Todo mundo lê!

4 01 2025
Ilustração de Henri Galeron.




Conselhos de quem sabe, para ler mais em 2025

31 12 2024

 

 

O conselho vem dos juízes do Booker Prize de 2024, que recebi na newsletter do Booker.  Todos são escritores e tiveram um ano dedicado à leitura de outros escritores para votar nos melhores do ano.  A tradução é minha, e informal

 

Edmund de Waal

Aconselho você encontrar alguém que leia com você, um amigo. Falar sobre livros é uma atividade que faz a leitura uma parte mais natural do dia a dia. Aquelas perguntas: até onde você chegou, com o livro tal?  Que mais você vai ler, depois deste?  É uma estratégia perfeita para ler mais e mais. E, leve um livro onde quer que você vá. Você encontrará momentos escondidos em que você poderá ler.

 

Sara Collins

Uma coisa que ajuda é manter disciplina na leitura, tratando a leitura como um trabalho a ser feito em horas específicas e dar prioridade à ela.  Mas devo dizer, que sei que estou diante de um vencedor em potencial quando encontro um livro que não posso deixar de lado.  Houve alguns que acabei colocando apoiados à minha frente enquanto eu lavava pratos ou enquanto estava na Stair-Master, ou que me fizeram perder meus horários diversas vezes. Estou louca para contar para as pessoas quais foram esses livros. Quando um livro tem esse efeito, não é nunca uma guerra arranjar um tempo para ler, é uma luta organizar todas as outras coisas à volta daquela leitura.  Qualquer um que goste de ler saberá a que me refiro.

 

Yiyun Li

Sempre defendi a ideia de leitura vagarosa e sempre.  Não acho que vivemos num mundo mais atarefado do que as pessoas do passado, mas vivemos num momento com muitas outras distrações. Sempre digo a meus alunos que no lugar de ir para a internet ou abrir o telefone nos primeiros minutos da manhã, nesse mesmo período, eles podem ler por 15 ou 20 minutos de Guerra e Paz.  Se fizerem isso ai fim de 12 semanas eles podem acabar de ler o livro inteiro. Para leitores que queiram aumentar o tempo de leitura em suas vidas, talvez pudessem arranjar um canto de leitura onde telas, de todo tipo (telefones, tablets e computadores) sejam proibidos.

 

Justine Jordan

Leitura e concentração andam cada vez mais difíceis.  Li um listinha a respeito.  Dica um, coloque seu telefone em outro aposento, e troque o rolar das telas por um livro enquanto come, usa o transporte público ou quando  seu amigo não aparece para um encontro.  Nadamos num mar de palavras, hoje, então eu também recomendo voltar-se para os clássicos — uma voz de outro tempo pode ser mais eficiente do que a verborreia contemporânea.  Mas principalmente, lembre-se do telefone.

 

Nitin Sawhney

Acho que aderir a um horário para a leitura é a melhor maneira de planejar a leitura de muitos livros. No meu caso, gosto de ler entre 5 e 9 da manhã, quando tenho a mente clara, antes de começar meu dia verdadeiramente. É importante se aproximar de cada livro, página por página até que você se encontre incapaz de deixá-lo de lado. Um ótimo livro força o leitor a continuar lendo até o fim.





Ladyce West, a Peregrina Cultural, escolhe as melhores leituras do ano!

30 12 2024

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Este foi um ano de sessenta e quatro livros lidos. Esse número inclui ficção e não ficção assim como livros relidos.

Ficção tem pela primeira vez desde que faço essa lista, dois autores brasileiros no pódio. E entre eles o ganhador de melhor do ano.

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1º lugar

 

OJIICHAN, Oscar Nakasato

SINOPSE – Terceiro livro do escritor paranaense e vencedor do Jabuti Oscar Nakasato, Ojiichan, que em japonês significa “vovô”, retrata a vida de Satoshi a partir do seu aniversário de setenta anos.

A aposentadoria compulsória do colégio onde ele lecionou por décadas é o primeiro dos eventos que o obrigam a confrontar as muitas faces da velhice. Seus colegas preparam uma festa de despedida e os alunos, que carinhosamente o apelidaram de Satossauro, prestam homenagem ao professor. Preocupados em celebrar o merecido descanso após uma vida de trabalho, ninguém ao redor parece enxergar a dor de Satoshi em deixar a rotina e dar início a uma nova fase.

