William Bouguereau (França, 1825-1905)
óleo sobre tela, 116 x 80 cm
Coleção Particular
William Bouguereau (França, 1825-1905)
óleo sobre tela, 116 x 80 cm
Coleção Particular
Yevgeniy Demakov (Rússia, 1968)
óleo sobre tela, 50 x 70 cm
Renata de Albuquerque
Três banhistas, agosto de 1920
Pablo Picasso (Espanha, 1881-1973)
pastel, óleo, tinta e grafite sobre papel, 47 x 61 cm
Solomon R. Guggenheim Museum, Nova York
Anton Ebert (Áustria, 1845-1896)
óleo sobre tela, 79 x 63 cm
José Eduardo Agualusa
Em: “A cura pela palavra”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 29/06/2015, 2º caderno, página 2.
Será possivel?
[Peter Pan em Kensington Gardens]
Camille Engel (EUA, contemporânea)
óleo sobre painel de madeira, 50 x 45 cm
Retrato de leitora de jornal, c. 1900
Stanislaw Debicki (Polônia, 1866-1924)
Lwowska Galeria Obrazów , Varsóvia
José Eduardo Agualusa
Em: “O embrulho da alma”, José Eduardo Agualusa, O Globo, 22/06/2015, 2º caderno, página 2.
Carequinha e Bolinha conversam sobre o livro: Segredos
Fiquei muito feliz com a decisão da Suprema Corte do Brasil de permitir toda e qualquer biografia. Biografias, semelhantes a obras de outros gêneros são obras de ficção. E, portanto, proibi-las seria proibir a própria ficção. Demos um passo à frente para a cultura brasileira. Minhas razões para celebrar o evento se enraízam na convicção de que uma narrativa é sempre ficcional. Com exceção daquilo que podemos provar por equações matemáticas, todo o resto é narrativa.
Para uma historiadora isso é gritante. Ver os mesmos dados serem contados, interpretados por diferentes gerações e diferentes culturas, mostra de maneira explícita o quanto dependemos da visão e da interpretação de quem narra. Sei que posso resgatar dados, procurá-los, ir atrás de testemunhas. Posso encontrar pistas do que poderia ter acontecido, quer no passado distante, quer nas últimas 24 horas. Mas não posso nunca deixar de reconhecer que tudo, absolutamente tudo, é ficção. Nem mesmo duas pessoas que participam de um mesmo ato, conseguem narrar objetivamente aquilo que lhes aconteceu. Cada qual tem seu enfoque pessoal, cada qual vem de um lugar interno, pessoal, diferente. A subjetividade está sempre presente. E como não há memória sem narrativa, todo o passado em comum que temos como grupo familiar ou nação é subjetivo, é interpretação, é ficção.
Não há necessidade de vermos o mundo divididos em extremos: verdade x mentira. Nem tudo é branco ou preto. Tudo é cinza. Cinza porque nossa interpretação do que já foi cai indubitavelmente no subjetivismo do narrador.
Não há historiador objetivo. Não há relato objetivo. No momento em que um acontecimento, um fato, um evento passa pelo ser humano ele é subjetivo. Daí a minha satisfação de se permitir que a ficção continue no Brasil. Proibir a escrita de biografias, sobretudo daqueles que se colocaram como líderes musicais, políticos, sociais, para um grande público é proibir a maneira criativa de interpretação que fazemos deles.
Ganhamos todos com a decisão da Suprema Corte.
Camille Engel (EUA, contemporânea)
óleo sobre tela, 50 x 40 cm
Um estudo por Nicola Griffith, abrangendo os principais prêmios literários em língua inglesa, nos últimos quinze anos, mostra que livros com personagens principais masculinos têm sido favorecidos nas premiações literárias. Ou seja, se o autor deseja ser premiado, seu personagem principal deve ser masculino. Livros sobre mulheres, com personagens femininos têm menor chance de serem premiados.
O estudo revelou ainda que, contrário ao bons ventos da igualdade de direitos, há um teto de vidro nas editoras segregando mulheres nos postos mais baixos. Postos de chefia e de decisão editorial não estão nas mãos de mulheres. Os números da pesquisa não deixam dúvida de que há uma preferência pelo ponto de vista masculino.
E, no entanto, há mais mulheres leitoras do que homens, no mundo inteiro. Assim como há mais mulheres no mundo do que homens em números absolutos. O ponto de vista feminino sobre a vida, sobre o mundo não deveria ser negligenciado.
Seria o mesmo aqui no Brasil?
Para o artigo inteiro: The Guardian
À luz do lampião, 1890
Harriet Backer (Noruega, 1845-1932)
óleo sobre tela, 64 x 66 cm
Coleção Rasmus Meyer
The Bergen Art Museum
Jorge Luis Borges