As doces rosas-dos-ventos, poesia de Stella Leonardos

1 05 2015

 

 

vendedor-de-cataventos, sérgio bastosVendedor de cataventos, Sérgio Bastos.

 

 

As doces rosas-dos-ventos

 

Stella Leonardos

 

 

— Onde estás, vendedor de pirulitos,

Fazedor das ventoinhas de papel?

Daqueles cataventos tão bonitos?

Daquelas gostosuras cor de mel?

Tu que adoças as ruas com teus gritos

E que marcas os ventos nas calçadas:

Me dá de novo os sonhos infinitos

Das tuas rosas que são quase aladas!

— Queres minhas ventoinhas? Há-de tê-las.

Criança grande! Por que te agradam tanto?

— Não são ventoinhas: são almas de estrelas

De um céu ingênuo que foi céu de encanto.

 

 

Em: Pedaço de Madrugada, Stella Leonardos, Rio de Janeiro, Livraria São José:1956, p.79





Imagem de leitura — Marie Laurencin

30 04 2015

Apollinaire_Guillaume_par_Marie_Laurencin_51_miniGuillaume Apollinaire e seus amigos, 1908

Marie Laurencin (França, 1883 — 1956)

óleo sobre tela

Museu de Baltimore, Md

Da esquerda para a direita: Pablo Picasso, Marie Laurencin, Guillaume Apollinaire e Fernande Olivier.





Mais uma sugestão de leitura: Sofi Oksanen

19 04 2015

 

Fran Peppers, jovem lendo, ost,20x24nchsJovem lendo

Fran Peppers (EUA, contemporânea)

óleo sobre tela, 50 x 60 cm

www.franpeppers-art.com

 

 

Cá pelo Rio de Janeiro, temos 9 dias de folga em pleno mês de abril. Amigos me pedem dicas de leitura.  Todos sabem que vou sempre preferir algo um pouquinho menos conhecido. Como a volta ao trabalho só está programada para segunda-feira, dia 27, há tempo de sobra para se ler bons livros.

Hoje, li a entrevista de Sofi Oksanen no jornal inglês The Guardian, e me lembrei que a autora está representada no Brasil, por pelo menos dois títulos.  Com ela conhecemos melhor as histórias de colonialismo soviético, que como o The Guardian lembra, é assunto pouco abordado. E sabê-lo pelo olhos de uma escritora finlandesa, uma raridade no nosso horizonte, parece interessante pois sugere um distanciamento político raramente preservado nos meios intelectuais brasileiros em relação à antiga União Soviética.  Estes livros são de leitura empolgante, thrillers, daqueles que não se quer deixar de lado para nada.  Perfeitos para férias.

 

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SINOPSE — Em 1992, uma velha senhora que vive solitária em uma floresta da Estônia, Aliide, acolhe em sua casa uma jovem russa, Zara. Apesar das desconfianças e precauções iniciais, as duas começam a se conhecer melhor e desenvolvem uma relação de amizade. Zara era uma escrava sexual na Rússia, e depois que fugiu passou a ser caçada por dois mafiosos russos que estão envolvidos no mercado sexual. Já Aliide vê na nova amiga uma oportunidade de contar sua trajetória e suas experiências pela União Soviética, tentando se livrar dos próprios fantasmas.

Expurgo, de Sofi Oksanen, Editora Record: 2012, 350 páginas

 

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SINOPSE — Este é um poderoso romance, épico, único, que ao contar a história de Sofia, Katariina e Anna — avó, mãe e filha — perpassa todo o século 20 até chegar na atualidade. Desde a fome durante a guerra aos distúrbios alimentares para alcançar uma magreza ideal típica dos nossos tempos: está tudo aqui escrito com a visceralidade de uma das autoras contemporâneas mais aclamadas.

Na década de 1970, Katariina deixou a Estônia soviética em busca da promessa de felicidade ocidental que a Finlândia, país vizinho porém com realidade distante, representava. Sua mãe Sofia vivera desde o início os terrores da repressão soviética e assim que pôde incentivou a filha a ir embora mas agora é Anna, justamente a neta nascida na Finlândia e de hábitos ocidentais, que precisa de salvação: desde a doentia relação com seu corpo à estranha relação que tem com o sexo e com as pessoas.