Em casa, as coisas não estão muito melhores. A perda de memória de Kimiko, sua esposa, vai se agravando, e os cuidados com ela recaem sobre ele, sobretudo depois que uma tragédia acomete a filha do casal. Com o outro filho vivendo no Japão e o neto ausente, Satoshi experimenta, de modo estoico, os primeiros sinais da solidão, que só pioram quando ele é obrigado a se mudar para um apartamento menor e se despedir de Peri, seu cachorro. No novo prédio onde passa a morar, a solidão de Satoshi dá as mãos à de d. Estela e Altair, seus vizinhos, cuja história de vida o protagonista descobre aos poucos.

Com a coragem de representar o desamparo em toda sua crueldade, porém avesso a melodramas, Oscar Nakasato toca em pontos sensíveis da sociedade brasileira e provoca a reflexão ao desafiar o final trágico que parece se anunciar: quando Satoshi contrata Akemi como cuidadora de sua esposa, sua vida particular ganha novos contornos e a configuração do cotidiano e da família se alteram de modo inusitado.

Em sua prosa a um só tempo austera e atenta aos detalhes, tão característica da cultura japonesa na qual Nakasato cresceu, Ojiichan mostra que a terceira idade não é a linha de chegada, mas um caminho a ser trilhado, e transborda a beleza e a serenidade necessárias a um mundo ocidental de supervalorização da juventude e da velocidade.

2º lugar

OS ENAMORAMENTOS, Javier Marías

SINOPSE — O assassinato de um empresário madrilenho é o ponto de partida do romance de Javier Marías, que traz uma reflexão literária sobre o estado de enamoramento.

María Dolz, uma solitária editora de livros, admira à distância, todas as manhãs, aquele que lhe parece ser o “casal perfeito”: o empresário Miguel Desvern e sua bela esposa Luisa. Esse ritual cotidiano lhe permite acreditar na existência do amor e enfrentar seu dia de trabalho.

Mas um dia Desvern é morto por um flanelinha mentalmente perturbado e María se aproxima da viúva para conhecer melhor a história. Passa então de espectadora a personagem, vendo-se cada vez mais envolvida numa trama em que nada é o que parecia ser, e em que cada afeto pode se converter em seu contrário: o amor em ódio, a amizade em traição, a compaixão em egoísmo.

A história, narrada em primeira pessoa por María, sofre as oscilações de seus estados de espírito, de seus “enamoramentos”, evidenciando que todo relato é tingido pela subjetividade de quem conta.

Ao mesmo tempo, a presença incômoda dos mortos na vida dos que ficam é o tema que perpassa este romance, à maneira de um motivo musical com suas variações. Para desdobrar e reverberar esse mote, Javier Marías entrelaça a seu enredo referências a obras clássicas da literatura, como Os três mosqueteiros, de Dumas, Macbeth, de Shakespeare, e, sobretudo, o romance O coronel Chabert, de Honoré de Balzac.

Sustentando com maestria uma voz narrativa feminina, o autor eleva aqui a um novo patamar sua habilidade em nos envolver no mundo interior de seus personagens. Com Os enamoramentos, obra de plena maturidade literária, Javier Marías se reafirma como um dos maiores ficcionistas de nossa época.

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3º lugar

TERRA ÚMIDA, Myriam Scotti

SINOPSE —  Ganhador do Prêmio Literário de Manaus 2020, na Categoria Regional, tem como tema central a diáspora Judaico-Marroquina no começo do século 20, quando muitos imigrantes, vindos do Oriente, atracavam no Porto de Manaus.

