Na boca do povo: escolha de provérbio popular

15 05 2014

Geraldo de Castro, Procissão, ost, 90x90Procissão

Geraldo de Castro (Brasil, 1914-1992)

óleo sobre tela, 90 x 90 cm

“Dinheiro e sacristão cantando vem, cantando vão.”





Na boca do povo: escolha de provébio popular

24 04 2014

manhã, galo Randolph_Caldecott_illustration2Manhã, ilustração de Randolph Caldecott.

“Não é por muito madrugar que amanhecerá mais cedo.”





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

17 04 2014

xadrez, beijinho, namorados, jogo,

“Ao término do jogo, rei e peão voltam para a mesma caixa”.




Reflexões infinitas, “Livro” de José Luís Peixoto

14 04 2014

29_Drawing Hands by Escher

Mãos desenhando, 1948

M. C. Escher (Holanda, 1898-1972)

Litografia, 28 x 33 cm

Não sei como a prosa de José Luís Peixoto soa aos ouvidos portugueses, aos meus, brasileiros, soa rica, dinâmica, orgânica. Deslumbra a expansão dos significados de palavras comuns, conhecidas. Antes mesmo de nos envolvermos com a trama, a língua portuguesa seduz. Com José Luis Peixoto embarcamos numa prazerosa e aventureira narrativa construída por vocábulos, que por engenhosa inflexão, nos fazem ver por ângulos incomuns as mesmas cenas que em qualquer outro escritor passariam desapercebidas. Precisávamos disso na nossa língua torná-la mais jocosa, folgazã. Mais ágil.

A trama é trabalhada de modo tão criativo quanto a língua. A impressão que tenho é que José Luís Peixoto brinca conosco, diverte-se com o impacto que terá sobre o leitor e se entretém ao considerar o rumo da narrativa.  Inventivo, ele nos faz sorrir quando nos deparamos com suas reviravoltas;  e ao divertir-se ele amplia os limites do que consideramos romance.  A trama inicial situada em um vilarejo do  Alentejo na década de sessenta, encontra eco na França, meio livro adiante, onde os mesmos protagonistas se encontram, fugidos da economia caótica do período Salazarista.  Fogem do país, mas não fogem de si.  Emigram levando com eles os sonhos, os amores e até mesmo a pequenice do lugar de onde procedem. A reinvenção de cada um é um processo difícil e conturbado.  Penoso para todos. E inicialmente até parece que deixaram para trás os grilhões da terra natal.  Mas quando percebemos, estamos presos aos destinos deles e nos vemos de volta ao início como  numa gravura do mundo paralelo de M.C. Escher. Nas gravuras do artista holandês, voltamos aos temas iniciais achando que chegamos a algum lugar novo só para descobrirmos que nos encontramos aparentemente fazendo o caminho anterior, são escadas que descem mas também sobem; cachoeiras cujas águas desaguam em suas fontes ou  mãos que se desenham. O romance, que traz o título sui generis e inegavelmente astuto, se transforma numa fita de Möbius, que mexe com o desenrolar natural da voz narrativa, oscilando entre o universo conhecido e outro paralelo.

Índice

Este livro podia acabar aqui. Sempre gostei de enredos circulares. É a forma que os escritores, pessoas do tamanho das outras, tem para sugerir eternidade. Se acaba conforme começa é porque não acaba nunca…” José Luís Peixoto nos diz claramente a que veio ao final da primeira parte: quer escrever uma história que não acabe nunca. E consegue.  Como um mágico de cartola, tira, sabe-se lá de onde, a ideia de fazer a história se arrevesar uma vez mais, mas de maneira mais completa. Não se trata mais de um espelhar de comportamentos, de um retrato de infinitas estruturas sociais que comprimem os indivíduos e os faz robôs de seus próprios preconceitos. Nem tampouco das idas e vindas dos personagens ou da narrativa que nos leva a diversos recomeços.  Agora, quando entramos na segunda parte, temos que trocar de marcha, refletir ainda uma vez sobre o texto. Porque descobrimos que ali há mistério. Faz-se necessário reconsiderar uma questão importante: quem narra esse romance?  E chegando a uma conclusão, como bons leitores que somos da narrativa linear, temos que voltar ao início e considerar as ramificações daquilo que descobrimos. Eureka!  Eternidade à vista! Fizemos a volta completa, mas com uma virada, aquela virada da fita de Möbius, aquele giro que faz do inicio o fim com um truque. Não se trata da forma circular, mas da elíptica com uma torção. Nasce um texto hermético.

JLP © Helena CanhotoJosé Luís Peixoto — Foto: Helena Canhoto

 

José Luís Peixoto arrisca, aposta, se aventura e se expõe nesse romance. Vai à procura da Pedra Filosofal e encontra vestígios de que ela existe. A caminho, ele enfeita e adorna a língua materna, diverte-se vadiando pela narrativa, como se estivesse mesmo a interpretar um escritor. A emigração portuguesa ilegal  para a França não é nada mais do que ponto de partida para uma corajosa investigação sobre os limites da narrativa. Joga verde e colhe maduro. Pratica e treina uma nova forma diante dos nossos olhos.  Ou será que os títulos dos capítulos estão lá por acaso?  Ou talvez as palavras circundadas por elipses, que remontam de novo à primeira parte do livro, foram invencionices da moda?  José Luís Peixoto se arremessa numa nova forma, atira no incerto e ganha o certo; dispara imagens gráficas e de linguagem.  E finalmente lança o leitor na montanha russa de uma narrativa sem fim.  Não há dúvidas de que ele é inovador, inventivo.  Nem de que ele sente os limites da forma e da língua como camisas de força. Para chegar lá ele brinca, graceja e se diverte. Leva-nos junto. E o resultado é muito produtivo, um trabalho realisticamente inovador.





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

8 04 2014

???????????????????????????????Ilustração Belli Studio.

“Papagaio velho não aprende a cantar”.





Na boca do povo: escolha de provébio popular

20 03 2014

caravelaAutoria, ilegível.

“Quanto maior a nau, maior a tormenta”.





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

11 03 2014

???????????????????????????????Tio Patinhas encontra uma pepita, ilustração Walt Disney.

“Ouro adquirido, sono perdido.”





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

26 02 2014

???????????????????????????????Tio Patinhas lê o jornal no seu cofre forte, ilustração Walt Disney.

“De tostão em tostão, chega-se ao milhão”.




Na boca do povo: escolha de provérbio popular

7 02 2014

sapos felizes  Sylvie DaigneaultSapos felizes, ilustração Sylvie Daigneault.

“Em terra de sapo, de cócoras com ele.”





Na boca do povo: escolha de provérbio popular

28 01 2014

cavalinho charles payzantIlustração de Charles Payzant, 1954.

“O olho do dono engorda o cavalo”.