 

As vacas de Stalin, Sofi Oksanen, Record: 2013, 420 páginas

 





Imagem de leitura — Paul Gauguin

16 04 2015

clovis, paul gauguinClóvis, 1886

Paul Gauguin (França, 1848-1903)

óleo sobre tela, 56 x 40 cm

Portland Museum of Art, Maine





Uma grosa de livros lidos

12 04 2015

Young Woman in the Reading Room in a Library, Thomas Jakob RichterJovem na biblioteca

Autoria disputada. Charpentier?  Thomas J. Richter ?

óleo sobre tela.

 

 

Hoje o grupo de leitura Papa-livros completa 12 anos de atividades ininterruptas.  Foram 144 livros lidos.  Uma grosa.  Não é um pequeno sucesso.  Num país em que poucos têm o hábito da leitura essa é uma etapa a ser comemorada.  Das 20 pessoas ativas 4 estão nele desde o primeiro ano,  3 são “fundadoras” (pertencem desde de o primeiro encontro) e a quarta, a partir do segundo encontro. Mas temos algumas com 11 e 10 anos de grupo, 8 e assim por diante.

O grupo de leitura já passou por muitas transformações. Começou na casa de uma de nós. Hoje se encontra em lugar público. Já fomos um grupo misto, hoje somos só mulheres.  Decidimos que preferimos assim. Já tivemos falecimento, divórcio, reconciliação, viuvez,  netos, casamentos de filhos, divórcio de filhos, e tudo mais que aparece na vida normal de pessoas normais.  No momento, temos um filhote, bebê de menos de 1 ano, Pedro, nosso talismã. Gostamos de festas.  Fazemos duas por ano.  Hoje e no Natal. O grupo inclui pessoas dos 32 aos 86 anos. Somos católicos, judeus, budistas, ateus e tudo combinado… O que nos une é a vontade de ler.  Depois, gostamos das discussões sobre o que lemos. E aos poucos as amizades se estreitam. Mas pense bem, quantos amigos, que não trabalham com você, você vê durante o ano, pelo menos 12 vezes?  Garanto que não são muitos. Amizades não aparecem automaticamente, principalmente depois que somos adultos. No nosso caso, amizades vêm com os encontros mensais e encontros que cada um tem com membros do grupo, à parte, durante o mês. Com telefonemas. Com uma foto mandada por email; uma mensagem por celular. Encontros fora do grupo são incentivados, pois só assim as amizades conseguem florescer; se solidificam.

Incentivo todos que gostam de ler a participarem ou a formarem um grupo de leitura. Garanto que isso dará uma repaginada na sua vida.  É impressionante a pluralidade de reações a um livro, a uma obra, a um enredo. De repente vemos aquilo que lemos de uma forma diferente… Temos tido muito mais pedidos para entrada no grupo do que é possível atender.  O ideal são 12 pessoas.  Já havíamos aumentado para 15, por concessões a membros.  E recentemente, desde novembro do ano passado, passamos a ser 20, quando adotamos os membros órfãos do grupo de leitura Entrelinhas, nascido com a nossa bênção e que se desfez.  Ganhamos nós, porque tivemos uma renovada total, não só nas discussões como nas propostas de leitura.  Desde o início nos comprometemos a não ler os clássicos tradicionais.  Procuramos os livros que acabaram de ser lançados, ou algum que tenha impressionado alguém. Nossas discussões são informais, às vezes pendem para o lado pessoal, às vezes para a análise mais formal.  Com frequência falamos de história, de política, de problemas sociais. Muitas vezes de experiências que vivemos. Cada livro traz consigo uma variedade enorme de assuntos que podem ou não ser abordados.  Só depende da vontade do grupo.  Temos as profissões mais variadas: psicólogos e psicanalista, advogadas, escritora, arquiteta, artista plástica, ambientalista, relações internacionais, tradutora/intérprete, engenheira, mães de família, professoras de ioga, língua estrangeira e outras.