A paisagem escurecia, sem que pudéssemos fugir de toda a chuva que estava para irromper, num prenúncio de desafio a quem ousava por ali navegar. O verão amazônico se anunciava violento, inserto em sua própria selvageria e ainda faltavam três dias para chegarmos a Manaus. Estávamos em meio ao nada. Apenas o infinito de águas nos cercava. Inimaginável que uma tarde bonita como aquela pudesse se transformar, trovões começariam a rimbombar e uma chuva torrencial cairia sobre nós. Ventos fortes e atípicos sacudiam a embarcação, como se fôssemos um barquinho de papel. Um dos marinheiros chamou a nossa atenção para uma mancha que lembrava um grande disco e se formava na superfície do rio, a certa distância. Curiosos, corremos todos para saber do que se tratava e então vimos surgir um anel de água, que logo ganhou força formando uma imensa tromba. Mesmo percorrendo rios há alguns anos, só tinha ouvido falar do fenômeno e até duvidava de sua veracidade.

Aqui a lista dos sete livros restantes que considerei os melhores do ano:

Todas as manhãs do mundo, Pascal Quignard

Uma hora de fervor, Muriel Barbery

A outra filha, Annie Ernaux

Não é um rio, Selva Almada

Cora do Cerrado, Tana Moreano

Novembro, 1963, Stephen King

Uma rosa só, Muriel Barbery

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MENÇÃO HONROSA

Kentukis, Samanta Schweblin

Segurant: o cavaleiro do dragão, Emanuele Arioli

Crônicas minhas, Nancy de Souza  – crônicas

As filhas moravam com ele, André Giusti — contos

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RELIDOS — só releio o que já considerei muito bom.

Olhai os lírios do campo, Érico Veríssimo

Memórias Póstumas de Brás Cubas, Machado de Assis

Kafka à beira-mar, Haruki Murakami

A ridícula ideia de nunca mais te ver, Rosa Montero

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NÃO FICÇÃO, só os que recomendo.

O lado bom das expectativas, David Robson

Diálogos sobre a natureza humana: perfectibilidade e imperfectibilidade, Luiz Felipe Pondé

2030: How Today’s Biggest Trends Will Collide and Reshape the Future of Everything, Mauro F. Guillén

Writers and their notebooks, Diana Raab

The two Eleanors of Henry III, Darren Baker

No enxame, Byung-Shul Han

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FICÇÃO em inglês

The Anthropologists, Aysegul Savas

The Hammock: A novel based on the true story of French painter James Tissot, Lucy Paquette





É Natal no Papalivros!

15 12 2024

Hoje foi a festa de fim de ano do Grupo de Leitura Papalivros.  Foi a 21ª reunião de Natal.  Ainda que ao longo destes anos o grupo tenha mudado de perfil, há cinco membros que pertencem ao primeiro ano de leituras.   Este é um ótimo histórico.  Crescemos juntas nesses anos e continuamos firmes.  Leitoras que se divertem e têm opiniões.  Que 2025 nos traga muitas alegrias, bons livros, grandes oportunidades, muitas viagens pessoais e imaginárias através de nossas leituras!  Obrigada meninas.  Três de vocês não puderam participar, mas estaremos juntas de novo para mais um ano de aventuras!

Aos curiosos: há uma página neste blog, ali, no canto direito. clique em PAPALIVROS e vocês verão todos os livros que lemos nesses vinte e um anos!





Palavras para lembrar: Ralph Waldo Emerson

29 11 2024
Mulher patinando no gelo com livro, 1897

 

“A biblioteca de um homem é uma espécie de um harém.”

 

Ralph Waldo Emerson

(1803-1882)





Leitura é mágica!

23 11 2024
Ilustração de Gurbuz Dogan Eksioglu




Falta um mês para o Natal!

16 11 2024
Livro na Amazon em dois formatos: papel e eletrônico

 

Dá tempo de comprar e surpreender quem receber este presente!





Todo mundo lê!

15 11 2024
Ilustração Vernon Grant.





Palavras para lembrar: Italo Calvino

13 11 2024

Leitura

James MacKeown (Inglaterra, 1961)

óleo sobre tela

 

 

“Um clássico é um livro que nunca terminou de dizer aquilo que tinha para dizer.”

 

Ítalo Calvino

 





Leitura breve…

28 10 2024
LIVRO CURTO QUE FAZ A DIFERENÇA

 

NÃO É UM RIO
Selva Almada
Editora Todavia, 2021
90 páginas

Vêm muitos feriados por aí em Novembro. Que tal dar um impulso nas leituras que são impactantes e adicionam? Fica a dica!