Guillaume Apollinaire e seus amigos, 1908
Marie Laurencin (França, 1883 — 1956)
óleo sobre tela
Museu de Baltimore, Md
Da esquerda para a direita: Pablo Picasso, Marie Laurencin, Guillaume Apollinaire e Fernande Olivier.
Guillaume Apollinaire e seus amigos, 1908
Marie Laurencin (França, 1883 — 1956)
óleo sobre tela
Museu de Baltimore, Md
Da esquerda para a direita: Pablo Picasso, Marie Laurencin, Guillaume Apollinaire e Fernande Olivier.
Augustus Leopold Egg (Inglaterra, 1816-1863)
óleo sobre tela, 65 x 78 cm
Birmingham Museum and Art Gallery, Inglaterra
—-
Tony Bellotto
Retrato de Julia Makovsky, 1881
(Esposa do pintor)
Konstantin Makovsky (Rússia, 1839-1915)
óleo sobre tela
Lêdo Ivo
Agora que é abril, e o mar se ausenta,
secando-se em si mesmo como um pranto,
vejo que o amor que te dedico aumenta
seguindo a trilha de meu próprio espanto.
Em mim, o teu espírito apresenta
todas as sugestões de um doce encanto
que em minha fonte não se dessedenta
por não ser fonte d’água, mas do canto.
Agora que é abril, e vão morrer
as formosas canções dos outros meses,
assim te quero, mesmo que te escondas:
amar-te uma só vez todas as vezes
em que sou carne e gesto, e fenecer
como uma voz chamada pelas ondas.
Em: Central poética, Lêdo Ivo, Rio de Janeiro, Nova Aguillar: 1976, p. 47.
A leitora d’après Helène Madelin, 1958
[Helène Madelin é esposa de Gromaire]
Marcel Gromaire (França, 1892-1971)
óleo sobre tela, 65 x 54 cm
Félix Vallotton (Suíça, 1865-1945)
Litogravura, publicada no Le cri de Paris, de 23/01/1898
Fran Peppers (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 50 x 60 cm
Cá pelo Rio de Janeiro, temos 9 dias de folga em pleno mês de abril. Amigos me pedem dicas de leitura. Todos sabem que vou sempre preferir algo um pouquinho menos conhecido. Como a volta ao trabalho só está programada para segunda-feira, dia 27, há tempo de sobra para se ler bons livros.
Hoje, li a entrevista de Sofi Oksanen no jornal inglês The Guardian, e me lembrei que a autora está representada no Brasil, por pelo menos dois títulos. Com ela conhecemos melhor as histórias de colonialismo soviético, que como o The Guardian lembra, é assunto pouco abordado. E sabê-lo pelo olhos de uma escritora finlandesa, uma raridade no nosso horizonte, parece interessante pois sugere um distanciamento político raramente preservado nos meios intelectuais brasileiros em relação à antiga União Soviética. Estes livros são de leitura empolgante, thrillers, daqueles que não se quer deixar de lado para nada. Perfeitos para férias.
SINOPSE — Em 1992, uma velha senhora que vive solitária em uma floresta da Estônia, Aliide, acolhe em sua casa uma jovem russa, Zara. Apesar das desconfianças e precauções iniciais, as duas começam a se conhecer melhor e desenvolvem uma relação de amizade. Zara era uma escrava sexual na Rússia, e depois que fugiu passou a ser caçada por dois mafiosos russos que estão envolvidos no mercado sexual. Já Aliide vê na nova amiga uma oportunidade de contar sua trajetória e suas experiências pela União Soviética, tentando se livrar dos próprios fantasmas.
Expurgo, de Sofi Oksanen, Editora Record: 2012, 350 páginas
SINOPSE — Este é um poderoso romance, épico, único, que ao contar a história de Sofia, Katariina e Anna — avó, mãe e filha — perpassa todo o século 20 até chegar na atualidade. Desde a fome durante a guerra aos distúrbios alimentares para alcançar uma magreza ideal típica dos nossos tempos: está tudo aqui escrito com a visceralidade de uma das autoras contemporâneas mais aclamadas.
Na década de 1970, Katariina deixou a Estônia soviética em busca da promessa de felicidade ocidental que a Finlândia, país vizinho porém com realidade distante, representava. Sua mãe Sofia vivera desde o início os terrores da repressão soviética e assim que pôde incentivou a filha a ir embora mas agora é Anna, justamente a neta nascida na Finlândia e de hábitos ocidentais, que precisa de salvação: desde a doentia relação com seu corpo à estranha relação que tem com o sexo e com as pessoas.
As vacas de Stalin, Sofi Oksanen, Record: 2013, 420 páginas