Quando fizermos quinze anos faremos uma grande festa, reunindo todos os membros presentes e passados.  Pensando longe?  Acho que não. Quando já se leu 144 livros, o que são 36 mais?  Nada… uma brisa…

Quero expressar publicamente o meu apreço a todas que contribuíram para mais um ano de atividades e sucesso. Sem a contribuição de cada uma não teríamos sucesso. Em ordem alfabética: Albertina, Ana Maria, Andréa, Chaia, Camille, Cibele, Elizabeth, Fabiana, Gisela, Inez, Léa, Luba, Lucia L., Lúcia S., Magali, Maria Eugênia, Melissa, Mônica, Rosi e Vera. Que venham mais 12 anos.  E muitos outros mais. Foi a dedicação de vocês, o comprometimento, a habilidade de se desvencilhar de obrigações uma vez por mês, a boa vontade de muitas vezes ler aquele livro que não agrada, a aceitação de que nem sempre as discussões são interessantes mas continuar para ver no que dá, a aceitação de opiniões contrárias ao que se pensa, e o respeito às decisões sempre democráticas. Por tudo isso, pelo calor humano, pela simpatia com o outro, pelo bom humor, pelo dar-se e receber, por tudo que temos feito juntas, o meu profundo agradecimento.  São vocês que fazem o grupo.  Eu, só organizo.  Aproveito para agradecer também ao nosso garçom favorito, Sr. Deusdeth, por sempre nos dar atenção tomando nota dos detalhes de cada pedido de exceção: “sem alface”, “com queijo”, “sem amendoim”, “posso substituir…”, etc. Não é fácil com 20 mulheres.  Enfim estou grata a todos. Pronta, para mais doze aventuras por ano!





Palavras para lembrar — Tom Peters

7 04 2015

 

 

Daniel Alejandro Rojas Espinoza. Lectura, (Chile, 1974)Leitura

Daniel Alejandro Rojas Espinoza (Chile, 1973)

www.dakhoart.com

 

 

“Leia mais romances e menos livros sobre negócios. Os relacionamentos são tudo.”

Tom Peters





Imagem de leitura — Steve Henderson

4 04 2015

 

4ProvincialAfternoon,by Steve Henderson, oil, 38x48Tarde no campo

Steve Henderson (EUA, 1957)

óleo sobre tela, 96 x 121 cm

www.stevehendersonfineart.com





Imagem de leitura — Georgios Iakovidis

3 04 2015

 

 

cartaGeorgios Iakovidis(gRECIA)A carta, 1919

Georgios Iakovidis (Grécia, 1853-1932)

óleo sobre tela





Imagem de leitura — Albano Vitturi

23 03 2015

Albano Vitturi (Itália,) Album de guerra, 1922, ostÁlbum de guerra, 1922

Albano Vitturi (Itália, 1888-1968)

óleo sobre tela, 75 x 80 cm

Coleção Particular





Grandes começos, XII de XII, escolha de Ana Maria Machado

17 03 2015

Iakovos Rizos,Ιάκωβος Ρίζος-Κυρία στον καναπέSenhora deitada no sofá, c. 1885-1890

Iakovos Rizos (Grécia, 1849-1926)

óleo sobre tela, 43 x 60 cm

National Gallery, Atenas

 

 

Grandes começos na literatura, escolha da escritora Ana Maria Machado:

 

“Foi no verão de 1998 que meu vizinho Coleman Silk — que, antes de se aposentar dois anos antes, tinha sido catedrático de literatura clássica no vizinho Athena College durante mais de vinte anos, além de acumular mais dezesseis como decano da universidade — me confidenciou que, aos 71 anos de idade, estava tendo um caso com uma faxineira que trabalhava na faculdade.”

 

Philip Roth, A nódoa humana

 

 

Em: Iscas de leitura, Ana Maria Machado, coluna publicada no jornal O Globo de sábado, 27 de dezembro de 2014, 1º caderno, página 16.