953)

óleo sobre tela, 50 x 50 cm

 

 

 

“Os livros nascem de um gérmen ínfimo, de um ovinho minúsculo, uma frase, uma imagem, uma intuição; e crescem como zigotos, organicamente, célula a célula, diferenciando-se em tecidos e em estruturas cada vez mais complexas até se transformarem numa criatura completa e geralmente inesperada.”

 

Rosa Montero

 

 

 

Em: A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero, tradução de Mariana Sanchez, São Paulo,Todavia: 2019.





Lista dos TREZE finalistas do Prêmio Booker Internacional

11 03 2024
Foto dos treze livros finalistas para o Prêmio Booker Internacional.

 

 

 

 

A grande surpresa é ver o autor brasileiro Itamar Vieira Júnior entre os finalistas.  Não porque não mereça, mas porque a competição é muito grande, com autores do mundo inteiro.

Sempre acompanho os prêmios Booker.  Tenho mais afinidade com as seleções tanto dos prêmios internacionais como daqueles publicados originalmente em língua inglesa. 

Aqui está a lista dos treze autores e seus livros.  Destes só conheço três, dois por outros livros que não os selecionados e claro Itamar Vieira Júnior por Torto Arado.

  • Not a River by Selva Almada, translated by Annie McDermott    PUBLICADO NO BRASIL em 2021, como Não é um rio, pela Todavia

  • Simpatía by Rodrigo Blanco Calderón, translated by Noel Hernández González and Daniel Hahn   

  • Kairos by Jenny Erpenbeck, translated by Michael Hofmann    OUTRA OBRA PUBLICADA EM PORTUGUÊS em 2018, Eu vou, tu vais, ele vai, pela Relógio D’água (Portugal)

  • The Details by Ia Genberg, translated by Kira Josefsson 

  • White Nights by Urszula Honek, translated by Kate Webster   

  • Mater 2-10 by Hwang Sok-yong, translated by Sora Kim-Russell and Youngjae Josephine Bae   

  • A Dictator Calls by Ismail Kadare, translated by John Hodgson   MUITAS OUTRAS OBRAS PUBLICADAS NO BRASIL, pela Cia das Letras, mas não achei esta.

  • The Silver Bone by Andrey Kurkov, translated by Boris Dralyuk    MUITAS OUTRAS OBRAS PUBLICADAS EM PORTUGUÊS (Portugal), mas não achei esta.

  • What I’d Rather Not Think About by Jente Posthuma, translated by Sarah Timmer Harvey   

  • Lost on Me by Veronica Raimo, translated by Leah Janeczko   

  • The House on Via Gemito by Domenico Starnone, translated by Oonagh Stransky   OUTRAS OBRAS PUBLICADAS NO BRASIL, pela Todavia.  Laços, 2017; Assombrações, 2018; Segredos, 2020, Dentes, 2022

  • Crooked Plow by Itamar Vieira Junior, translated by Johnny Lorenz   PUBLICADO NO BRASIL, Torto Arado, 2019, pela Todavia

  • Undiscovered by Gabriela Wiener, translated by Julia Sanches   OUTRA OBRA PUBLICADA NO BRASIL, em 2023, Exploração, pela Todavia.

 

Estas treze obras foram selecionadas como finalistas depois de terem sido julgadas entre a 149  obras recebidas para consideração.

 

O vencedor do Prêmio Booker Internacional será anunciado no dia 21 de maio de 2024, em Londres.





Todo mundo lê…

28 02 2024
Ilustração, Robinson.